Como a postagem anterior me lembra quem me lembra Alberto Caeiro.
E eu sei que preciso de mais Alberto Caeiro. E espero que só dele.
Alberto Caeiro
XXXV - O Luar
O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos
XXXIV - Acho tão Natural que não se Pense
Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa ...
Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas. . .
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente. . .
Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos ...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
reencontro (final alternativo)
Eles se encontram.
O narrador está do lado dela e a camera só sabe o que se passa dentro dela, não dele.
O passado ficou pouco nítido. Ele se tornou mesmo uma coisa cicatrizada, embora ela sempre pudesse se lembrar daquilo e pensar que deveria se tolice. Aquilo tinha de ser uma tolice, não faz nenhum sentido qualquer coisa de especial sobre o que não fora dito, nem vivido.
Mas tinha aquele poema e a resposta incerta. Nenhuma resposta, de fato.
Eles se encontram, ela toma um pequeno susto. Se tivesse alguns minutos antes de ser vista de volta por ele, racionalizaria, se convencenceria de que aquilo não era nada. E seu coração iria, sim, voltar ao ritmo normal. Mas não teve, aos mãos trêmulas, o corpo todo sem força, quase toda sua energia voltada para interpretar naturalidade. Junto a isso, já o pensamento de que ela se sentia, sim, natural.
Ela sorri, não há lembrança da dor, apenas o mesmo medo, como se fosse ha tantos anos, no começo.
Ele sorri, eles se sentam. Ele pega suas mãos e diz:
"As minhas mãos carregam..."
O narrador está do lado dela e a camera só sabe o que se passa dentro dela, não dele.
O passado ficou pouco nítido. Ele se tornou mesmo uma coisa cicatrizada, embora ela sempre pudesse se lembrar daquilo e pensar que deveria se tolice. Aquilo tinha de ser uma tolice, não faz nenhum sentido qualquer coisa de especial sobre o que não fora dito, nem vivido.
Mas tinha aquele poema e a resposta incerta. Nenhuma resposta, de fato.
Eles se encontram, ela toma um pequeno susto. Se tivesse alguns minutos antes de ser vista de volta por ele, racionalizaria, se convencenceria de que aquilo não era nada. E seu coração iria, sim, voltar ao ritmo normal. Mas não teve, aos mãos trêmulas, o corpo todo sem força, quase toda sua energia voltada para interpretar naturalidade. Junto a isso, já o pensamento de que ela se sentia, sim, natural.
Ela sorri, não há lembrança da dor, apenas o mesmo medo, como se fosse ha tantos anos, no começo.
Ele sorri, eles se sentam. Ele pega suas mãos e diz:
"As minhas mãos carregam..."
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Osca Wilde
Tenho lido um pouquinho de Oscar Wilde, e achado genial!
Em uma conversa recente com o Eduardo (que para mim é um personagem de um de seus romances), ele disse que as pessoas mais interessantes são as de exatas. Eu não conheço muitas pessoas de artes ou humanas para dizer. E é certo que existem inumeráveis exemplares de pessoas entediantes e obtusas nas exatas. Mas, concordei com o Eduardo: as pessoas mais geniais (em todos os aspectos) que conheci são de exatas. Também outra consideração, dessa vez do Fernando, sobre como apreciamos a forma como as pessoas de exatas pensam (claro, porque nos incluimos nesse grupo) : de forma organizada, com uma introdução que dá bases e justifica a argumentação que se segue, com a capacidade de incluir comentarios, exemplos e contra-exemplos, e retomar a argumentação e fechar aquela ideia, ou ao menos chegar a qual é a questão que ficou aberta, por ser complexa, sujeita a muitas variaveis, por ser fruto de opiniao, gosto, ou extremamente circunstanicial.
Daí, a pergunta: o nosso gosto por esse tipo de pensamento porque pensamos assim? Ou pensamos assim porque gostamos dessa forma de pensar? Acho que deve ser uma contribuicao dos dois. Ao longo da vida esses fatores forma se alimentando: alguma tendencia ao racionalismo e ao pensamento logico ou cientifico estimulou a busca por conhecimentos e experiencias nessa atmosfera. E este ambiente tornou mais atraente essa forma de pensar, pois é mais adequada. Alem disso, essa forma de pensar, "cabe" mais nesses ambientes.... bom...é por aí...
Voltando a O.W., acho que ele faz isso. Tem uma inteligencia aguçada, essa forma de expor sua narrativa e suas idéias, com introdução de embasamento, justificativas, exemplos, é muito preciso e sobretudo extremamente charmoso e estético. Gosta de conclusões, de fechar idéias e tem bons argumentos pra isso.
Pensei entao que existem duas possibilidades que resultam na retórica de Oscar Wilde, ou de similares e, espero, até na minha:
Ele passou pela austeridade do pensamento exato. Pela observação do mundo que so pode resultar num certo pessimismo (não há realismo otimista). Ele pensou o sufiente para concluir que a vida não tem sentido, que somos sós, que não há nada de especial sobre nada, que existem milhares de crises a nossa espreita, existenciais, humanas, superficiais. Ele pensou sobre a moral, ou sobre o quanto é vazio e despido de lógica e motivação transcendentes (e por isso inquestionáveis) o pensamento moral. Ele poderia ser (com alguns atributos de personalidade mais severos, talvez, além dos temporais_volto à "circunstancialidade"...), um Wittgenstein, meio hermitão, entregue a falta de significado e intenção "a priori" do mundo, da existência, das relações humanas(eu sei o quanto é arriscada essa consideração sobre Wittgenstein). Mas não, ele foi o homem da beleza e da arte, meio renascentista, entregue aos prazeres, mas sempre ponderado pelos ideiais de beleza. Ele concluiu que a vida é única, que é só isso, e que isso pode gerar qualquer sentimento e que existem vários caminhos. E porque não trilhar o mais belo e mais prazeroso?
Mas há outra possibilidade. Ele era um homem que não resisitia aos prazeres, que por motivos talvez muito viscerais fosse compelido ao prazer e a beleza. Não sei como fora sua infancia ao certo, mas essa personalidade que cresceu em meio a beleza e ao pensamento, com grandes inclinações a luxuria, só fez justificar com muita elegancia e inteligencia o porque de se entregar a esse estilo de vida e de pensar. Isso parece menos nobre, mas mais lascivo e charmoso. Como ele. Por enquanto, eu fico com essa opção.
Em uma conversa recente com o Eduardo (que para mim é um personagem de um de seus romances), ele disse que as pessoas mais interessantes são as de exatas. Eu não conheço muitas pessoas de artes ou humanas para dizer. E é certo que existem inumeráveis exemplares de pessoas entediantes e obtusas nas exatas. Mas, concordei com o Eduardo: as pessoas mais geniais (em todos os aspectos) que conheci são de exatas. Também outra consideração, dessa vez do Fernando, sobre como apreciamos a forma como as pessoas de exatas pensam (claro, porque nos incluimos nesse grupo) : de forma organizada, com uma introdução que dá bases e justifica a argumentação que se segue, com a capacidade de incluir comentarios, exemplos e contra-exemplos, e retomar a argumentação e fechar aquela ideia, ou ao menos chegar a qual é a questão que ficou aberta, por ser complexa, sujeita a muitas variaveis, por ser fruto de opiniao, gosto, ou extremamente circunstanicial.
Daí, a pergunta: o nosso gosto por esse tipo de pensamento porque pensamos assim? Ou pensamos assim porque gostamos dessa forma de pensar? Acho que deve ser uma contribuicao dos dois. Ao longo da vida esses fatores forma se alimentando: alguma tendencia ao racionalismo e ao pensamento logico ou cientifico estimulou a busca por conhecimentos e experiencias nessa atmosfera. E este ambiente tornou mais atraente essa forma de pensar, pois é mais adequada. Alem disso, essa forma de pensar, "cabe" mais nesses ambientes.... bom...é por aí...
Voltando a O.W., acho que ele faz isso. Tem uma inteligencia aguçada, essa forma de expor sua narrativa e suas idéias, com introdução de embasamento, justificativas, exemplos, é muito preciso e sobretudo extremamente charmoso e estético. Gosta de conclusões, de fechar idéias e tem bons argumentos pra isso.
Pensei entao que existem duas possibilidades que resultam na retórica de Oscar Wilde, ou de similares e, espero, até na minha:
Ele passou pela austeridade do pensamento exato. Pela observação do mundo que so pode resultar num certo pessimismo (não há realismo otimista). Ele pensou o sufiente para concluir que a vida não tem sentido, que somos sós, que não há nada de especial sobre nada, que existem milhares de crises a nossa espreita, existenciais, humanas, superficiais. Ele pensou sobre a moral, ou sobre o quanto é vazio e despido de lógica e motivação transcendentes (e por isso inquestionáveis) o pensamento moral. Ele poderia ser (com alguns atributos de personalidade mais severos, talvez, além dos temporais_volto à "circunstancialidade"...), um Wittgenstein, meio hermitão, entregue a falta de significado e intenção "a priori" do mundo, da existência, das relações humanas(eu sei o quanto é arriscada essa consideração sobre Wittgenstein). Mas não, ele foi o homem da beleza e da arte, meio renascentista, entregue aos prazeres, mas sempre ponderado pelos ideiais de beleza. Ele concluiu que a vida é única, que é só isso, e que isso pode gerar qualquer sentimento e que existem vários caminhos. E porque não trilhar o mais belo e mais prazeroso?
Mas há outra possibilidade. Ele era um homem que não resisitia aos prazeres, que por motivos talvez muito viscerais fosse compelido ao prazer e a beleza. Não sei como fora sua infancia ao certo, mas essa personalidade que cresceu em meio a beleza e ao pensamento, com grandes inclinações a luxuria, só fez justificar com muita elegancia e inteligencia o porque de se entregar a esse estilo de vida e de pensar. Isso parece menos nobre, mas mais lascivo e charmoso. Como ele. Por enquanto, eu fico com essa opção.
sábado, 15 de novembro de 2008
determinismo?
O melhor motivo para a existencia de alma é que isso contraria a possibilidade do "eu" ser meramente circunstancial...
essa idéia foi se construindo aos poucos e depois de ficar pronta assim, gostei, fiquei satisfeita. Talvez porque tenha pensado que era uma coisa original _ não me lembro de ter lido algo assim antes. Mas também fiquei satisfeita por concluir alguma coisa (mesmo que temporariamente), por fechar uma idéia. É bom concluir, nos dá a sensação de embasamento, de segurança e sabedoria que poderiam nos guiar a melhores escolhas na vida. Mas existe escolha?
...e falando em originalidade e na crise atual do "tudo foi dito", é reconfortante (?), ao menos interessante, pensar que a diferença entre Keats, ou Rilke, e eu seja simplesmente cisrcunstancial.
... e se sou ciscunstancial, em que circunstâncias quero viver?
Novamente: Existe escolha?
essa idéia foi se construindo aos poucos e depois de ficar pronta assim, gostei, fiquei satisfeita. Talvez porque tenha pensado que era uma coisa original _ não me lembro de ter lido algo assim antes. Mas também fiquei satisfeita por concluir alguma coisa (mesmo que temporariamente), por fechar uma idéia. É bom concluir, nos dá a sensação de embasamento, de segurança e sabedoria que poderiam nos guiar a melhores escolhas na vida. Mas existe escolha?
...e falando em originalidade e na crise atual do "tudo foi dito", é reconfortante (?), ao menos interessante, pensar que a diferença entre Keats, ou Rilke, e eu seja simplesmente cisrcunstancial.
... e se sou ciscunstancial, em que circunstâncias quero viver?
Novamente: Existe escolha?
terça-feira, 28 de outubro de 2008
domingo, 26 de outubro de 2008
dream within
at night runs the dream
run and hide
in between dark and rough branches
in the dark blue night
slips the dream
it runs away
lights the blue
and things exists
colorful
exposed
the sun's warmth held in hands
ages the face
changes
builds the mask that will smile in the late hours
through the hours and the dance of times and things
goes this pair of life
footsteps made of light and shadows
over the sweet meadows
touched by the winds
once blowed from the deep earth
and carried away by ghosts
a man's soul taken
forever clasped in the arms of heaven and hell
there is no choice
no corner to reveal
birth and death are one thing
attached to the path of day and night
run and hide
in between dark and rough branches
in the dark blue night
slips the dream
it runs away
lights the blue
and things exists
colorful
exposed
the sun's warmth held in hands
ages the face
changes
builds the mask that will smile in the late hours
through the hours and the dance of times and things
goes this pair of life
footsteps made of light and shadows
over the sweet meadows
touched by the winds
once blowed from the deep earth
and carried away by ghosts
a man's soul taken
forever clasped in the arms of heaven and hell
there is no choice
no corner to reveal
birth and death are one thing
attached to the path of day and night
terça-feira, 21 de outubro de 2008
o que dizer dos dias?
O que dizer? eu não sou muito prosaica, na verdade não sei se-lo com elegancia. a profundidade, a expressao das coisas intimas, não requer elegancia e criatividade, requer honestidade. é claro que prefiro os textos que unem todas essas coisas, mas condescentemente me conformo, para não juntar mais frustrações ao orçamento.
falar do cotidiano é muito dificil.
é facil falar do que altera muito o que vai por dentro, dos descontentamentos , obsessoes e grandes felicidades..
e claro, sempre sou assomada pelo argumento de ter muito o que fazer. existem muitas paginas a minha espera para serem lidas, postergando ainda mais as paginas que poderiam sair das minhas mãos.
eu queria mesmo que toda essa coisa engolida, pensada e esquecida por tantos dias, se acumulasse e explodisse em algum momento. um spleen. um insight criativístico. mas um medo muito grande me faz suspeitar que todas essas coisas podem ficar abafadas e reprimidas...não quero morrer guardando...
tenho pensado muito na morte. na minha e da minha mãe. fico pensando na dor da morte. já dói.
a minha morte já me dói por poder botar fim a tanta coisa que ainda não foi. a morte da minha mãe que é o objeto que amo por me amar, além de amar por amar. talvez seja um egocentrismo: não quero que as duas pessoas que mais me aceitam e me conhecem (de formas muito distintas) morram, não quero que morra a devoção pelo que sou (pela minha mãe) e pelo que posso ser (por mim). será?
ai, vida que me espera. que eu quero que me espere, que guarde tanta vida por vir.
agora. seria a minha vida agora fantástica? eu faço tudo o que gosto, até. agora é mesmo muito bom. desde que minha vó morreu, eu pensei que não vou ser uma daquelas pessoas que dizem "eu era feliz e não sabia", quero tomar posse de cada felicidade que se me revela, a cada instante.
falar do cotidiano é muito dificil.
é facil falar do que altera muito o que vai por dentro, dos descontentamentos , obsessoes e grandes felicidades..
e claro, sempre sou assomada pelo argumento de ter muito o que fazer. existem muitas paginas a minha espera para serem lidas, postergando ainda mais as paginas que poderiam sair das minhas mãos.
eu queria mesmo que toda essa coisa engolida, pensada e esquecida por tantos dias, se acumulasse e explodisse em algum momento. um spleen. um insight criativístico. mas um medo muito grande me faz suspeitar que todas essas coisas podem ficar abafadas e reprimidas...não quero morrer guardando...
tenho pensado muito na morte. na minha e da minha mãe. fico pensando na dor da morte. já dói.
a minha morte já me dói por poder botar fim a tanta coisa que ainda não foi. a morte da minha mãe que é o objeto que amo por me amar, além de amar por amar. talvez seja um egocentrismo: não quero que as duas pessoas que mais me aceitam e me conhecem (de formas muito distintas) morram, não quero que morra a devoção pelo que sou (pela minha mãe) e pelo que posso ser (por mim). será?
ai, vida que me espera. que eu quero que me espere, que guarde tanta vida por vir.
agora. seria a minha vida agora fantástica? eu faço tudo o que gosto, até. agora é mesmo muito bom. desde que minha vó morreu, eu pensei que não vou ser uma daquelas pessoas que dizem "eu era feliz e não sabia", quero tomar posse de cada felicidade que se me revela, a cada instante.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
árvores
The Melody of a Fallen Tree
só vale a pena se for ouvida, não postarei a letra
Será que é razoavel que as pessoas de quem mais tenho saudades são aquelas com quem eu menos convivi?
Ceremony
Acho que, no fundo, tenho vontade de morar nos meus próprios sonhos...
nos menos freudianos...
Kings of the Wild Frontier
E estar dividida entre duas pessoas que vão, por muito tempo, continuar a milhares de quilometros.... É claro que me pergunto se me sinto dividida entre elas ou entre o que elas representam...Vamos construindo o amor sobre tantos símbolos, que vão se acumulando uns sobre os outros, que o chão, a raiz, talvez nem exista. Mas se nunca tocamos o chão com os pés, isso importa? E quão fútil pode ser uma vida que não toca o chão com os pés?
Natural's Not in It
só vale a pena se for ouvida, não postarei a letra
Será que é razoavel que as pessoas de quem mais tenho saudades são aquelas com quem eu menos convivi?
Ceremony
Acho que, no fundo, tenho vontade de morar nos meus próprios sonhos...
nos menos freudianos...
Kings of the Wild Frontier
E estar dividida entre duas pessoas que vão, por muito tempo, continuar a milhares de quilometros.... É claro que me pergunto se me sinto dividida entre elas ou entre o que elas representam...Vamos construindo o amor sobre tantos símbolos, que vão se acumulando uns sobre os outros, que o chão, a raiz, talvez nem exista. Mas se nunca tocamos o chão com os pés, isso importa? E quão fútil pode ser uma vida que não toca o chão com os pés?
Natural's Not in It
domingo, 12 de outubro de 2008
mudar
Há dias não sei o que escrever, porque não se bem o que pensar. Minha vida está organizada como nunca, estou domesticada e isso foi um processo interno, consciente e escolhido.
Eu acordo o mais cedo possível (o que ainda é tarde, visto que não consigo dormir bem e demoro muito a pegar no sono), tomo o meu café da manhã fantástico: frutas; minha panqueca que é uma combinação natureba de cereais integrais; café para alimentar o vício,a disposição e a excitação mínima para dar a partida para o dia e um pouquinho de leite.
Vez ou outra eu dou água para as plantinhas: a horta que eu quis ter, as florzinhas que acho que fazem bem pra vista e pra alma.
Vou pra faculdade. Me sento a frente de quilos de artigos e do computador e gasto todo o meu cérebro pensando, com algum prazer, em todas aquelas coisas estranhas e difíceis.
Dos 5 dias úteis, em média uns 4,lá pelas 18h, me carrego para a aula de capoeira ou de dança e nasço denovo depois de me movimentar, pensar em outras coisas e sentir o meu próprio corpo.
No fim de semana, fica um certo vazio.
Eu fujo um pouco do mundo que não se adequa à física, a minha rotina acadêmica. Esse mundo de danças, músicas, energias, pessoas menos céticas, menos precisas, no qual eu me sinto tão em casa.
É muito difícil ser essas duas coisas, habitar mundos tão distintos, meu corpo e minha cabeça não mudam instantaneamente, existe uma inércia que dificulta o trânsito entre um e outro e qualquer apego a um (principalmente ao não-acadêmico) faz com que a volta ao outro seja custosa, dolorosa, como uma despedida mesmo.
Hoje foi um dia bom, de grama sob os pés, abraços, olhos apertados pelos sorrisos, carinhos e doçuras, eu poderia ficar neste mundo tão facilmente que sinto que devo correr das oportunidades em que ele pode se revelar. Parece que eu me convenci de que pertenço a uma sala fechada com ar condicionado e pessoas restritas (não todas, claro) a essa vida, a essas salas e a telas de computadores. Acho que me convencer disso por enquanto torna o inevitável menos dolorido, quero terminar bem este mestrado...
Um amigo me disse que acredita em determinismo, que não temos escolhas, pois já é certo que sempre escolheremos o que nos faz mais feliz. Eu concordei. Pensei num contra-exemplo, mas só fiz confirmar a tal lei. O exemplo: se eu não deixo o mestrado para fazer cinema, que é algo que eu acredito que me faria mais feliz que a física, é porque acho que faria meus pais tristes. O ponto é que fazer meus pais felizes me faz mais feliz (ou menos triste) que fazer cinema, e por isso a minha escolha é essa. O grande problema é que essas escolhas são feitas pelo que "achamos" que nos faria mais felizes, não pelo que nos faria mais felizes de fato. O que eu concluo com isso é que deveríamos basear nossa decisão em critérios mais racionais, pois tenho a impressão de que eles "acertam" mais o que é melhor pra nós. Além disso, no meu exemplo específico, eu tenho a informação de que meus pais ficariam mais felizes com essa decisão, pois eles me deram pistas diretas ou indiretas sobre isso, mas o que eu não sei é como eles se sentirão "depois" da mudança, então eu não sei se eles ficariam tristes de fato... portanto, não acho que seja válido me basear muito nisso... mas, afinal sempre nos baseamos em coisas muito instáveis e mutáveis, e nunca podemos prever como será a mudança: eu poderia, ainda, "não" ser mais feliz no cinema do que na física..
Enfim! Preciso pensar mais nisso, pois não conclui nada que pareça concreto ou útil!
Eu acordo o mais cedo possível (o que ainda é tarde, visto que não consigo dormir bem e demoro muito a pegar no sono), tomo o meu café da manhã fantástico: frutas; minha panqueca que é uma combinação natureba de cereais integrais; café para alimentar o vício,a disposição e a excitação mínima para dar a partida para o dia e um pouquinho de leite.
Vez ou outra eu dou água para as plantinhas: a horta que eu quis ter, as florzinhas que acho que fazem bem pra vista e pra alma.
Vou pra faculdade. Me sento a frente de quilos de artigos e do computador e gasto todo o meu cérebro pensando, com algum prazer, em todas aquelas coisas estranhas e difíceis.
Dos 5 dias úteis, em média uns 4,lá pelas 18h, me carrego para a aula de capoeira ou de dança e nasço denovo depois de me movimentar, pensar em outras coisas e sentir o meu próprio corpo.
No fim de semana, fica um certo vazio.
Eu fujo um pouco do mundo que não se adequa à física, a minha rotina acadêmica. Esse mundo de danças, músicas, energias, pessoas menos céticas, menos precisas, no qual eu me sinto tão em casa.
É muito difícil ser essas duas coisas, habitar mundos tão distintos, meu corpo e minha cabeça não mudam instantaneamente, existe uma inércia que dificulta o trânsito entre um e outro e qualquer apego a um (principalmente ao não-acadêmico) faz com que a volta ao outro seja custosa, dolorosa, como uma despedida mesmo.
Hoje foi um dia bom, de grama sob os pés, abraços, olhos apertados pelos sorrisos, carinhos e doçuras, eu poderia ficar neste mundo tão facilmente que sinto que devo correr das oportunidades em que ele pode se revelar. Parece que eu me convenci de que pertenço a uma sala fechada com ar condicionado e pessoas restritas (não todas, claro) a essa vida, a essas salas e a telas de computadores. Acho que me convencer disso por enquanto torna o inevitável menos dolorido, quero terminar bem este mestrado...
Um amigo me disse que acredita em determinismo, que não temos escolhas, pois já é certo que sempre escolheremos o que nos faz mais feliz. Eu concordei. Pensei num contra-exemplo, mas só fiz confirmar a tal lei. O exemplo: se eu não deixo o mestrado para fazer cinema, que é algo que eu acredito que me faria mais feliz que a física, é porque acho que faria meus pais tristes. O ponto é que fazer meus pais felizes me faz mais feliz (ou menos triste) que fazer cinema, e por isso a minha escolha é essa. O grande problema é que essas escolhas são feitas pelo que "achamos" que nos faria mais felizes, não pelo que nos faria mais felizes de fato. O que eu concluo com isso é que deveríamos basear nossa decisão em critérios mais racionais, pois tenho a impressão de que eles "acertam" mais o que é melhor pra nós. Além disso, no meu exemplo específico, eu tenho a informação de que meus pais ficariam mais felizes com essa decisão, pois eles me deram pistas diretas ou indiretas sobre isso, mas o que eu não sei é como eles se sentirão "depois" da mudança, então eu não sei se eles ficariam tristes de fato... portanto, não acho que seja válido me basear muito nisso... mas, afinal sempre nos baseamos em coisas muito instáveis e mutáveis, e nunca podemos prever como será a mudança: eu poderia, ainda, "não" ser mais feliz no cinema do que na física..
Enfim! Preciso pensar mais nisso, pois não conclui nada que pareça concreto ou útil!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
embora
neste mes, meu amor nao me veio visitar
nao sei ainda
talvez
neste ano
ainda
nao veio
nunca sei
meu "amor"
confesso
que nao sei tao bem dessa palavra
nem da palavra eu
nem dele
nem dela
nem de amor
neste mes
e no outro
meu amor nao veio me visitar
talves nao venha
afinal...como poderia vir?
nem sei do que fala
do que se trata
como se chama
se se chama amor
tal palavra que nao sei se é
se sou
se existe
neste ano
nao sei
acho que alguns amores me visitaram
e nao
nao sei
amores, essas coisas incertas e que caminham pela linha do existir
e pela do não
neste mes
me sinto como antes
fui ao concerto e achei que fosse só
e em meio a tantas musicas e tanta gente,
senti tantas pessoas,
como se nao fosse.
ao fim,
ao fim da ultima nota e copo de cerveja
_tao bons, acool e notas bem feitos
paguei,
sai
e caminhei ate o quarto que é só meu
e eis que constato
e eis que sou só eu neste mes.
pensei que fora visitada pelo amor
nao sei
se fora
se eu
se fosse
neste mes
igual ao mesmo mes do ano passado
me convenço do amor que foi igual
voce me convece de que me amou
nao sei!
ano passado
tao longe
tao perto
ao sorteio da minha memoria
neste mes
neste dia e hora incertos
me ponho a constatar e reparar
sem muito rigor
o que não fora como foi hoje
este dia
neste dia e noite cheios de mim
e vazios de alguma vida que não sei
não conheço o fim
nem o agora
conheço o limbo do ser e da memoria
dissonantes
nao tao velhos como as notas de outrora
do concerto que me levou só
e restei aqui
como antes
a essa hora
do mes passado
e talvez de antes
assim tao tarde
sempre resto
me levo a mim
e fico embora
nao sei ainda
talvez
neste ano
ainda
nao veio
nunca sei
meu "amor"
confesso
que nao sei tao bem dessa palavra
nem da palavra eu
nem dele
nem dela
nem de amor
neste mes
e no outro
meu amor nao veio me visitar
talves nao venha
afinal...como poderia vir?
nem sei do que fala
do que se trata
como se chama
se se chama amor
tal palavra que nao sei se é
se sou
se existe
neste ano
nao sei
acho que alguns amores me visitaram
e nao
nao sei
amores, essas coisas incertas e que caminham pela linha do existir
e pela do não
neste mes
me sinto como antes
fui ao concerto e achei que fosse só
e em meio a tantas musicas e tanta gente,
senti tantas pessoas,
como se nao fosse.
ao fim,
ao fim da ultima nota e copo de cerveja
_tao bons, acool e notas bem feitos
paguei,
sai
e caminhei ate o quarto que é só meu
e eis que constato
e eis que sou só eu neste mes.
pensei que fora visitada pelo amor
nao sei
se fora
se eu
se fosse
neste mes
igual ao mesmo mes do ano passado
me convenço do amor que foi igual
voce me convece de que me amou
nao sei!
ano passado
tao longe
tao perto
ao sorteio da minha memoria
neste mes
neste dia e hora incertos
me ponho a constatar e reparar
sem muito rigor
o que não fora como foi hoje
este dia
neste dia e noite cheios de mim
e vazios de alguma vida que não sei
não conheço o fim
nem o agora
conheço o limbo do ser e da memoria
dissonantes
nao tao velhos como as notas de outrora
do concerto que me levou só
e restei aqui
como antes
a essa hora
do mes passado
e talvez de antes
assim tao tarde
sempre resto
me levo a mim
e fico embora
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
para Ricardo
How shall I hold on to my soul, so that
it does not touch yours? How shall I lift
it gently up over you on to other things?
I would so very much like to tuck it away
among long lost objects in the dark,
in some quiet, unknown place, somewhere
which remains motionless when your depths resound.
And yet everything which touches us, you and me,
takes us together like a single bow,
drawing out from two strings but one voice.
On which instrument are we strung?
And which violinist holds us in his hand?
O sweetest of songs.
(Love Song _ Rilke)
it does not touch yours? How shall I lift
it gently up over you on to other things?
I would so very much like to tuck it away
among long lost objects in the dark,
in some quiet, unknown place, somewhere
which remains motionless when your depths resound.
And yet everything which touches us, you and me,
takes us together like a single bow,
drawing out from two strings but one voice.
On which instrument are we strung?
And which violinist holds us in his hand?
O sweetest of songs.
(Love Song _ Rilke)
Rilke and me and the recently past days
A Woman in Love
That is my window. I
just awoke so gently.
I thought, I'm floating.
How far does my life reach,
and where does the night begin?
I could think that everything
around me is me;
like the transparent depth of a crystal,
darkened and mute.
I think I could bring the stars
inside of me, so large
does my heart seem; so very much
does it want to let go of him
whom I have perhaps begun
to love, perhaps to hold.
So strange, so uncharted
does my fate appear.
Who am I who lies here
under this endless sky,
as the sweet scent of a meadow,
moving back and forth,
at once calling out and anxious,
that someone might hear my call,
destined to vanish
in another.
That is my window. I
just awoke so gently.
I thought, I'm floating.
How far does my life reach,
and where does the night begin?
I could think that everything
around me is me;
like the transparent depth of a crystal,
darkened and mute.
I think I could bring the stars
inside of me, so large
does my heart seem; so very much
does it want to let go of him
whom I have perhaps begun
to love, perhaps to hold.
So strange, so uncharted
does my fate appear.
Who am I who lies here
under this endless sky,
as the sweet scent of a meadow,
moving back and forth,
at once calling out and anxious,
that someone might hear my call,
destined to vanish
in another.
The Inner Rose
a cada dia que passa, se reafirma em mim a sensação de que nada faz mais sentido que o prazer e a beleza (mesmo em suas nuances doloridas)
The Inner Rose
Where is there for this inner
an outer? Upon which hurt
does one lay such fine linen?
And which heavens are reflected within them,
upon the interior seas
of these open roses, these carefree ones, see:
how loose in looseness
they lie, as if a trembling hand
could never tip them over.
They can hardly hold themselves
erect; many allow themselves
be filled all too full and flow
over from inner space
into the days, which, ever
more and more full, close in upon themselves,
until the entire summer becomes
a chamber, a chamber in a dream.
The Inner Rose
Where is there for this inner
an outer? Upon which hurt
does one lay such fine linen?
And which heavens are reflected within them,
upon the interior seas
of these open roses, these carefree ones, see:
how loose in looseness
they lie, as if a trembling hand
could never tip them over.
They can hardly hold themselves
erect; many allow themselves
be filled all too full and flow
over from inner space
into the days, which, ever
more and more full, close in upon themselves,
until the entire summer becomes
a chamber, a chamber in a dream.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
nao sou...
Na minha frente, um estranho
Me perguntei quando esta pessoa deixara de ser conhecida
Sinto que nunca foi
Sei que nunca foi, realmente, conhecida.
Apenas o que dela se fez em mim, como representacao de uma possivel realidade
que mal toquei, troquei palavras, ou mesmo olhei
eh muito facil se distanciar das pessoas, mesmo as que sao proximas
intimas, por que nos revelamos muito pouco realmente
e mudamos sorrateiramente, nos afastando do que mostramos ou aparentamos ser, em certos momentos
Na verdade, somos tao vários por dentro e inconsistentes, incoerentes e as circunstancias sao cruciais na determinacao de como nos manifestaremos
Ja pensei que quando alguem me ve, ve uma imagem projetada sobre mim que depende de que ve_ ainda acredito nisso, mas agora acho que nos vemos e nos fazemos a partir da imagem que achamos que geramos nas outras pessoas
parece que, ao final, somos projecoes nossas sobre os outros.
isso me parece triste agora, que me sinto tao incerta sobre o que sou e do que gosto. qual é a verdadeira natureza dos meus sentimentos, qual a validade deles, visto que me parecem tao circunstanciais>
Me perguntei quando esta pessoa deixara de ser conhecida
Sinto que nunca foi
Sei que nunca foi, realmente, conhecida.
Apenas o que dela se fez em mim, como representacao de uma possivel realidade
que mal toquei, troquei palavras, ou mesmo olhei
eh muito facil se distanciar das pessoas, mesmo as que sao proximas
intimas, por que nos revelamos muito pouco realmente
e mudamos sorrateiramente, nos afastando do que mostramos ou aparentamos ser, em certos momentos
Na verdade, somos tao vários por dentro e inconsistentes, incoerentes e as circunstancias sao cruciais na determinacao de como nos manifestaremos
Ja pensei que quando alguem me ve, ve uma imagem projetada sobre mim que depende de que ve_ ainda acredito nisso, mas agora acho que nos vemos e nos fazemos a partir da imagem que achamos que geramos nas outras pessoas
parece que, ao final, somos projecoes nossas sobre os outros.
isso me parece triste agora, que me sinto tao incerta sobre o que sou e do que gosto. qual é a verdadeira natureza dos meus sentimentos, qual a validade deles, visto que me parecem tao circunstanciais>
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
a ser editado
as 17 horas e pouco de hoje, uma constatacao, com cara de inegavel revelacao
que me atordoa, pois da ainda mais ares de frageis e inconsitentes, ou incoerentes, as coisas que sinto
pensei que me disponho logo a trocar de amor, quando alguem apto aparece, afinal, existe alguma selecao, que ate eh grande
quando o ultimo perdeu o brilho, ou se mostrou definitivamente incapaz de dar certo, sou facilmente impulsionada a outro- ja com alguma predisposicao a intensidade...sinto que devo carregar esta intensidade de um pro outro
e assim, fica facil revisitar o antigo amor, me sinto nao mais atingivel por antigas magoas e por possiveis novas magoas...afinal, nao amo mais aquela pessoa
eh como a tal sindrome dos ultimos dias, descrita por um conhecido, eu poderia revelar algo de importante pra alguem, se estes sao os ultimos dias com ela..como se nao precisasse arcar com consequncias...
o sentimento eh o mesmo, agora que amo outro, posso falar sobre o que sinto ao antigo, como se nao fosse arcar com consequencias, so que, dessa vez, sou simplesmente indiferente a elas...sera que minha vida eh so essa sucessao de intensidades onde eu fico minimizando as dores o mais rapido possivel::
que me atordoa, pois da ainda mais ares de frageis e inconsitentes, ou incoerentes, as coisas que sinto
pensei que me disponho logo a trocar de amor, quando alguem apto aparece, afinal, existe alguma selecao, que ate eh grande
quando o ultimo perdeu o brilho, ou se mostrou definitivamente incapaz de dar certo, sou facilmente impulsionada a outro- ja com alguma predisposicao a intensidade...sinto que devo carregar esta intensidade de um pro outro
e assim, fica facil revisitar o antigo amor, me sinto nao mais atingivel por antigas magoas e por possiveis novas magoas...afinal, nao amo mais aquela pessoa
eh como a tal sindrome dos ultimos dias, descrita por um conhecido, eu poderia revelar algo de importante pra alguem, se estes sao os ultimos dias com ela..como se nao precisasse arcar com consequncias...
o sentimento eh o mesmo, agora que amo outro, posso falar sobre o que sinto ao antigo, como se nao fosse arcar com consequencias, so que, dessa vez, sou simplesmente indiferente a elas...sera que minha vida eh so essa sucessao de intensidades onde eu fico minimizando as dores o mais rapido possivel::
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Hiroshima, mon amour
Nos olhamos os olhos um do outro
Estes olhinhos infantis que me acalmam
e me despertam sorrisosNos olhamos e tateamos um do outro a face
Nos olhamos sem medo
O fim é certoVocê vai
e eu ficoTrocaremos mensagens, nos lembraremos
Nos olhamos invadindo e deixando ser invadidos
E sorrimos felizes e tristespelo nosso amor de sete dias
"HI-RO-SHI-MA"
Posso fechar os olhos e te ver em preto e branco
gravado dentro de mim, num filme de poucas palavras
Nos olhamos um pouco surpresos por este amor que se revelou sem precedentes
Nos olhamos naturalmente, pois este amor faz sentido
Faz sentido nos amarmos, nos tocarmos e decidirmos ser tão próximos
Faz sentido nos falarmos e sermos quem somos
Eu, que se tenho muito por dentro
sou como um poço
Você
como um edifício
Eu, que carrego sobre os ombros o peso dos proprios ombros que se curvam sobre mim
Você, que é grande e leve. Especial e infantil.
Voce, que me traz medo de, sendo assim tão bom, eu seja muito pior,
muito louca,
muito impura,
muito pequena
Você que me olha como se eu fosse eu
como se eu fosse natural
como se eu te amasse, se você pode me amar
Ainda tem partes de você comigo
pele e cheiro no meu quarto,
na minha casa,
na minha rua.
Ainda poderei te ver antes que parta.
Ainda penso que posso ser leve com você, porque ainda está próximo
Eis que você veio
E em três dias você vai
E eu assisti ao filme, que chamei de filme da minha vida,
e foi prelúdio destes dias
"Oui, c'est mon nom. Ton nom a toi est Nevers"
Abro os olhos e te vejo no meu filme em preto e brancogravado dentro de mim, num filme de poucas palavras
Nos olhamos um pouco surpresos por este amor que se revelou sem precedentes
Nos olhamos naturalmente, pois este amor faz sentido
Faz sentido nos amarmos, nos tocarmos e decidirmos ser tão próximos
Faz sentido nos falarmos e sermos quem somos
Eu, que se tenho muito por dentro
sou como um poço
Você
como um edifício
Eu, que carrego sobre os ombros o peso dos proprios ombros que se curvam sobre mim
Você, que é grande e leve. Especial e infantil.
Voce, que me traz medo de, sendo assim tão bom, eu seja muito pior,
muito louca,
muito impura,
muito pequena
Você que me olha como se eu fosse eu
como se eu fosse natural
como se eu te amasse, se você pode me amar
Ainda tem partes de você comigo
pele e cheiro no meu quarto,
na minha casa,
na minha rua.
Ainda poderei te ver antes que parta.
Ainda penso que posso ser leve com você, porque ainda está próximo
Eis que você veio
E em três dias você vai
E eu assisti ao filme, que chamei de filme da minha vida,
e foi prelúdio destes dias
"Oui, c'est mon nom. Ton nom a toi est Nevers"
movendo-se
len
ta
men
te
sobre mim
com estes olhos infantis
"Ton nom est Hiroshima"
domingo, 17 de agosto de 2008
paul celan
Da mão o outono me come sua folha: somos amigos.
Descascamos o tempo das nozes e o ensinamos a andar:
o tempo retorna à casca.
No espelho é domingo,
no sonho se dorme,
a boca não mente.
Meu olho desce ao sexo da amada:
olhamo-nos,
dizemo-nos o obscuro,
amamo-nos como ópio e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
como o mar no raio sangrento da lua.
Entrelaçados à janela, olham-nos da rua:
já é tempo de saber!
Tempo da pedra dispor-se a florescer,
de um coração palpitar pelo inquieto,
É tempo do tempo ser... É tempo.
Descascamos o tempo das nozes e o ensinamos a andar:
o tempo retorna à casca.
No espelho é domingo,
no sonho se dorme,
a boca não mente.
Meu olho desce ao sexo da amada:
olhamo-nos,
dizemo-nos o obscuro,
amamo-nos como ópio e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
como o mar no raio sangrento da lua.
Entrelaçados à janela, olham-nos da rua:
já é tempo de saber!
Tempo da pedra dispor-se a florescer,
de um coração palpitar pelo inquieto,
É tempo do tempo ser... É tempo.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
brainstorm
pedro
amor
homem
meu
não
vida
idas
sonhos
sonhos
visitas
falsas
idas
idas
voltas
pedro
meu
eu
centro
descentro
amor
incerto
nunca
nunca
vida
morte
fim
pedro
longe
perto
sempre
medo
certo
irreversivel
verdade
verdade
crua
eu
amor
impossivel
possivel
ironico
eu
passado
mudancas
amor
tristeza
loucura
penso
penso
penso
loucura
plenitude
fim
certo
nasce
vive
vive
agora
antes
depois
sempre
pedro
vida
minha
agora
volta
aqui
eu
sempre
sempre
eu
constante
presa
fadada
amor
homem
meu
não
vida
idas
sonhos
sonhos
visitas
falsas
idas
idas
voltas
pedro
meu
eu
centro
descentro
amor
incerto
nunca
nunca
vida
morte
fim
pedro
longe
perto
sempre
medo
certo
irreversivel
verdade
verdade
crua
eu
amor
impossivel
possivel
ironico
eu
passado
mudancas
amor
tristeza
loucura
penso
penso
penso
loucura
plenitude
fim
certo
nasce
vive
vive
agora
antes
depois
sempre
pedro
vida
minha
agora
volta
aqui
eu
sempre
sempre
eu
constante
presa
fadada
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
o outro
Acho que quando a gente pensa muito sobre alguma coisa, a ideia que fazemos sobre aquilo vai ficando mais sólida, mais arraigada ao nosso cerebro. Vamos fechando as pontas de todos os contornos sobre essa coisa, criando explicações, origens, fazendo ser consistente com alguma lógica aplicada aos dados que temos; que podem ser poucos.
Dai o perigo de se pensar muito em alguem, principalmente se temos poucas informaços sobre essa pessoa. Esse é o construir do objeto que nao é o real, é a imagem distorcida daquela pessoa que nunca vamos conhecer direito (pode ser que nem ela própria).
Mas se sabemos um pouquinho e vamos juntando elementos sobre ela; e organizando isso na nossa cabeça de acordo com a nossa lógica e nossos esquemas (os unicos parametros que temos sao os nossos),criamos um outro ser dentro de nos, que pode ser muito distinto do real. E os enganos, os mau-julgamentos, vão sendo ampliados. É como ir montando um edifício: só podemos botar uma peça nova sobre a que já estava lá (ou quebrar alguma parte pra que caiba outra, o que da muito mais trabalho). As coisas vao ficando mais sólidas, maiores, mais pesadas. Fica cada vez mais dificil desmontar o que ja foi construido.
Se, fortuitamente, podemos nos aproximar da pessoa real e esta se nos apresenta diferente do edificio que já montamos, montamos outro entao. Tentamos derrubar o anterior, ou deixar ele de lado, mas ja ficou aquela memoria da prévia construção, com nossos pre-conceitos e romantismos, com mais de nós mesmos impressos ali, como arquitetos das pessoas que preferimos ou conseguimos fazer, sendo as pessoas que somos.
E não é, no final das contas, o nosso mundo, a nossa obra?
Dai o perigo de se pensar muito em alguem, principalmente se temos poucas informaços sobre essa pessoa. Esse é o construir do objeto que nao é o real, é a imagem distorcida daquela pessoa que nunca vamos conhecer direito (pode ser que nem ela própria).
Mas se sabemos um pouquinho e vamos juntando elementos sobre ela; e organizando isso na nossa cabeça de acordo com a nossa lógica e nossos esquemas (os unicos parametros que temos sao os nossos),criamos um outro ser dentro de nos, que pode ser muito distinto do real. E os enganos, os mau-julgamentos, vão sendo ampliados. É como ir montando um edifício: só podemos botar uma peça nova sobre a que já estava lá (ou quebrar alguma parte pra que caiba outra, o que da muito mais trabalho). As coisas vao ficando mais sólidas, maiores, mais pesadas. Fica cada vez mais dificil desmontar o que ja foi construido.
Se, fortuitamente, podemos nos aproximar da pessoa real e esta se nos apresenta diferente do edificio que já montamos, montamos outro entao. Tentamos derrubar o anterior, ou deixar ele de lado, mas ja ficou aquela memoria da prévia construção, com nossos pre-conceitos e romantismos, com mais de nós mesmos impressos ali, como arquitetos das pessoas que preferimos ou conseguimos fazer, sendo as pessoas que somos.
E não é, no final das contas, o nosso mundo, a nossa obra?
terça-feira, 5 de agosto de 2008
preto e branco
sonhei que estava em preto e branco
como num filme, bem bonito, bem nítido
como aqueles atuais, cinzas pela intenção estética do diretor
eu era bonita, tinha os cabelos longos e lisos
estavam presos
um tom de pele vivo, um cinza vivo
os lábios coloridos
as sobrancelhas marcadas, simétricas
como das atrizes tão bonitas que meus diretores preferidos escolhem
eu era bela, forte e cinza
me olhava no espelho e desenhava a sobrancelha
que borrou
depois o filme era colorido mesmo
já tinha os traumas e elementos do último dia
não era tão bonito
talvez nem fosse depois
essa coisa de os sonhos não terem muita ordem
se tem, não importa, pois se não nos lembramos da ordem
é como se não tivesse... eu acho
acho que o sonho me traduz a vida
como quero
como num filme
não por isso uma vida pouco realista
mas uma vida bela
olhada do ângulo certo
com sorrisos focados obliquamente
e vermelhos tão vermelhos quanto verdes
tão cinzas quanto os cinzas
quero uma vida simétrica
com desfechos
com partes consistentes
ironias e contrastes
uma vida com intenção
dias que se sucedem e retornam
a velhice antes da juventude
quero viver todos os tempos
saber da rua onde ainda não andei
deixar o amor pelo amor
sofrer antes da dor
quero ver sem olhar
ser onisciente
provocar
dançar como se não houvesse música
caminhar com ritmo
respirar com os temas
suspirar com o que passou despercebido
se já velha assim, eu sei do irremediável
volto pra meus vinteepoucosanos
já sei das perdas
da morte
da doença
dos amigos e amores
dos sangues tão sangues como os vinhos
dos partos como anúncios das partidas
dos rios que correm tão verdes como os cinzas
tão cinzas como os rios
a terra tão terra quanto a folha
a neve tão branca quanto ainda não fora vista
fiquei satisfeita com
as manhãs
as noites
e o correr das horas entre as horas
volto e passo tudo em negativos
em preto e branco
e cinza
sem monotonia
cinza de contrastes
realces
cinza vivo
escuro
branco
as horas entre as horas
dentro de mim
agora
as horas entre as horas
todos os dias
entre meu olhares
vivendo antes
por segundos antes planejados
olhando a procura
do especial
na velocidade certa
em sequencias ideais
eu, em preto e branco
vivo
expectador
de mim
como num filme, bem bonito, bem nítido
como aqueles atuais, cinzas pela intenção estética do diretor
eu era bonita, tinha os cabelos longos e lisos
estavam presos
um tom de pele vivo, um cinza vivo
os lábios coloridos
as sobrancelhas marcadas, simétricas
como das atrizes tão bonitas que meus diretores preferidos escolhem
eu era bela, forte e cinza
me olhava no espelho e desenhava a sobrancelha
que borrou
depois o filme era colorido mesmo
já tinha os traumas e elementos do último dia
não era tão bonito
talvez nem fosse depois
essa coisa de os sonhos não terem muita ordem
se tem, não importa, pois se não nos lembramos da ordem
é como se não tivesse... eu acho
acho que o sonho me traduz a vida
como quero
como num filme
não por isso uma vida pouco realista
mas uma vida bela
olhada do ângulo certo
com sorrisos focados obliquamente
e vermelhos tão vermelhos quanto verdes
tão cinzas quanto os cinzas
quero uma vida simétrica
com desfechos
com partes consistentes
ironias e contrastes
uma vida com intenção
dias que se sucedem e retornam
a velhice antes da juventude
quero viver todos os tempos
saber da rua onde ainda não andei
deixar o amor pelo amor
sofrer antes da dor
quero ver sem olhar
ser onisciente
provocar
dançar como se não houvesse música
caminhar com ritmo
respirar com os temas
suspirar com o que passou despercebido
se já velha assim, eu sei do irremediável
volto pra meus vinteepoucosanos
já sei das perdas
da morte
da doença
dos amigos e amores
dos sangues tão sangues como os vinhos
dos partos como anúncios das partidas
dos rios que correm tão verdes como os cinzas
tão cinzas como os rios
a terra tão terra quanto a folha
a neve tão branca quanto ainda não fora vista
fiquei satisfeita com
as manhãs
as noites
e o correr das horas entre as horas
volto e passo tudo em negativos
em preto e branco
e cinza
sem monotonia
cinza de contrastes
realces
cinza vivo
escuro
branco
as horas entre as horas
dentro de mim
agora
as horas entre as horas
todos os dias
entre meu olhares
vivendo antes
por segundos antes planejados
olhando a procura
do especial
na velocidade certa
em sequencias ideais
eu, em preto e branco
vivo
expectador
de mim
quarta-feira, 30 de julho de 2008
fragmento (reencontro)
passaram-se muitas vidas, muitos dias, muitas pessoas depois daquela
as lembranças de todos ficaram impressas
cicatrizadas
ou não
a vida seguiu
as lembranças vinham sempre a tona,
como num filme em que só eram mostradas as partes mais bonitas e relevantes,
as cicatrizes maiores, as feridas abertas
ou os brilhos nos olhos e nos cabelos que alguem beijou ou afagou
como num filme que narrava os momentos auto-conscientes
cercados de sentidos
sinestesias
A trilha sonora que tocava
os vapores azuis das ruas
sob céus floridos
tremidos a cada passo
que a música fazia nos pés
um amor
outro amor
profissões não sabidas,
línguas não faladas
livros não lidos
o porvir sempre permeando o presente
acalentando as insatisfações
as ânsias
por mais amor
mais ofício
Ser útil
como dever cívico
humano e
questionável
um amor
o sexto amor, talvez
então foi levada a algum país querido
desconhecido
Esta vida!
Não é mesmo que viajou?
Não aconteceu mesmo o que lhe dera medo
e felicidade antecipada?
Estava ali, diante daquele futuro que fora incerto...
Agora era fato
O tempo lhe trouxera de volta o quarto, talvez quinto amor
Agora talvez pudesse ocupar outra posição
Uma ironia
estava ali,
diante dele
distinta dele
se lembrou dos seus pés sob os ritmos
das mãos
suores
vozes
danças
se lembrou dos poemas escritos
dos enviados, do seu desnudar, revelar
do seu ego
dos recônditos orgulhos
e insatisfações escritas
e entregues
se lembrou dos poemas ditos, sem rima
em forma de dentes e desvios de olhar
Uma timidez tão bonita
interiorana
provinciana
uma timidez tão tola
Que ironia!
não era mais provinciana
estava ali! tão longe de casa
agora era cosmopolita
tinha sido levada a outro país pra falar do seu trabalho
Com mãos trêmulas
o peito vibrante
caminha
dissimulando que o chão lhe dança sob os pés
sorri
ao ensaio de dizer...
mas ele também sorri:
_Obrigado pelo poema.
as lembranças de todos ficaram impressas
cicatrizadas
ou não
a vida seguiu
as lembranças vinham sempre a tona,
como num filme em que só eram mostradas as partes mais bonitas e relevantes,
as cicatrizes maiores, as feridas abertas
ou os brilhos nos olhos e nos cabelos que alguem beijou ou afagou
como num filme que narrava os momentos auto-conscientes
cercados de sentidos
sinestesias
A trilha sonora que tocava
os vapores azuis das ruas
sob céus floridos
tremidos a cada passo
que a música fazia nos pés
um amor
outro amor
profissões não sabidas,
línguas não faladas
livros não lidos
o porvir sempre permeando o presente
acalentando as insatisfações
as ânsias
por mais amor
mais ofício
Ser útil
como dever cívico
humano e
questionável
um amor
o sexto amor, talvez
então foi levada a algum país querido
desconhecido
Esta vida!
Não é mesmo que viajou?
Não aconteceu mesmo o que lhe dera medo
e felicidade antecipada?
Estava ali, diante daquele futuro que fora incerto...
Agora era fato
O tempo lhe trouxera de volta o quarto, talvez quinto amor
Agora talvez pudesse ocupar outra posição
Uma ironia
estava ali,
diante dele
distinta dele
se lembrou dos seus pés sob os ritmos
das mãos
suores
vozes
danças
se lembrou dos poemas escritos
dos enviados, do seu desnudar, revelar
do seu ego
dos recônditos orgulhos
e insatisfações escritas
e entregues
se lembrou dos poemas ditos, sem rima
em forma de dentes e desvios de olhar
Uma timidez tão bonita
interiorana
provinciana
uma timidez tão tola
Que ironia!
não era mais provinciana
estava ali! tão longe de casa
agora era cosmopolita
tinha sido levada a outro país pra falar do seu trabalho
Com mãos trêmulas
o peito vibrante
caminha
dissimulando que o chão lhe dança sob os pés
sorri
ao ensaio de dizer...
mas ele também sorri:
_Obrigado pelo poema.
voltando...
li a ultima postagem e pensei: será que é realmente mais honesta a comunicação sem filtros? ssem o ponderar que temos na escrita? talvez sim... ela tem menos filtros, ela pode ser menos precisa... não sei...ela revela mais fácil... é isso, acho que ela revela mais fácil o que vai por dentro, mesmo tentando o contrário...
Uma conversa em tempo real é cheia de surpresas de reações e de retornos e quando nós somos pegos de surpresa, a esponteneidade responde... podemos ser muito contidos..podemos falar besteira, ser artificiais, principalmente quando nos preocupamos.. a outra pessoa não necessariamente vai entender... mas aquele ali é um lado seu sim... é a expressão do seu lado mascarado e desengonsado...
estou aqui, denovo, dizer o que me vem a mente..sem preparar muito, sem podar muito...
cheia de três pontos...talvez sejam a expressão de alguma reflexão que tenho, sim, antes de dizer...
Uma conversa em tempo real é cheia de surpresas de reações e de retornos e quando nós somos pegos de surpresa, a esponteneidade responde... podemos ser muito contidos..podemos falar besteira, ser artificiais, principalmente quando nos preocupamos.. a outra pessoa não necessariamente vai entender... mas aquele ali é um lado seu sim... é a expressão do seu lado mascarado e desengonsado...
estou aqui, denovo, dizer o que me vem a mente..sem preparar muito, sem podar muito...
cheia de três pontos...talvez sejam a expressão de alguma reflexão que tenho, sim, antes de dizer...
eu conforme
Isto ainda é um journal, um diário. Eu tenho uma certa vergonha de escrever prosaicamente, de não selecionar, não dar cara de poema.
Acho que é como a mesma vergonha que sinto de sempre dizer o que já foi dito, do clichê. Essa busca pela originalidade. Pra quê?
Mas existem tantas constatações que faço a meu modo e que por algum motivo eu sinto que deveria guardar. Eu sinto muita vontade de sempre me explicar, sempre precisar as coisas. E indissociavelmente uma frustração, pois sei que as palavras não são suficiente pra dizer tudo o que eu penso.
Se o óbvio não fosse dito, o que seria?
As palavras que eu tanto procuram parecem me afogar, tanto que chego a pensar que seria bom, por pelo menos algum momento viver num mundo sem palavras, só me comunicar de outros modos. Sim, ainda me comunicar, mas não pensar de modo organizadao e adequado as palavras, não ter um simbolo para cada sensação. Acho que isso seria próximo de instinto. Não sei. Vou postar isto. Quero me mostrar mais nua, menos selecionada. Não que eu tenha orgulho de tudo o que já postei e nem que eu ache que são fiéis como representação de mim.
Quando releio, não gosto. Acho que é isso. Queria ser mais especial do que retrato com essas linhas mais espontâneas.
fiquei pensando no que disseram sobre a melhor "comunicação" pela escrita...Mentira! melhor apresentação! mostrar o escrito não é comunicar-se honestamente. Não como eu vi fulano fazer. Mas tento agora ser honesta e espero que meus dedos sejam rápidos o suficiente pra captar meus pensamentos, e que isso ocorra em horas sinceras, honestas...nada! em todas as horas, que captem todas de mim...
tenho que ir...
Acho que é como a mesma vergonha que sinto de sempre dizer o que já foi dito, do clichê. Essa busca pela originalidade. Pra quê?
Mas existem tantas constatações que faço a meu modo e que por algum motivo eu sinto que deveria guardar. Eu sinto muita vontade de sempre me explicar, sempre precisar as coisas. E indissociavelmente uma frustração, pois sei que as palavras não são suficiente pra dizer tudo o que eu penso.
Se o óbvio não fosse dito, o que seria?
As palavras que eu tanto procuram parecem me afogar, tanto que chego a pensar que seria bom, por pelo menos algum momento viver num mundo sem palavras, só me comunicar de outros modos. Sim, ainda me comunicar, mas não pensar de modo organizadao e adequado as palavras, não ter um simbolo para cada sensação. Acho que isso seria próximo de instinto. Não sei. Vou postar isto. Quero me mostrar mais nua, menos selecionada. Não que eu tenha orgulho de tudo o que já postei e nem que eu ache que são fiéis como representação de mim.
Quando releio, não gosto. Acho que é isso. Queria ser mais especial do que retrato com essas linhas mais espontâneas.
fiquei pensando no que disseram sobre a melhor "comunicação" pela escrita...Mentira! melhor apresentação! mostrar o escrito não é comunicar-se honestamente. Não como eu vi fulano fazer. Mas tento agora ser honesta e espero que meus dedos sejam rápidos o suficiente pra captar meus pensamentos, e que isso ocorra em horas sinceras, honestas...nada! em todas as horas, que captem todas de mim...
tenho que ir...
sexta-feira, 11 de julho de 2008
tempo
Eu sinto agora
Toda a dor do universo
Que cabe em uma vida
E todas as dores de todas as vidas que se ligaram a minha
Todas as tristezas dos meus contemporâneos
Dos meus conterrâneos
Que um dia serão
Com eu
Todos mortos
Eu sinto a dor da morte de todas as relações
De todas as risadas
As conversas
Os recalques
As mentiras
Eu sinto a dor de todos os amores frustrados
Em meio dos meus tantos amigos que se amaram
E sem amargaram e se tornaram símbolos e deixaram de ser as pessoas que eram
Para tornarem-se traumas, dores, invejas, sarcasmos
Eu sinto a alegria daqueles momentos, eternamente
Eu sinto os meus pais, os pais dos meus amigos
Sorrindo, recebendo a jovialidade
Emprestando os novos tempos
Eu os sinto morrer como aviso do que nos espera
Eu os sinto chorar de alegria da semente plantada
Tão fresca e acessível
A hora do jantar
Eu os sinto falar
E respondo
E nos amamos
Pois nos amamos a nos mesmos
E amamos o nosso tempo
As salas
Os bares
Os lugares frios e as estações
E as mudanças
O comentar da vida alheia
O desdém e a preocupação
Eu sinto a minha vida
Tão distinta disso
Da minha cidade
Como o cais de pedra
O refugio
Quase-eterno
Do eu que me habita quase inconscientemente
Obrigada
Eu agradeço a vida e aos tempos
Ao acaso
Pois eu vivi estas pessoas
E elas me viveram
E assim nos fizemos
Entrelaçados,
Neste mundo incerto
Talvez finito
Talvez cruelmente finito
Em que uma vez é única
Eu sinto a dor de viver uma vida única
E me lembro das outras vidas
Que são tão como a minha
E que nunca serão intimas de mim, como a minha
Eu sinto a vergonha por elas
O orgulho pela minha
O amor
A dor
O medo de todos os sentimentos se traduzirem em instintos
O medo do não-especial
Do não-etereo
Do não eterno
Então amo, que é o que me resta, como eu prefiro ver
Toda a dor do universo
Que cabe em uma vida
E todas as dores de todas as vidas que se ligaram a minha
Todas as tristezas dos meus contemporâneos
Dos meus conterrâneos
Que um dia serão
Com eu
Todos mortos
Eu sinto a dor da morte de todas as relações
De todas as risadas
As conversas
Os recalques
As mentiras
Eu sinto a dor de todos os amores frustrados
Em meio dos meus tantos amigos que se amaram
E sem amargaram e se tornaram símbolos e deixaram de ser as pessoas que eram
Para tornarem-se traumas, dores, invejas, sarcasmos
Eu sinto a alegria daqueles momentos, eternamente
Eu sinto os meus pais, os pais dos meus amigos
Sorrindo, recebendo a jovialidade
Emprestando os novos tempos
Eu os sinto morrer como aviso do que nos espera
Eu os sinto chorar de alegria da semente plantada
Tão fresca e acessível
A hora do jantar
Eu os sinto falar
E respondo
E nos amamos
Pois nos amamos a nos mesmos
E amamos o nosso tempo
As salas
Os bares
Os lugares frios e as estações
E as mudanças
O comentar da vida alheia
O desdém e a preocupação
Eu sinto a minha vida
Tão distinta disso
Da minha cidade
Como o cais de pedra
O refugio
Quase-eterno
Do eu que me habita quase inconscientemente
Obrigada
Eu agradeço a vida e aos tempos
Ao acaso
Pois eu vivi estas pessoas
E elas me viveram
E assim nos fizemos
Entrelaçados,
Neste mundo incerto
Talvez finito
Talvez cruelmente finito
Em que uma vez é única
Eu sinto a dor de viver uma vida única
E me lembro das outras vidas
Que são tão como a minha
E que nunca serão intimas de mim, como a minha
Eu sinto a vergonha por elas
O orgulho pela minha
O amor
A dor
O medo de todos os sentimentos se traduzirem em instintos
O medo do não-especial
Do não-etereo
Do não eterno
Então amo, que é o que me resta, como eu prefiro ver
domingo, 22 de junho de 2008
Ode a um amor que não nasceu
As minhas maos carregam
ainda asperas
a memoria do trabalho
O construir e o talhar
em madeira e terra
dos nossos filhos
de tão frouxo enlace
As minhas maos carregam
a lembranca do toque
que só foi sonhado
Entre a planta e o desenho
se guardam sublimando
e escrevem com luvas emprestadas
as reminiscencias dos outros dias
De terra vermelha
e água preta
esculpiram novo dono
esculpiram o sol
rodante
entre azuis imaginarios
e facas do vento cortante
Afagaram os cabelos
todos os fios
um a um
Arrancaram pela raiz
A flor passada e seca
Debruçaram cheiros verdes e terrestres
entre os sorrisos e os olhos fixos
--
Caminho pelas vias diárias e incertas
hesito
constato
Há uma força pra viver e constatar
sempre
Procuro.
Admitamos!
Não basta ser nem olhos nem mãos
O necessário
O frívolo
Não basta toda a contorçao da estetica,
como um ser com vontade propria,
para se tornar orgânica
Não basta querer o que é possivel
amarrado às cadeias do destino por vieses deterministicos
A paisagem nao é muda
O que os olhos dizem nao sao modos de comunicacao
Os campos e as ruas pretas
me gritam que os olhos nao dizem nada
Os olhos olham!
Os olhos claros e imprecisos
subversivos
resignados ao codigo
Os olhos olham
As maos sentem
Os olhos sentem
As maos sentem por muito tempo
As maos asperas
cegas
que tateam as superficies dos convívios sociais
e das heranças infantis
Os olhos constatam o padrao paterno
que se repete nos desejos
ou nos medos
As maos tampam o que ainda é oprimido
ainda depois de tantos meses
de regras submetidas
subservientes
--
Quero criar laços
ou nós
entre as vidas que hoje
nao se distinguem do meu ser
eu carne, eu folha
eu terra e sol
e folha
que volta a ser terra
Quero criar raízes
longas
fortes
que como mãos sinistras
seguram os pés do que será
um dia
terra a meu lado
Quero ser flores e pólen
que se espalha pequeno e sutil
e preenche todo o universo
habitado das memórias
dos cheiros frutais das minhas ruas
factíveis e certas
Quero ser flor
e fruta
o prazer doce
o mar
a lágrima
--
Vontade de ser
integrar-se
diluir-se
ser
ser
Ser com aquele alguém
que muda e não muda
que é sempre objeto de desejo
que é só tocado em sonhos
beijado e chorado
nas festas de despedidas
com as intermitencias
imanentes
de todos os objetos de amor
os símbolos
os rostos
as máscaras
O engano de felicitar-se
na entorpecida conclusão
que não há de se diluir em nada
nada constatar
senao que duas maos asperas podem se dar
e ser tudo o que basta
ainda asperas
a memoria do trabalho
O construir e o talhar
em madeira e terra
dos nossos filhos
de tão frouxo enlace
As minhas maos carregam
a lembranca do toque
que só foi sonhado
Entre a planta e o desenho
se guardam sublimando
e escrevem com luvas emprestadas
as reminiscencias dos outros dias
De terra vermelha
e água preta
esculpiram novo dono
esculpiram o sol
rodante
entre azuis imaginarios
e facas do vento cortante
Afagaram os cabelos
todos os fios
um a um
Arrancaram pela raiz
A flor passada e seca
Debruçaram cheiros verdes e terrestres
entre os sorrisos e os olhos fixos
--
Caminho pelas vias diárias e incertas
hesito
constato
Há uma força pra viver e constatar
sempre
Procuro.
Admitamos!
Não basta ser nem olhos nem mãos
O necessário
O frívolo
Não basta toda a contorçao da estetica,
como um ser com vontade propria,
para se tornar orgânica
Não basta querer o que é possivel
amarrado às cadeias do destino por vieses deterministicos
A paisagem nao é muda
O que os olhos dizem nao sao modos de comunicacao
Os campos e as ruas pretas
me gritam que os olhos nao dizem nada
Os olhos olham!
Os olhos claros e imprecisos
subversivos
resignados ao codigo
Os olhos olham
As maos sentem
Os olhos sentem
As maos sentem por muito tempo
As maos asperas
cegas
que tateam as superficies dos convívios sociais
e das heranças infantis
Os olhos constatam o padrao paterno
que se repete nos desejos
ou nos medos
As maos tampam o que ainda é oprimido
ainda depois de tantos meses
de regras submetidas
subservientes
--
Quero criar laços
ou nós
entre as vidas que hoje
nao se distinguem do meu ser
eu carne, eu folha
eu terra e sol
e folha
que volta a ser terra
Quero criar raízes
longas
fortes
que como mãos sinistras
seguram os pés do que será
um dia
terra a meu lado
Quero ser flores e pólen
que se espalha pequeno e sutil
e preenche todo o universo
habitado das memórias
dos cheiros frutais das minhas ruas
factíveis e certas
Quero ser flor
e fruta
o prazer doce
o mar
a lágrima
--
Vontade de ser
integrar-se
diluir-se
ser
ser
Ser com aquele alguém
que muda e não muda
que é sempre objeto de desejo
que é só tocado em sonhos
beijado e chorado
nas festas de despedidas
com as intermitencias
imanentes
de todos os objetos de amor
os símbolos
os rostos
as máscaras
O engano de felicitar-se
na entorpecida conclusão
que não há de se diluir em nada
nada constatar
senao que duas maos asperas podem se dar
e ser tudo o que basta
segunda-feira, 16 de junho de 2008
re-velação
É bom estar entre amigos
Numa noite amena
fito a fogueira que crepita
desnecessariamente
Penso nos povos antigos
diante desta coisa tão viva e forte
que podemos fazer nascer,
mas que toma logo vida própria
Independente e agressivo
o fogo atrai e afasta
simultaneamente
Pensei no que era o fogo pra mim
a dois passos, um calor bom
guardado nas palmas das mãos
e nas pontas dos dedos
Se cresce e dança mais veloz
ao sabor de algum vento
confuso e sem direção
assusta e faz cócegas
traz um rubor doce
quente
feminino
Tentei ver através do laranja flamejante
quase opaco
qualquer revelação estampada
no horizonte azul escuro atrás
Aquele volume incerto e etéreo
poderia guardar algum segredo sobre mim
Quis ler no fogo ou na noite,
ou descobrir algo novo-velho
despercebido na memória
Quis que me contassem
porque eu deveria ser feliz
Sem argumento ou necessidade de convencer
Sem conclusão ou apelos a novas perspectivas
Quis que me contassem do ocorrido,
que eu não soubera por ser tola,
ou porque quiseram me reservar uma surpresa alegre
Um fato certo
a felicidade certa
gratuita.
Qualquer sentença
que se traduzisse em uma alegria inebriante
e de sorrisos incontroláveis
O fogo ardiloso e sabido
não me contou nada
Dançou como uma lívida bailarina
em noites quentes e alcoólicas de verão
O fogo seriamente se desviou,
com um sorriso paterno
austero e protetor
negando o prazer ao filho
Que não sei do que me cobre,
além desse frio tão ameno,
que não quer me contar
este segredo da minha graça
Como o pai que antecipa,
pois já sabe da dor que ja viveu,
o fogo, que aquece ou arde
pra me proteger do triste fim
não me contou da alegria
que pra ter, só precisaria saber
que eu já podia ser feliz e não sabia
e se soubesse
era depois sofrer
14/06/2008
Numa noite amena
fito a fogueira que crepita
desnecessariamente
Penso nos povos antigos
diante desta coisa tão viva e forte
que podemos fazer nascer,
mas que toma logo vida própria
Independente e agressivo
o fogo atrai e afasta
simultaneamente
Pensei no que era o fogo pra mim
a dois passos, um calor bom
guardado nas palmas das mãos
e nas pontas dos dedos
Se cresce e dança mais veloz
ao sabor de algum vento
confuso e sem direção
assusta e faz cócegas
traz um rubor doce
quente
feminino
Tentei ver através do laranja flamejante
quase opaco
qualquer revelação estampada
no horizonte azul escuro atrás
Aquele volume incerto e etéreo
poderia guardar algum segredo sobre mim
Quis ler no fogo ou na noite,
ou descobrir algo novo-velho
despercebido na memória
Quis que me contassem
porque eu deveria ser feliz
Sem argumento ou necessidade de convencer
Sem conclusão ou apelos a novas perspectivas
Quis que me contassem do ocorrido,
que eu não soubera por ser tola,
ou porque quiseram me reservar uma surpresa alegre
Um fato certo
a felicidade certa
gratuita.
Qualquer sentença
que se traduzisse em uma alegria inebriante
e de sorrisos incontroláveis
O fogo ardiloso e sabido
não me contou nada
Dançou como uma lívida bailarina
em noites quentes e alcoólicas de verão
O fogo seriamente se desviou,
com um sorriso paterno
austero e protetor
negando o prazer ao filho
Que não sei do que me cobre,
além desse frio tão ameno,
que não quer me contar
este segredo da minha graça
Como o pai que antecipa,
pois já sabe da dor que ja viveu,
o fogo, que aquece ou arde
pra me proteger do triste fim
não me contou da alegria
que pra ter, só precisaria saber
que eu já podia ser feliz e não sabia
e se soubesse
era depois sofrer
14/06/2008
quinta-feira, 12 de junho de 2008
lembranca
que alguem se lembrou de mim e me enviou este poema... que alguem que eu amo e que me ama leu este poema e se lembrou de mim... que isso e' motivo de calma, mais do que felicidade... que apesar da distancia eu tenho um amor bonito, que de um lugar bonito, se lembrou de mim.
«J'aime de vos longs yeux la lumière verdâtre,
Douce beauté, mais tout aujourd'hui m'est amer,
Et rien, ni votre amour, ni le boudoir, ni l'âtre,
Ne me vaut le soleil rayonnant sur la mer.
Et pourtant aimez-moi, tendre coeur! soyez mère,
Même pour un ingrat, même pour un méchant;
Amante ou soeur, soyez la douceur éphémère
D'un glorieux automne ou d'un soleil couchant.
Courte tâche! La tombe attend; elle est avide!
Ah! laissez-moi, mon front posé sur vos genoux,
Goûter, en regrettant l'été blanc et torride,
De l'arrière-saison le rayon jaune et doux!»
«J'aime de vos longs yeux la lumière verdâtre,
Douce beauté, mais tout aujourd'hui m'est amer,
Et rien, ni votre amour, ni le boudoir, ni l'âtre,
Ne me vaut le soleil rayonnant sur la mer.
Et pourtant aimez-moi, tendre coeur! soyez mère,
Même pour un ingrat, même pour un méchant;
Amante ou soeur, soyez la douceur éphémère
D'un glorieux automne ou d'un soleil couchant.
Courte tâche! La tombe attend; elle est avide!
Ah! laissez-moi, mon front posé sur vos genoux,
Goûter, en regrettant l'été blanc et torride,
De l'arrière-saison le rayon jaune et doux!»
terça-feira, 10 de junho de 2008
3 de junho de 2008
Me sento ao sol para escrever. Na verdade, preciso escrever e fazê-lo sem frio é melhor. É uma boa manhã da primeira semana de junho e o dia tão brilhante me faz sentir menos mal por usar blusa preta e calça marrom, muito sóbrios.
Não sei porque é preciso escrever. Isso tem uma motivação estética e reflete a fomra como prefiro ver o mundo e tentar receber todas as coisas que me cercam de modo que me proporcionem prazer. Antes disso, talvez alguma motivação orgânica, que eu não sei identificar e acho desnecessário, pois sendo ultimamente todas as coisas e os pensamentos orgânicos, ser orgânico não quer dizer nada.
À parte as questões sobre os porquês e todas as motivações, escrevo porque estou desolada. Pois ficou claro e incontestavelmente evidente a irreversibilidade da vida.
Certa vez eu li que uma vez é nunca: "Einmal ist Keinmal". Ainda não consigo realizar completamente o significado desta sentença. que se chego às vezes a achar que apreendi sua verdade, esta me escapa sem qualquer razão identificavel.
Uma vez é nunca. Uma vez é nunca! eu repior a fim de compreender. Avida não tem rascunho, ou é o prórpio rascunho que nunca logra arte-final -> uma vez é nunca.
E nunca e sempre são a mesma coisa, com um "sinal de menos" do lado de algum.
Nunca = -Sempre. Parece tolo quantificar assim, mas tomar simbolismos matemáticos nos conforta ao permitir ao cérebro fazer "pulos" tão rápidos entre objetos aparentemente tão distantes.
Uma vez é sempre. Uma vida é sempre. Hoje isso faz um sentido meio torto. estou aqui escrevendo porque estou desiludida com a irreversibilidadedos meus atos. que por mais que se conserte um vaso quebrado ou se plante uma árvore, a cicatriz é eterna. Os erros são eternos e o universo tem essa memória de todas as coisas ocorridas; simplesmente porque todo ato tem consequencia e desencadeia uma série de eventso que só são precisamente desta ou daquela forma por causa daquele fato ocorrido. Esta memória do mundo é o que faz de imperdoável todos os erros. E o que importam os acertos? Os acertos, os dias felizes, são para serem vividos. Posso até parar para constatar em meio ao belo dia azul o quão belo é este dia azul, mas de fato, o que me importa não é constatar_ o que tem de bom me basta.
E o que tenho de ruim e os erros que doem e não são digeridos, pela condição intrínseca de ruim que te o erro e a dor, isso eu paro para constatar e meditar, a fim de algum consolo que nunca parece tangível.
Então meditar e escrever é só algo de bom que eu posso fazer, o prazer que eu posso extrair das minhas lamentações. E sucumbindo ao poder das analogias, é como montar um mosaico com os cacos quebrados do vaso.
É um belo fim de manhã. O vendo é frio e o sol é quente. E os contrastes que me sucedem sobre a pele são muito agradáveis.
Tenho ainda perspectivas de outros dias agradáveis e de detalhes sonhados da vida que me planejo: amores que não pretendo que não sejam intermitentes, uma casa cheia de verdes e os pequenos prazeres do corpo e da mente em doses diárias, mesmo que nem sempre grandes.
continua depois...
Não sei porque é preciso escrever. Isso tem uma motivação estética e reflete a fomra como prefiro ver o mundo e tentar receber todas as coisas que me cercam de modo que me proporcionem prazer. Antes disso, talvez alguma motivação orgânica, que eu não sei identificar e acho desnecessário, pois sendo ultimamente todas as coisas e os pensamentos orgânicos, ser orgânico não quer dizer nada.
À parte as questões sobre os porquês e todas as motivações, escrevo porque estou desolada. Pois ficou claro e incontestavelmente evidente a irreversibilidade da vida.
Certa vez eu li que uma vez é nunca: "Einmal ist Keinmal". Ainda não consigo realizar completamente o significado desta sentença. que se chego às vezes a achar que apreendi sua verdade, esta me escapa sem qualquer razão identificavel.
Uma vez é nunca. Uma vez é nunca! eu repior a fim de compreender. Avida não tem rascunho, ou é o prórpio rascunho que nunca logra arte-final -> uma vez é nunca.
E nunca e sempre são a mesma coisa, com um "sinal de menos" do lado de algum.
Nunca = -Sempre. Parece tolo quantificar assim, mas tomar simbolismos matemáticos nos conforta ao permitir ao cérebro fazer "pulos" tão rápidos entre objetos aparentemente tão distantes.
Uma vez é sempre. Uma vida é sempre. Hoje isso faz um sentido meio torto. estou aqui escrevendo porque estou desiludida com a irreversibilidadedos meus atos. que por mais que se conserte um vaso quebrado ou se plante uma árvore, a cicatriz é eterna. Os erros são eternos e o universo tem essa memória de todas as coisas ocorridas; simplesmente porque todo ato tem consequencia e desencadeia uma série de eventso que só são precisamente desta ou daquela forma por causa daquele fato ocorrido. Esta memória do mundo é o que faz de imperdoável todos os erros. E o que importam os acertos? Os acertos, os dias felizes, são para serem vividos. Posso até parar para constatar em meio ao belo dia azul o quão belo é este dia azul, mas de fato, o que me importa não é constatar_ o que tem de bom me basta.
E o que tenho de ruim e os erros que doem e não são digeridos, pela condição intrínseca de ruim que te o erro e a dor, isso eu paro para constatar e meditar, a fim de algum consolo que nunca parece tangível.
Então meditar e escrever é só algo de bom que eu posso fazer, o prazer que eu posso extrair das minhas lamentações. E sucumbindo ao poder das analogias, é como montar um mosaico com os cacos quebrados do vaso.
É um belo fim de manhã. O vendo é frio e o sol é quente. E os contrastes que me sucedem sobre a pele são muito agradáveis.
Tenho ainda perspectivas de outros dias agradáveis e de detalhes sonhados da vida que me planejo: amores que não pretendo que não sejam intermitentes, uma casa cheia de verdes e os pequenos prazeres do corpo e da mente em doses diárias, mesmo que nem sempre grandes.
continua depois...
peut être
Vous voudriez au ciel bleu croire
Je le connais ce sentiment
J'y crois aussi moi par moments
Comme l'alouette au miroir
J'y crois parfois je vous l'avoue
A n'en pas croire mes oreilles
Ah je suis bien votre pareil
Ah je suis bien pareil à vous
A vous comme les grains de sable
Comme le sang toujours versé
Comme les doigts toujours blessés
Ah je suis bien votre semblable
Trecho do poema de Louis Aragon que eu conheci ouvindo Odile, em "Bande à part", cantar tão triste no metrô...
Vai ficar ao sorteio da memória o que eu quis ler ler neste poema, pois é bem sabido que a gente lê o que quer e não o que está escrito exatamente.
Acho que Louis Aragon teve uma intenção bem mais socialista. Eu leio e faço caber bem pra duas pessoas, que é o que me ocupa agora.
Uma tradução manquinha do meu francês manquinho:
Você quer crer no céu azul
eu conheço esse sentimento
eu também creio por momentos
como a cotovia ao espelho
Às vezes eu também creio, eu admito
Até não crer nos meus ouvidos
Ah eu sou bem do seu tipo
Ah eu sou muito parecido com você
Com você como os grãos de areia
Como o sangue sempre derramado
Como os dedos sempre machucados
Ah eu sou bem sua semelhante
Não soa tão bem como o original e eu não sou a favor de construir outro poema sobre esse... Essa coisa de "traduzir" poemas é muito dolorida, mas entendo que como não dá pra sempre ler as versões originais...
Je le connais ce sentiment
J'y crois aussi moi par moments
Comme l'alouette au miroir
J'y crois parfois je vous l'avoue
A n'en pas croire mes oreilles
Ah je suis bien votre pareil
Ah je suis bien pareil à vous
A vous comme les grains de sable
Comme le sang toujours versé
Comme les doigts toujours blessés
Ah je suis bien votre semblable
Trecho do poema de Louis Aragon que eu conheci ouvindo Odile, em "Bande à part", cantar tão triste no metrô...
Vai ficar ao sorteio da memória o que eu quis ler ler neste poema, pois é bem sabido que a gente lê o que quer e não o que está escrito exatamente.
Acho que Louis Aragon teve uma intenção bem mais socialista. Eu leio e faço caber bem pra duas pessoas, que é o que me ocupa agora.
Uma tradução manquinha do meu francês manquinho:
Você quer crer no céu azul
eu conheço esse sentimento
eu também creio por momentos
como a cotovia ao espelho
Às vezes eu também creio, eu admito
Até não crer nos meus ouvidos
Ah eu sou bem do seu tipo
Ah eu sou muito parecido com você
Com você como os grãos de areia
Como o sangue sempre derramado
Como os dedos sempre machucados
Ah eu sou bem sua semelhante
Não soa tão bem como o original e eu não sou a favor de construir outro poema sobre esse... Essa coisa de "traduzir" poemas é muito dolorida, mas entendo que como não dá pra sempre ler as versões originais...
terça-feira, 3 de junho de 2008
poema malogrado
Não vou jogar nada fora
Se escrever oito poemas ruins
os oito conservo
Pois ainda que mal escritos ou frouxos
ainda são todos parte de algum mim
que sou ou se perdeu por aí
Não vou jogar fora por amor próprio
que não tenho razão de ter
mas prefiro garantir
em meio a tantos incertos
ao menos este afeto
Não vou terminar o poema
porque se revela um grande desfecho
Não vou terminar o poema
porque qualquer outra palavra não lhe caiba
Vou escrever até me exaurirem as razões
até estar cansada e satisfeita,
mesmo a custa de uma verborragia descontrolada
Vou escrever porque eu posso
e me permito, em meio a tantas curvas indesejadas,
ir e voltar tantas voltas
oito voltas malogradas
que sigo e interrompo a minhas custas
e não à do poema.
Se escrever oito poemas ruins
os oito conservo
Pois ainda que mal escritos ou frouxos
ainda são todos parte de algum mim
que sou ou se perdeu por aí
Não vou jogar fora por amor próprio
que não tenho razão de ter
mas prefiro garantir
em meio a tantos incertos
ao menos este afeto
Não vou terminar o poema
porque se revela um grande desfecho
Não vou terminar o poema
porque qualquer outra palavra não lhe caiba
Vou escrever até me exaurirem as razões
até estar cansada e satisfeita,
mesmo a custa de uma verborragia descontrolada
Vou escrever porque eu posso
e me permito, em meio a tantas curvas indesejadas,
ir e voltar tantas voltas
oito voltas malogradas
que sigo e interrompo a minhas custas
e não à do poema.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Inadequação
Toma aqui o teu primeiro poema
E saiba que não é o primeiro primeiro poema
Saiba que não és um primeiro.
Já me armei
Desde os primeiros momentos
me armei contra ti
Que chegou muito grande e muito alto
Começo aqui a falar-te pela primeira vez _ e bem pode ser a última
E posso rir, como de outros escritos já ri,
deste pretendido poema proseado tolo.
Começo como antes
armada e já entregue a intenção de não-beleza_
que este não é um texto de inspiração,
mas de confissão e obrigação.
Até tardou a chegar.
Ficaste entre rios e sóis e muitas luas
comigo já tentando te rondar
E rondei e ri de mim mesma
e desprezei o meu olhar e o meu querer assim
fundado em coisas tão romanticas e ridicularizaveis.
Já nos falamos e nem notaste nada de graça em mim.
Eu que sempre tive a minha graça certa,
talvez em ambientes peculiares.
Mas eu notei e repudiei o que pareceu grande e forte em ti
E já critiquei a pobreza dos teus textos
e já tive sobressaltos diante dos teus textos,
tão bons pra um homem assim
que aparece do nada.
Alguma coisa agora me acelera,
adrenalina,
qualquer substancia que corre no sangue de uma femea
De um animal que corre e sublima
e se cansa e se entrega.
Talvez seja o desejo de entregar-se.
Dentre todos os porquês e as revoltas
diante do fardo que escolhemos carregar
o que é certo é que não basta saber porque.
e sabe lá se é possível
O que há é o fato.
E o fato é que há o desejo, por mais falível que isso seja
Será o teu poder?
A tua inteligência?
Que ainda mais agressivamente
não fizeste a menor questão de me mostrar?
E agora constato que não comecei com um poema
e nem posso terminar como
É só um lamento frouxo e fraco
De uma fraca
Como fui capaz de me permitir chegar aqui?
Com desprezo a todo resto
Sem palavra salva
busco o alívio
Será que é só a bruxa que me ronda?
Será o inevitável grito depois de tantos dias de solidão?
Eu queria o poema
Eu queria exibir pra mim mesma o bom poema que te fiz
E te vencer
E ter o que tu não tens
E ser mais do que és
Me sinto humana e muit mortal
Quando eu me esbarrar novamente nestas folhas...
qual terá sido teu destino?
Qual terá sido o nosso?
O que faz diferença para duas pessoas em uma vida?
Quero me mover no tempo 1 mês e depois 10 anos e estar lendo ISTO
AGORA
Quero que estas folhas não se percam pelo caminho
Que se desaparecessem agora
seria como a morte do dia em que escrevi estas palavras
Seria a morte deste estado de espírito
(e deste amor que so existe agora como este amor)
É isso
Neste texto, eu gosto de ti pra sempre_enquanto a informação existir
Enquanto houver a possibilidade de serem lidas
estas palavras sao eternas
E eu tenho medo e gosto e te quero
Quero te conhecer tanto que me confunda contigo
Quero te tornar banal, ter o teu corpo, todo
e o teu prazer, profundamente
O quanto de mim diz tudo isso?
cada letra me carrega integralmente como no meu momento em que foi escrita
Quem sabe ao final, ao subscrever nome e data como de costume, o meu "e" seja se outra que não "esta"
nem "esta"
O que me trouxe até aqui?
Vinho e internet
O que me trouxe até aqui?
uma vida
pais, cidades, religiões, universidades,
noites, comidas, pessoas, música, livros
o que me fez até aqui? o que eu fiz até aqui?
O que, ao final desta palavra, quero?
(Não consigo fazer nenhuma resposta caber em uma (ou mais) palavras)
21/04/08
E saiba que não é o primeiro primeiro poema
Saiba que não és um primeiro.
Já me armei
Desde os primeiros momentos
me armei contra ti
Que chegou muito grande e muito alto
Começo aqui a falar-te pela primeira vez _ e bem pode ser a última
E posso rir, como de outros escritos já ri,
deste pretendido poema proseado tolo.
Começo como antes
armada e já entregue a intenção de não-beleza_
que este não é um texto de inspiração,
mas de confissão e obrigação.
Até tardou a chegar.
Ficaste entre rios e sóis e muitas luas
comigo já tentando te rondar
E rondei e ri de mim mesma
e desprezei o meu olhar e o meu querer assim
fundado em coisas tão romanticas e ridicularizaveis.
Já nos falamos e nem notaste nada de graça em mim.
Eu que sempre tive a minha graça certa,
talvez em ambientes peculiares.
Mas eu notei e repudiei o que pareceu grande e forte em ti
E já critiquei a pobreza dos teus textos
e já tive sobressaltos diante dos teus textos,
tão bons pra um homem assim
que aparece do nada.
Alguma coisa agora me acelera,
adrenalina,
qualquer substancia que corre no sangue de uma femea
De um animal que corre e sublima
e se cansa e se entrega.
Talvez seja o desejo de entregar-se.
Dentre todos os porquês e as revoltas
diante do fardo que escolhemos carregar
o que é certo é que não basta saber porque.
e sabe lá se é possível
O que há é o fato.
E o fato é que há o desejo, por mais falível que isso seja
Será o teu poder?
A tua inteligência?
Que ainda mais agressivamente
não fizeste a menor questão de me mostrar?
E agora constato que não comecei com um poema
e nem posso terminar como
É só um lamento frouxo e fraco
De uma fraca
Como fui capaz de me permitir chegar aqui?
Com desprezo a todo resto
Sem palavra salva
busco o alívio
Será que é só a bruxa que me ronda?
Será o inevitável grito depois de tantos dias de solidão?
Eu queria o poema
Eu queria exibir pra mim mesma o bom poema que te fiz
E te vencer
E ter o que tu não tens
E ser mais do que és
Me sinto humana e muit mortal
Quando eu me esbarrar novamente nestas folhas...
qual terá sido teu destino?
Qual terá sido o nosso?
O que faz diferença para duas pessoas em uma vida?
Quero me mover no tempo 1 mês e depois 10 anos e estar lendo ISTO
AGORA
Quero que estas folhas não se percam pelo caminho
Que se desaparecessem agora
seria como a morte do dia em que escrevi estas palavras
Seria a morte deste estado de espírito
(e deste amor que so existe agora como este amor)
É isso
Neste texto, eu gosto de ti pra sempre_enquanto a informação existir
Enquanto houver a possibilidade de serem lidas
estas palavras sao eternas
E eu tenho medo e gosto e te quero
Quero te conhecer tanto que me confunda contigo
Quero te tornar banal, ter o teu corpo, todo
e o teu prazer, profundamente
O quanto de mim diz tudo isso?
cada letra me carrega integralmente como no meu momento em que foi escrita
Quem sabe ao final, ao subscrever nome e data como de costume, o meu "e" seja se outra que não "esta"
nem "esta"
O que me trouxe até aqui?
Vinho e internet
O que me trouxe até aqui?
uma vida
pais, cidades, religiões, universidades,
noites, comidas, pessoas, música, livros
o que me fez até aqui? o que eu fiz até aqui?
O que, ao final desta palavra, quero?
(Não consigo fazer nenhuma resposta caber em uma (ou mais) palavras)
21/04/08
segunda-feira, 21 de abril de 2008
fragmento
olhava ao redor, a sala, os móveis
com qualquer pensamento que não estava ali.
Abrem a porta do banho
e aquele cheiro entra.
Constatou:
era o que de mais vivo podia se ter.
Circulou o olhar pela estante,
tão cheia de arestas e livros, tão tridimensionalmente colorida,
mas aquele cheiro invadira a sala
como o que faltava para fazê-la real,
como uma outra dimensão, além das outras quatro.
"Isso sim"era vida.
As cores, a profundidade das coisas,
as linhas paralelas do piso que afinavam
próximas a parede, tudo podia estar numa tela,
numa ilusão de ótica qualquer.
Mas o cheiro,
mais do que o tempo, coisa tão cerebral,
o cheiro, sim,
era a dimensão essencial para a vida.
11(ou 10)/02/2008
com qualquer pensamento que não estava ali.
Abrem a porta do banho
e aquele cheiro entra.
Constatou:
era o que de mais vivo podia se ter.
Circulou o olhar pela estante,
tão cheia de arestas e livros, tão tridimensionalmente colorida,
mas aquele cheiro invadira a sala
como o que faltava para fazê-la real,
como uma outra dimensão, além das outras quatro.
"Isso sim"era vida.
As cores, a profundidade das coisas,
as linhas paralelas do piso que afinavam
próximas a parede, tudo podia estar numa tela,
numa ilusão de ótica qualquer.
Mas o cheiro,
mais do que o tempo, coisa tão cerebral,
o cheiro, sim,
era a dimensão essencial para a vida.
11(ou 10)/02/2008
pelo começo
Não é mais verão, mas o sentimento amarelo se arrasta. Mais do que por transição natural das estações, as paisagens se sobrepoem por uma inércia mental.
Paysage
Je veux, pour composer chastement mes églogues,
Coucher auprès du ciel, comme les astrologues,
Et, voisin des clochers, écouter en rêvant
Leurs hymnes solennels emportés par le vent.
Les deux mains au menton, du haut de ma mansarde,
Je verrai l'atelier qui chante et qui bavarde;
Les tuyaux, les clochers, ces mâts de la cité,
Et les grands ciels qui font rêver d'éternité.
II est doux, à travers les brumes, de voir naître
L'étoile dans l'azur, la lampe à la fenêtre,
Les fleuves de charbon monter au firmament
Et la lune verser son pâle enchantement.
Je verrai les printemps, les étés, les automnes;
Et quand viendra l'hiver aux neiges monotones,
Je fermerai partout portières et volets
Pour bâtir dans la nuit mes féeriques palais.
Alors je rêverai des horizons bleuâtres,
Des jardins, des jets d'eau pleurant dans les albâtres,
Des baisers, des oiseaux chantant soir et matin,
Et tout ce que l'Idylle a de plus enfantin.
L'émeute, tempêtant vainement à ma vitre,
Ne fera pas lever mon front de mon pupitre;
Car je serai plongé dans cette volupté
D'évoquer le Printemps avec ma volonté,
De tirer un soleil de mon coeur, et de faire
De mes pensers brûlants une tiède atmosphère.
Baudelaire
Paysage
Je veux, pour composer chastement mes églogues,
Coucher auprès du ciel, comme les astrologues,
Et, voisin des clochers, écouter en rêvant
Leurs hymnes solennels emportés par le vent.
Les deux mains au menton, du haut de ma mansarde,
Je verrai l'atelier qui chante et qui bavarde;
Les tuyaux, les clochers, ces mâts de la cité,
Et les grands ciels qui font rêver d'éternité.
II est doux, à travers les brumes, de voir naître
L'étoile dans l'azur, la lampe à la fenêtre,
Les fleuves de charbon monter au firmament
Et la lune verser son pâle enchantement.
Je verrai les printemps, les étés, les automnes;
Et quand viendra l'hiver aux neiges monotones,
Je fermerai partout portières et volets
Pour bâtir dans la nuit mes féeriques palais.
Alors je rêverai des horizons bleuâtres,
Des jardins, des jets d'eau pleurant dans les albâtres,
Des baisers, des oiseaux chantant soir et matin,
Et tout ce que l'Idylle a de plus enfantin.
L'émeute, tempêtant vainement à ma vitre,
Ne fera pas lever mon front de mon pupitre;
Car je serai plongé dans cette volupté
D'évoquer le Printemps avec ma volonté,
De tirer un soleil de mon coeur, et de faire
De mes pensers brûlants une tiède atmosphère.
Baudelaire
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