Acho que quando a gente pensa muito sobre alguma coisa, a ideia que fazemos sobre aquilo vai ficando mais sólida, mais arraigada ao nosso cerebro. Vamos fechando as pontas de todos os contornos sobre essa coisa, criando explicações, origens, fazendo ser consistente com alguma lógica aplicada aos dados que temos; que podem ser poucos.
Dai o perigo de se pensar muito em alguem, principalmente se temos poucas informaços sobre essa pessoa. Esse é o construir do objeto que nao é o real, é a imagem distorcida daquela pessoa que nunca vamos conhecer direito (pode ser que nem ela própria).
Mas se sabemos um pouquinho e vamos juntando elementos sobre ela; e organizando isso na nossa cabeça de acordo com a nossa lógica e nossos esquemas (os unicos parametros que temos sao os nossos),criamos um outro ser dentro de nos, que pode ser muito distinto do real. E os enganos, os mau-julgamentos, vão sendo ampliados. É como ir montando um edifício: só podemos botar uma peça nova sobre a que já estava lá (ou quebrar alguma parte pra que caiba outra, o que da muito mais trabalho). As coisas vao ficando mais sólidas, maiores, mais pesadas. Fica cada vez mais dificil desmontar o que ja foi construido.
Se, fortuitamente, podemos nos aproximar da pessoa real e esta se nos apresenta diferente do edificio que já montamos, montamos outro entao. Tentamos derrubar o anterior, ou deixar ele de lado, mas ja ficou aquela memoria da prévia construção, com nossos pre-conceitos e romantismos, com mais de nós mesmos impressos ali, como arquitetos das pessoas que preferimos ou conseguimos fazer, sendo as pessoas que somos.
E não é, no final das contas, o nosso mundo, a nossa obra?
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