domingo, 12 de dezembro de 2010

a minha rosa

quero dizer sem censura, com todos os cliches que rondam a minha memoria mais trivial
que voce tem os olhos de mel, o cheiro de flor e as maos fortes como raizes

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desvendo subitamente entre planos d'água os oceanos que refletes
e em onda que me suga os pés rodopiam no fundo vórtices de rosas

despede-se de mim a ressaca de yemanjá pra quem minha oferenda não vingou
rezei aconselhada por uma senhora que me levasse dos tornozelos os ouros
os adornos que me custaram muitos anos

levou-me o mar
com inveja o camafeu em que figurava imagem da senhora do meu coração

não há reza nem choro de sal
que arreie nem resolva este senhor
que de espumas e assombros
resolveu de mim roubar-te

minha senhora que nasceste já roubada
já como a própria água que desliza e contorna sem nunca ser a coisa em que se deita

deitaste 'a noite, certa vez, orvalho fresco
e carregou pro mar da outra o cheiro das rosas brancas que roubaste antes do sol

e deste entao
agradecida, nao há pra yemanja presente ou pranto meu que lhe faça desarrear

pois o mar e tu e ela, feitiço unico
são o pranto e a saudade de quem passa por miragem
de quem guarda na memória a menina mais bonita qu'emprestou odor a rosas a senhora d'aguas limpas

o seu presente de aniversário

por tristes ocorridos
nao acredito mais
que entregar o amor assim seja bom

é honesto
é bonito e puro
mas o entregar do amor nao faz o amor

mas agora que nao há mais tempo
eu apresento sinais do que chamaram
a sindrome dos ultimos dias

e te dou uma coisa bonita
com algum medo e algum egoismo ainda
e como nao seria de outra forma?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

a pergunta de hoje:

será que descobrirei que sou uma escrava das palavras?

não, não é essa a pergunta
a verdadeira pergunta é: será que descobrirei que nem todas as pessoas são escravas das palavras?

e então descobrirei que meus enganos são muito mais triviais do que eu supunha...

domingo, 5 de dezembro de 2010

(as flores que colhi tão bonitas
as te ofereço, meu amor)



acordamos eu e o sol
com os pés gotejados da manhã
busquei com amor e sonho
ramos para seus curtos cabelos
pros teus pelos de gato enfeitar

que cheiro de flor? das ervas úmidas?
a brisa que refresca meus pés de orvalho
traz um vapor da noite em que habitavas meu travesseiro

ó moça da pele de onça
que deita na minha cama infinita
e me espera fresca como as manhãs

faço sua cama de mato e flores
pra que acordes no seu ninho de fêmea
e mãe
tão natural que és


do meu sonho desperto

confusa

te vejo, luz do dia,
forte, a me esperar
com flores que pra mim colheste
tão bonitas como as que colhi
pra ti na manhã em que eu dormia

trecho

ventou por entre as folhas
um vento constante e igual
a árvore frouxa ficou parada
inclinada
como assim fosse sempre
curvada pelo tempo e pelo sol
(a frouxa arvore se inclinou como cansada)

cessada a tempestade restou
um mundo de cores naturais
em vigília

o sol se foi há oito anos
e a terra sonolenta
nao se dispoe no leito

vaga à hora vaga


a luz branda dos predios
os faz vistos a muito custo
e uma manca paisagem
que não resta nem se entrega
pesa sobre o espaço

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

bonança

uma paz repousa no ar
depois de dias de tormenta
um céu branco iluminado
uma tranquilidade no coracao

a bonança
calma como eu
antes de por entre nuvens despontar
um céu azul e um sol amarelo
(aqueles sóis violentos)

o céu branco me deixa feliz
e sonolenta
eu agradeço