sexta-feira, 7 de outubro de 2011

o primeiro dia sem sol

é outono
despregada a pagina do calendário, trataram as folhas de amarelar
o mundo ficou frouxo,
desde que o sol se escondeu tudo manca, tudo falha
não o vento

a minha xicara de cha
muito quente
eu espero

os meus braços tremulos sobre a mesa
fazem balancar a superficie
e os vapores dançam

me sinto normal

duas semanas atras os dias eram mesmo azuis
e eu era um pouco louca
agora eu sou normal
faz frio e eu bebo chá

nalgum lugar alguem colheu as flores de camila
pra que eu me sentisse normal
nalgum lugar as flores ficaram guardadas
esperando
esperando a participar do meu ritual de reclusao de dias frios e normais

nao sairei as ruas
farei das minhas proximas horas a mesa do computador
as horas de uma pessoa qualquer

me olhem pela janela
olhem esta moça de rosto cansado
e possam pensar que ela adoça seu chá
que ela o tem como companhia
que ela toma seu chá só
que tem amigos afora
que pode ser uma moça só
só uma moça

no primeiro dia do outono as folhas ainda nao sabiam cair
nem ninguem por aqui
as pessoas celebravam qualquer coisa nas ruas
eu andava feliz e rondando aquele homem

é verdade o que aconteceu
no primeiro dia de outono eu sabia que o teria comigo
como vidente
comprei dois maços de flores
as paredes do meu quarto ja tinham as cores de sol, de calma e
de leite
a primeira noite de leite



entao alguem tratou de avisar que, sim! o outono chegou
tive que acender as luzes
tive que fechar as cortinas
e guardar o ultimo dia do meu verão

mas saímos a varanda para fumar
o vento ventou
o céu ficou cinza
e choveu

as flores que comprei
baixaram uma a uma as suas coroas
a água turvou
vieram os insetos

como castigo as botei do lado de fora
com medo do que me diziam

o vento ventou
choveu ainda mais
fiz-me um chá de flores brancas
de flores secas de flores velhas
pra me confortar

as flores que comprei
la fora
ja estavam mais mortas

cerrei as portas




o meu quarto esta frio
meu rosto em chamas

não ha vizinhos nas janelas fechadas
ninguem que pense que por esses vidros
se esconde reclusa
uma moça normal
de tanto esperar, esfriou-se seu chá de camila
no seu primeiro dia sem sol

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

musa

penteei os meus cabelos
fi-los longos
até os pes

nos espelhos que recortam minhas memorias
estao as musas envelhecidas dos outros
somos mulheres de olhares parados e fundos
seguramos nossos cabelos ao lado do peito
e esperamos
com mil tempestades contidas

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

talvez seja dentro de mim que more a diferenca entre isso e aquilo
e seja dentro de mim que a minha infancia seja distinta da minha velhice
e as manhas nao sao noites
e a minha casa esta a kilometros e horas daqui

talvez seja so dentro de mim que quem morreu esta morto
e a visita a outras cidades ja nao ha mais
e so o que existe seja o que eu nunca posso tocar

mas nos meus sonhos, a contradicao
tudo eh junto
e este parece o lugar natural de ser
nos meus sonhos, se eh

la falo com mortos
e estou em todos os lugares

os meus sonhos, uma realidade mais forte
do que me parece ser existir

terça-feira, 27 de setembro de 2011

somehow he has a strange feeling

My man that is not mine said that he "somehow has a strange feeling"

"Somehow I have a strange feeling"

Pode ser uma coisa muito bonita de se dizer
pois os sentimentos estranhos, assim sendo,
especiais

Partiu para outra parte com outra pessoa
E tem um sentimento estranho


Eu tenho um sentimento estranho por ti
algum amor
eu te amo e voce não me importa
e me faz falta e nao te conheco

poderia esquecer-me de ti como se nunca tivesse te visto
poderia esquece-lo como me esquecerei da alemanha
como nunca mais porei os meus pés nessa cidade
como heidelberg sera como um sonho


e nunca mais verei todas as pessoas que conheci
as lembranças de agora seram como outros sonhos que me visitam de quando em quando
vindos de algum lugar incerto

o meu amor alemão
sinto que vou esquece-lo
e de como me sorriu e me velou a noite toda
e de como me amou tao facil
sinto que vou esquer que me disse que parece que se apaixonou
e as suas mãos, Thomas.
e o seu cheiro
e o seu cheiro
e o seu cheiro,
Thomas


eu tenho um sentimento estranho
e um medo

e alem do medo de que nao me ames mais
tenho medo de nao te amar e nunca ser capaz

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

quando eu for velha
minhas palavras farão maior correspondencia
entre o que sou e o que penso

quando eu for velha
em uma historia
tudo disso que engoli por esses anos
sera lindamente vomitado
esta decidido qe agora faco o que quero
digo o que quero
sinto
sou o espelho invertido de mim mesma
a partir de agora

cansada de esperar
cansada de olhar ao redor e esperar que as coisas sejam como
quero
sou covarde
sou covarde porque me acho forte diante da covarida alheia e
me calo
para nao assustar
nao serei mais covarde
que me temam
que me desgostem
que nunca me entendam

me resta na boca o gosto amargo dessas horas que comi
alguns goles de um vinho caro para desfazer
disfarçar
desaparecer

ah
como odeio as pessoas
e por odia-las nao as digo nada
e por ser fraca ainda as quero cerca de mim
mas agors...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

o amor

me sobram ressentimentos dessa palavra
e de todos os casais que se dao a mao e acham que serao felizes sem contar do tempo

o homem que eu amo

pode ser que eu queira alguem porque é assim que deve ser
que nas minhas entranhas estejam escritos os comandos que dizem
entregue-se a esta criatura

pode ser que eu olhe em volta
e nao veja nada
mas ainda assim perceba que existe algo dentro e fora
alguma distinçao
e me perceba
e perceba

e procure, nas minhas malditas veias cristãs
algum chão

sem chão
pode ser que eu olhe em volta para me distrair na queda

sublimação

ainda nao sei quem me espera em seus sonhos
nao saberei
se em meus sonhos prevejo aquele que me receberá
ou aquela
e seremos juntos

eu sigo assim

numa ansia e num vazio
sempre entre extremos
de nao querer nada ou de seguir instintos
e sublimar tudo em palavras ou notas de outros

as vezes acho que ter mais alguem que pensa sobre isso
acabaria de vez com toda a ausencia de fim
somos dois e dividimos este vazio
voce canta
e eu danço
essas notas arbitrarias

terça-feira, 30 de agosto de 2011

my window

in my mind, I record movies
a sudden leave falls from a tree which branches I see not
as a draft pass by, golden-green reflects from the dancing
falling leave

a quiet ballet starts
carefully comes,
one
by
one,
the other leaves
spinning and dancing cheerfully
as they fall by the trees feet

then comes a fast wind announcing:
open the clouds,
a golden sun enters

waves the tree

with sun and wind
a thousand trembling leaves
dizzily vibrates through day light

(maybe time's wisper
maybe seasons brath

what comes and goes
among stars and earth)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

o amor que tu me deste
eu neguei
não amei quem não me amou
não somei mais uma dor
tu me deste o coração
e agora eu levo a culpa
de ser só por dizer não

A noite. Esta tela a minha frente e qualquer coisa que distraia.

perfume dela

Ela voltou. Depois de 22 dias fora. Entrei na sala depois das escadas estreitas e escuras. Chegando ao porão.
Um porão bonito e com janelas, não como os brasileiros. Antes de sair de casa, após o banho, colocou um
pouquinho do seu perfume preferido. Esperei a reação: Our parfumed Mariele is back! Nada.
Fiquei 22 dias fora, viajando com mamãe e minha tia. Heidelberg, o lugar mais legal de todos, tão limpo, tão
calmo, tão alemão.
Os franceses são mesmo ótimos. Os franceses, as pessoas, todas elas podem ser tão profundas quanto se
queira especular. Em Quai de Jemmapes, me sentei a beira do Canal St. Martin e um homem tocava violão
com muito swing. Me perguntei se era brasileiro. Silenciou. De canto de olho vi que guardou seu violão, lamentei.
Qualquer interação seria não só poética e cinematográfica, mas muito desejada depois de dois
dias de silêncio. Ele pediu um cigarro e disse que seu tabaco tinha acabado. Ela deu sorrindo. Ele fumou e partiu.
Aurevoir.
Terminei o meu cigarro vendo as lanternas no canal. A gente acompanhada.
Doze horas mais tarde, ainda se sente o perfume.

sábado, 30 de julho de 2011

tudo o que me passa pela cabeça agora

coisas como as expressões que usamos, como "passar pela cabeça"
a lingua, um assunto recente na minha cabeça
um assunto velho na minha cabeça
mas com novas formas
a coisa de se expressar

eu, sempre pensando sobre tudo
eu com impetos de expressa myself in english
oder deutsch, das werde nie genug sein

eu, longe das pessoas que eu amo
perto das pessoas que eu amo...
juliana, joao (e como esses nomes sempre vieram juntos pra mim, mas agora, é tudo tao mutável...)
Daniel, meu novo amor que nunca será amor
Rafael, meu amor menos compreendido
ou totalmente compreendido e inaceitavel na sua condição

o brasil
a criatividade brasileira
o inverno alemao
o frio alemao
o frio no verao alemao
o brasil
o que é se identificar
tudo o que eu penso sobre a palavra identificar
tudo que eu penso sobre ser diferente
sobre diferir, sobre identidades
sobre acostumar-se
sobre amar
sobre hábitos e amar
sobre a silly thing que é dizer que o cerebro é inercial
sobre o que é pensar
sobre como eu queria saber muito mais sobre todos os misterios
e me parece, agora, parece que descobri, que pra mim não é sobre descobrir
´s sobre não saber
é sobre o "thrill", é sobre o não

sobre ser honesto, sobre as palavras fazerem sentido
sobre amor
sobre lembrança
e tudo o que eu sou, e pensar sobre mim mesma
e me definir
e ser tao cerebral
e querer tanto dizer pras pessoas toda a verdade
e achar que elas tambem querem o mesmo, ou que nem sabem

quinta-feira, 2 de junho de 2011

rainbow

one and another step
i walk over hipnotizing notes
and the wind trembles my skirt
with saxophone waves

tam tam tam tam

around me spins a black and white yard
and people dance
the coreography of being

tam tam tam tam

we dance in circles
and as the floor of time advances through
unkown directions
we build
an overseas tone of gray spiral
and repeat ourselfs

tam tam tam tam
sounds my colored step
i hear the music of miles davis
sad hipnotizing notes

we dance the ilusion of freedom
but all there is
is the great spiral of humans
in miscellaneous tons of black and gray

tam tam tam tam
when I drink the potion of truth
the spiral turns in to a rainbow
rainbow that brings the desired pot of happyness

everybody has his own potion
and his own fool's gold

tam tam tam tam
my gold now
is just the rainbow and the colors
tam tam tam tam
that slip and fall
in the grass of my dreamed sunny life

segunda-feira, 2 de maio de 2011

qual mar

Como vou depois de tanto andar
agora falo lingua nenhuma

me olhe nos olhos e veja o quanto de futuro nao temos
deixo que veja atraves dos meus olhos:
no fundo,
nada

pela fresta da minha porta vem um vento frio
sou uma auslander
incompreendida
nesta terra de pessoas iguais

os alemaes estao anestesiados
ainda
trataram de faze-lo depois de tudo

ou nao
ou sempre foi assim
como pode alguem morar em lugar tao frio?

congelados


meus pés frios nao entedem

minhas unhas doem

olhe cá nos meus olhos estrangeiros e veja como no fundo
nós somos mesmo muito diferentes

e é isso que importa
a diferença
mesmo que nascida em significado
da igualdade
o que diverge
um rio que se parte
ou dois rios que se encontram

de longe, sem se ver o rumo d'água
é tudo igual

pra depois salgar nas aguas do mar

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

aranha

há algo a ser percebido
de novo
juntei à mesa agora mais uns panos e papeis que antes pairavam no ar
sabemos que tudo repousa ali mesmo
mas em certos tecidos intangívies

veja, em minha mente é muito claro
planos e planos lânguidos de vida, historia e tempo, como uma teia multidimensional se tocam
e brilham, como gotículas de água
a vida presente acontece nestes encontros, mas é toda ela, sempre e toda, a teia

Mannheim

hoje digo algo porque acho que devo, de alguma forma, dizer... de alguma forma, me comunicar com este mundo de onde me distanciei... da forma que quis, me soltei um pouco de mim
me soltei do mundo e caí aqui
agora tanta coisa nova, pra me prender, pra me soltar, pra fazer viver pra fora por muito tempo
como uma criança... vivendo apenas com os olhos

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

new year

it wont be raining tomorrow
from the very beginning of the day
the first sun rays will come through the air
directly over the soil
and people will see a purple green morning
they will wake up
for the new day
for the new year

and all ghosts of the night will fly away
forever
and life will be lighter
and air will be fresher

in this moistured troubled night
I'll sleep and dream stranged scared dreams for the last time

after this night
there will be no guilty
there will be no anxiety
my bed will be calm and restful
where i'll have love

after this night
I wont be afraid to be a mother
to bring life to this planet
to share my guts with someone
and to find meaning in happiness and beauty and peace

it wont be raining tomorrow
the last drops slip and carry the past
dust is washed from the sill
and nature takes it's last bath
like in a purification ritual

and to the sea runs
what the air burdened for billions of years