sexta-feira, 19 de setembro de 2008

embora

neste mes, meu amor nao me veio visitar
nao sei ainda
talvez

neste ano
ainda
nao veio
nunca sei

meu "amor"
confesso
que nao sei tao bem dessa palavra
nem da palavra eu
nem dele
nem dela
nem de amor

neste mes
e no outro
meu amor nao veio me visitar
talves nao venha
afinal...como poderia vir?
nem sei do que fala
do que se trata
como se chama
se se chama amor
tal palavra que nao sei se é
se sou
se existe

neste ano
nao sei
acho que alguns amores me visitaram
e nao
nao sei
amores, essas coisas incertas e que caminham pela linha do existir
e pela do não

neste mes
me sinto como antes
fui ao concerto e achei que fosse só
e em meio a tantas musicas e tanta gente,
senti tantas pessoas,
como se nao fosse.
ao fim,
ao fim da ultima nota e copo de cerveja
_tao bons, acool e notas bem feitos
paguei,
sai
e caminhei ate o quarto que é só meu
e eis que constato
e eis que sou só eu neste mes.
pensei que fora visitada pelo amor
nao sei
se fora
se eu
se fosse

neste mes
igual ao mesmo mes do ano passado
me convenço do amor que foi igual
voce me convece de que me amou
nao sei!
ano passado
tao longe
tao perto
ao sorteio da minha memoria

neste mes
neste dia e hora incertos
me ponho a constatar e reparar
sem muito rigor
o que não fora como foi hoje
este dia
neste dia e noite cheios de mim
e vazios de alguma vida que não sei

não conheço o fim
nem o agora
conheço o limbo do ser e da memoria
dissonantes
nao tao velhos como as notas de outrora
do concerto que me levou só

e restei aqui
como antes
a essa hora
do mes passado
e talvez de antes
assim tao tarde
sempre resto
me levo a mim
e fico embora

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

para Ricardo

How shall I hold on to my soul, so that
it does not touch yours? How shall I lift
it gently up over you on to other things?
I would so very much like to tuck it away
among long lost objects in the dark,
in some quiet, unknown place, somewhere
which remains motionless when your depths resound.
And yet everything which touches us, you and me,
takes us together like a single bow,
drawing out from two strings but one voice.
On which instrument are we strung?
And which violinist holds us in his hand?
O sweetest of songs.

(Love Song _ Rilke)

Rilke and me and the recently past days

A Woman in Love

That is my window. I
just awoke so gently.
I thought, I'm floating.
How far does my life reach,
and where does the night begin?

I could think that everything
around me is me;
like the transparent depth of a crystal,
darkened and mute.

I think I could bring the stars
inside of me, so large
does my heart seem; so very much
does it want to let go of him

whom I have perhaps begun
to love, perhaps to hold.
So strange, so uncharted
does my fate appear.

Who am I who lies here
under this endless sky,
as the sweet scent of a meadow,
moving back and forth,

at once calling out and anxious,
that someone might hear my call,
destined to vanish
in another.

The Inner Rose

a cada dia que passa, se reafirma em mim a sensação de que nada faz mais sentido que o prazer e a beleza (mesmo em suas nuances doloridas)

The Inner Rose

Where is there for this inner
an outer? Upon which hurt
does one lay such fine linen?
And which heavens are reflected within them,
upon the interior seas
of these open roses, these carefree ones, see:
how loose in looseness
they lie, as if a trembling hand
could never tip them over.
They can hardly hold themselves
erect; many allow themselves
be filled all too full and flow
over from inner space
into the days, which, ever
more and more full, close in upon themselves,
until the entire summer becomes
a chamber, a chamber in a dream.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

nao sou...

Na minha frente, um estranho
Me perguntei quando esta pessoa deixara de ser conhecida
Sinto que nunca foi
Sei que nunca foi, realmente, conhecida.
Apenas o que dela se fez em mim, como representacao de uma possivel realidade
que mal toquei, troquei palavras, ou mesmo olhei
eh muito facil se distanciar das pessoas, mesmo as que sao proximas
intimas, por que nos revelamos muito pouco realmente
e mudamos sorrateiramente, nos afastando do que mostramos ou aparentamos ser, em certos momentos
Na verdade, somos tao vários por dentro e inconsistentes, incoerentes e as circunstancias sao cruciais na determinacao de como nos manifestaremos
Ja pensei que quando alguem me ve, ve uma imagem projetada sobre mim que depende de que ve_ ainda acredito nisso, mas agora acho que nos vemos e nos fazemos a partir da imagem que achamos que geramos nas outras pessoas
parece que, ao final, somos projecoes nossas sobre os outros.
isso me parece triste agora, que me sinto tao incerta sobre o que sou e do que gosto. qual é a verdadeira natureza dos meus sentimentos, qual a validade deles, visto que me parecem tao circunstanciais>

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

a ser editado

as 17 horas e pouco de hoje, uma constatacao, com cara de inegavel revelacao
que me atordoa, pois da ainda mais ares de frageis e inconsitentes, ou incoerentes, as coisas que sinto
pensei que me disponho logo a trocar de amor, quando alguem apto aparece, afinal, existe alguma selecao, que ate eh grande
quando o ultimo perdeu o brilho, ou se mostrou definitivamente incapaz de dar certo, sou facilmente impulsionada a outro- ja com alguma predisposicao a intensidade...sinto que devo carregar esta intensidade de um pro outro
e assim, fica facil revisitar o antigo amor, me sinto nao mais atingivel por antigas magoas e por possiveis novas magoas...afinal, nao amo mais aquela pessoa
eh como a tal sindrome dos ultimos dias, descrita por um conhecido, eu poderia revelar algo de importante pra alguem, se estes sao os ultimos dias com ela..como se nao precisasse arcar com consequncias...
o sentimento eh o mesmo, agora que amo outro, posso falar sobre o que sinto ao antigo, como se nao fosse arcar com consequencias, so que, dessa vez, sou simplesmente indiferente a elas...sera que minha vida eh so essa sucessao de intensidades onde eu fico minimizando as dores o mais rapido possivel::