segunda-feira, 21 de abril de 2008

fragmento

olhava ao redor, a sala, os móveis
com qualquer pensamento que não estava ali.
Abrem a porta do banho
e aquele cheiro entra.
Constatou:
era o que de mais vivo podia se ter.
Circulou o olhar pela estante,
tão cheia de arestas e livros, tão tridimensionalmente colorida,
mas aquele cheiro invadira a sala
como o que faltava para fazê-la real,
como uma outra dimensão, além das outras quatro.
"Isso sim"era vida.
As cores, a profundidade das coisas,
as linhas paralelas do piso que afinavam
próximas a parede, tudo podia estar numa tela,
numa ilusão de ótica qualquer.
Mas o cheiro,
mais do que o tempo, coisa tão cerebral,
o cheiro, sim,
era a dimensão essencial para a vida.

11(ou 10)/02/2008

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