Toma aqui o teu primeiro poema
E saiba que não é o primeiro primeiro poema
Saiba que não és um primeiro.
Já me armei
Desde os primeiros momentos
me armei contra ti
Que chegou muito grande e muito alto
Começo aqui a falar-te pela primeira vez _ e bem pode ser a última
E posso rir, como de outros escritos já ri,
deste pretendido poema proseado tolo.
Começo como antes
armada e já entregue a intenção de não-beleza_
que este não é um texto de inspiração,
mas de confissão e obrigação.
Até tardou a chegar.
Ficaste entre rios e sóis e muitas luas
comigo já tentando te rondar
E rondei e ri de mim mesma
e desprezei o meu olhar e o meu querer assim
fundado em coisas tão romanticas e ridicularizaveis.
Já nos falamos e nem notaste nada de graça em mim.
Eu que sempre tive a minha graça certa,
talvez em ambientes peculiares.
Mas eu notei e repudiei o que pareceu grande e forte em ti
E já critiquei a pobreza dos teus textos
e já tive sobressaltos diante dos teus textos,
tão bons pra um homem assim
que aparece do nada.
Alguma coisa agora me acelera,
adrenalina,
qualquer substancia que corre no sangue de uma femea
De um animal que corre e sublima
e se cansa e se entrega.
Talvez seja o desejo de entregar-se.
Dentre todos os porquês e as revoltas
diante do fardo que escolhemos carregar
o que é certo é que não basta saber porque.
e sabe lá se é possível
O que há é o fato.
E o fato é que há o desejo, por mais falível que isso seja
Será o teu poder?
A tua inteligência?
Que ainda mais agressivamente
não fizeste a menor questão de me mostrar?
E agora constato que não comecei com um poema
e nem posso terminar como
É só um lamento frouxo e fraco
De uma fraca
Como fui capaz de me permitir chegar aqui?
Com desprezo a todo resto
Sem palavra salva
busco o alívio
Será que é só a bruxa que me ronda?
Será o inevitável grito depois de tantos dias de solidão?
Eu queria o poema
Eu queria exibir pra mim mesma o bom poema que te fiz
E te vencer
E ter o que tu não tens
E ser mais do que és
Me sinto humana e muit mortal
Quando eu me esbarrar novamente nestas folhas...
qual terá sido teu destino?
Qual terá sido o nosso?
O que faz diferença para duas pessoas em uma vida?
Quero me mover no tempo 1 mês e depois 10 anos e estar lendo ISTO
AGORA
Quero que estas folhas não se percam pelo caminho
Que se desaparecessem agora
seria como a morte do dia em que escrevi estas palavras
Seria a morte deste estado de espírito
(e deste amor que so existe agora como este amor)
É isso
Neste texto, eu gosto de ti pra sempre_enquanto a informação existir
Enquanto houver a possibilidade de serem lidas
estas palavras sao eternas
E eu tenho medo e gosto e te quero
Quero te conhecer tanto que me confunda contigo
Quero te tornar banal, ter o teu corpo, todo
e o teu prazer, profundamente
O quanto de mim diz tudo isso?
cada letra me carrega integralmente como no meu momento em que foi escrita
Quem sabe ao final, ao subscrever nome e data como de costume, o meu "e" seja se outra que não "esta"
nem "esta"
O que me trouxe até aqui?
Vinho e internet
O que me trouxe até aqui?
uma vida
pais, cidades, religiões, universidades,
noites, comidas, pessoas, música, livros
o que me fez até aqui? o que eu fiz até aqui?
O que, ao final desta palavra, quero?
(Não consigo fazer nenhuma resposta caber em uma (ou mais) palavras)
21/04/08
sexta-feira, 30 de maio de 2008
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