Tenho lido um pouquinho de Oscar Wilde, e achado genial!
Em uma conversa recente com o Eduardo (que para mim é um personagem de um de seus romances), ele disse que as pessoas mais interessantes são as de exatas. Eu não conheço muitas pessoas de artes ou humanas para dizer. E é certo que existem inumeráveis exemplares de pessoas entediantes e obtusas nas exatas. Mas, concordei com o Eduardo: as pessoas mais geniais (em todos os aspectos) que conheci são de exatas. Também outra consideração, dessa vez do Fernando, sobre como apreciamos a forma como as pessoas de exatas pensam (claro, porque nos incluimos nesse grupo) : de forma organizada, com uma introdução que dá bases e justifica a argumentação que se segue, com a capacidade de incluir comentarios, exemplos e contra-exemplos, e retomar a argumentação e fechar aquela ideia, ou ao menos chegar a qual é a questão que ficou aberta, por ser complexa, sujeita a muitas variaveis, por ser fruto de opiniao, gosto, ou extremamente circunstanicial.
Daí, a pergunta: o nosso gosto por esse tipo de pensamento porque pensamos assim? Ou pensamos assim porque gostamos dessa forma de pensar? Acho que deve ser uma contribuicao dos dois. Ao longo da vida esses fatores forma se alimentando: alguma tendencia ao racionalismo e ao pensamento logico ou cientifico estimulou a busca por conhecimentos e experiencias nessa atmosfera. E este ambiente tornou mais atraente essa forma de pensar, pois é mais adequada. Alem disso, essa forma de pensar, "cabe" mais nesses ambientes.... bom...é por aí...
Voltando a O.W., acho que ele faz isso. Tem uma inteligencia aguçada, essa forma de expor sua narrativa e suas idéias, com introdução de embasamento, justificativas, exemplos, é muito preciso e sobretudo extremamente charmoso e estético. Gosta de conclusões, de fechar idéias e tem bons argumentos pra isso.
Pensei entao que existem duas possibilidades que resultam na retórica de Oscar Wilde, ou de similares e, espero, até na minha:
Ele passou pela austeridade do pensamento exato. Pela observação do mundo que so pode resultar num certo pessimismo (não há realismo otimista). Ele pensou o sufiente para concluir que a vida não tem sentido, que somos sós, que não há nada de especial sobre nada, que existem milhares de crises a nossa espreita, existenciais, humanas, superficiais. Ele pensou sobre a moral, ou sobre o quanto é vazio e despido de lógica e motivação transcendentes (e por isso inquestionáveis) o pensamento moral. Ele poderia ser (com alguns atributos de personalidade mais severos, talvez, além dos temporais_volto à "circunstancialidade"...), um Wittgenstein, meio hermitão, entregue a falta de significado e intenção "a priori" do mundo, da existência, das relações humanas(eu sei o quanto é arriscada essa consideração sobre Wittgenstein). Mas não, ele foi o homem da beleza e da arte, meio renascentista, entregue aos prazeres, mas sempre ponderado pelos ideiais de beleza. Ele concluiu que a vida é única, que é só isso, e que isso pode gerar qualquer sentimento e que existem vários caminhos. E porque não trilhar o mais belo e mais prazeroso?
Mas há outra possibilidade. Ele era um homem que não resisitia aos prazeres, que por motivos talvez muito viscerais fosse compelido ao prazer e a beleza. Não sei como fora sua infancia ao certo, mas essa personalidade que cresceu em meio a beleza e ao pensamento, com grandes inclinações a luxuria, só fez justificar com muita elegancia e inteligencia o porque de se entregar a esse estilo de vida e de pensar. Isso parece menos nobre, mas mais lascivo e charmoso. Como ele. Por enquanto, eu fico com essa opção.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
determinismo?
O melhor motivo para a existencia de alma é que isso contraria a possibilidade do "eu" ser meramente circunstancial...
essa idéia foi se construindo aos poucos e depois de ficar pronta assim, gostei, fiquei satisfeita. Talvez porque tenha pensado que era uma coisa original _ não me lembro de ter lido algo assim antes. Mas também fiquei satisfeita por concluir alguma coisa (mesmo que temporariamente), por fechar uma idéia. É bom concluir, nos dá a sensação de embasamento, de segurança e sabedoria que poderiam nos guiar a melhores escolhas na vida. Mas existe escolha?
...e falando em originalidade e na crise atual do "tudo foi dito", é reconfortante (?), ao menos interessante, pensar que a diferença entre Keats, ou Rilke, e eu seja simplesmente cisrcunstancial.
... e se sou ciscunstancial, em que circunstâncias quero viver?
Novamente: Existe escolha?
essa idéia foi se construindo aos poucos e depois de ficar pronta assim, gostei, fiquei satisfeita. Talvez porque tenha pensado que era uma coisa original _ não me lembro de ter lido algo assim antes. Mas também fiquei satisfeita por concluir alguma coisa (mesmo que temporariamente), por fechar uma idéia. É bom concluir, nos dá a sensação de embasamento, de segurança e sabedoria que poderiam nos guiar a melhores escolhas na vida. Mas existe escolha?
...e falando em originalidade e na crise atual do "tudo foi dito", é reconfortante (?), ao menos interessante, pensar que a diferença entre Keats, ou Rilke, e eu seja simplesmente cisrcunstancial.
... e se sou ciscunstancial, em que circunstâncias quero viver?
Novamente: Existe escolha?
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