sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

às escuras

Como a postagem anterior me lembra quem me lembra Alberto Caeiro.
E eu sei que preciso de mais Alberto Caeiro. E espero que só dele.


Alberto Caeiro
XXXV - O Luar

O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos


XXXIV - Acho tão Natural que não se Pense


Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa ...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas. . .
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente. . .

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos ...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

reencontro (final alternativo)

Eles se encontram.
O narrador está do lado dela e a camera só sabe o que se passa dentro dela, não dele.
O passado ficou pouco nítido. Ele se tornou mesmo uma coisa cicatrizada, embora ela sempre pudesse se lembrar daquilo e pensar que deveria se tolice. Aquilo tinha de ser uma tolice, não faz nenhum sentido qualquer coisa de especial sobre o que não fora dito, nem vivido.
Mas tinha aquele poema e a resposta incerta. Nenhuma resposta, de fato.
Eles se encontram, ela toma um pequeno susto. Se tivesse alguns minutos antes de ser vista de volta por ele, racionalizaria, se convencenceria de que aquilo não era nada. E seu coração iria, sim, voltar ao ritmo normal. Mas não teve, aos mãos trêmulas, o corpo todo sem força, quase toda sua energia voltada para interpretar naturalidade. Junto a isso, já o pensamento de que ela se sentia, sim, natural.
Ela sorri, não há lembrança da dor, apenas o mesmo medo, como se fosse ha tantos anos, no começo.
Ele sorri, eles se sentam. Ele pega suas mãos e diz:
"As minhas mãos carregam..."

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

mas é que eu gosto das historias compridas e complexas
o problema é todo meu