domingo, 12 de outubro de 2008

mudar

Há dias não sei o que escrever, porque não se bem o que pensar. Minha vida está organizada como nunca, estou domesticada e isso foi um processo interno, consciente e escolhido.
Eu acordo o mais cedo possível (o que ainda é tarde, visto que não consigo dormir bem e demoro muito a pegar no sono), tomo o meu café da manhã fantástico: frutas; minha panqueca que é uma combinação natureba de cereais integrais; café para alimentar o vício,a disposição e a excitação mínima para dar a partida para o dia e um pouquinho de leite.
Vez ou outra eu dou água para as plantinhas: a horta que eu quis ter, as florzinhas que acho que fazem bem pra vista e pra alma.
Vou pra faculdade. Me sento a frente de quilos de artigos e do computador e gasto todo o meu cérebro pensando, com algum prazer, em todas aquelas coisas estranhas e difíceis.
Dos 5 dias úteis, em média uns 4,lá pelas 18h, me carrego para a aula de capoeira ou de dança e nasço denovo depois de me movimentar, pensar em outras coisas e sentir o meu próprio corpo.
No fim de semana, fica um certo vazio.
Eu fujo um pouco do mundo que não se adequa à física, a minha rotina acadêmica. Esse mundo de danças, músicas, energias, pessoas menos céticas, menos precisas, no qual eu me sinto tão em casa.
É muito difícil ser essas duas coisas, habitar mundos tão distintos, meu corpo e minha cabeça não mudam instantaneamente, existe uma inércia que dificulta o trânsito entre um e outro e qualquer apego a um (principalmente ao não-acadêmico) faz com que a volta ao outro seja custosa, dolorosa, como uma despedida mesmo.
Hoje foi um dia bom, de grama sob os pés, abraços, olhos apertados pelos sorrisos, carinhos e doçuras, eu poderia ficar neste mundo tão facilmente que sinto que devo correr das oportunidades em que ele pode se revelar. Parece que eu me convenci de que pertenço a uma sala fechada com ar condicionado e pessoas restritas (não todas, claro) a essa vida, a essas salas e a telas de computadores. Acho que me convencer disso por enquanto torna o inevitável menos dolorido, quero terminar bem este mestrado...
Um amigo me disse que acredita em determinismo, que não temos escolhas, pois já é certo que sempre escolheremos o que nos faz mais feliz. Eu concordei. Pensei num contra-exemplo, mas só fiz confirmar a tal lei. O exemplo: se eu não deixo o mestrado para fazer cinema, que é algo que eu acredito que me faria mais feliz que a física, é porque acho que faria meus pais tristes. O ponto é que fazer meus pais felizes me faz mais feliz (ou menos triste) que fazer cinema, e por isso a minha escolha é essa. O grande problema é que essas escolhas são feitas pelo que "achamos" que nos faria mais felizes, não pelo que nos faria mais felizes de fato. O que eu concluo com isso é que deveríamos basear nossa decisão em critérios mais racionais, pois tenho a impressão de que eles "acertam" mais o que é melhor pra nós. Além disso, no meu exemplo específico, eu tenho a informação de que meus pais ficariam mais felizes com essa decisão, pois eles me deram pistas diretas ou indiretas sobre isso, mas o que eu não sei é como eles se sentirão "depois" da mudança, então eu não sei se eles ficariam tristes de fato... portanto, não acho que seja válido me basear muito nisso... mas, afinal sempre nos baseamos em coisas muito instáveis e mutáveis, e nunca podemos prever como será a mudança: eu poderia, ainda, "não" ser mais feliz no cinema do que na física..
Enfim! Preciso pensar mais nisso, pois não conclui nada que pareça concreto ou útil!

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