quarta-feira, 11 de novembro de 2009
tchau
dessa vez, embora o ponto crítico tenha chegado_ chega nesse domingo, pra falar a verdade...eu vou me resignar dessa vez
parece que toda a sensacao e todo ato recolhido foi só uma loucura minha
foi só eu, isso eu sei... entao vai continuar só meu, nao divido com ninguem, nem com o anteparo da minha sensação
é isso só
quem sabe na próxima, meu caro
domingo, 8 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
um instante a mais
e vai
como a água esquivada
orientada
na iminencia do desvio_
depressão inesperada
a escrita com a pressa
de um animal que corre
fugitivo
a assertiva e o recalque
num vai-e-vem acelerado
e a pergunta?
isso é criatividade?
meu deus!
o texto alheio
o texto à margem
ele nao vem
ele vai e volta
em um caminho fechado
mas escapa
eventualmente
pelas ranhuras
do chão
da mente incerta
respiro
inspiro
ondulando nas águas
e nos desvios
da agua esquivada
voltas e voltas
por dentro dos meus olhos
embreagadas.
tropeços
entre cordas
que se entrelaçam neste cérebro
em cada vinco
uma idéia
que escorre
as cordas amontoadas
encaixadas
neste vaso derramante
precisamente
todos os vasos
são claros
loucura
tempestade de estimulos
embarquemos nesta
nau bêbada
no bateau ivre
das ideias
desçamos perigosamente
de-me a mao tremula
e aperte meu coração
este vaso preso dentro
do meu peito
este vaso cheio
de ódio e amor
dissolvidos
por muitos anos
irmãos
o que foi incontido
o que foi derramado
em um instante
talvez longo
tudo foi dito
um oceano de palavras
pra onde fluo
loucamente
sem pensar
ou constatar
aqui é o mar
pra onde vou
e desapareço
5 minutos? ou mais?
e vai
como uma agua num cantinho
com rumo
mas com riscos de sair por ai
por um buraquinho inesperado
eu gosto de escrever com pressa
com vontade de fazer xixi
bem apertada
as coisas vem e vao mais rapido
e eu me pergunto
isso é criatividade?
meu deus!
eu queria mesmo um texto esquisito
mas ele nao vem
ele vai e vem
vai
e
vem
e sai pelas ranhuras
do chao
ou do meu cérebro
desconcentrado
falar tudo isso me da uma sensaçao
de onda
de volume
de água
e de ranhuras
sao muitas voltas
no meu érebro
que parece mesmo um monte de cordas
bem enroladinhas
que nos cantos se escontem a ideias
que fluem
fluem
bem enroladinhas
do jeito certo
pra caber aqui
nessa caixola
caixola
uma palavra engraçada
de cor azul
aiai
essa loucura
essa desatenção
vamos lá
sobe nesse barquinho
e vai com a enxurrada
eu vou
pega aqui
na minha mao
no coração
que é um cantinho
bem amarradinho
na minha cabeça
talvez seja
bem pesado
e nao escorrega
nao vai com a agua
por que se fosse
poderia se perder
do jeito errado
mas tá aqui ainda
nessa caixola
essa memoria
de odio e de amor
e qualquer sentimento
que é sempre tudo igual
tudo uma coisa só
emaranhada
amarrada
indistinguivel
ou indiferenciada
perdi o que escorregou
peguei o passou entre os vortices
em 5 minutos
eu digo
tudo
num rio de marieles
de loucas
desatentas
hiper
hipers
até o fim
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
reencontro... (?)
eu nao sei se eu quero saber de voce
eu nao sei se eu quero que voce saiba de mim
eu sei que eu quero que voce saiba que eu te quero
eu sei que eu quero saber se voce me quer
dançar conforme a música?
é muito mais "digno" se opor, claro (claro?). mas viver não deve ser prático? não deve ser feliz? então eu deveria encontrar um "meio termo" e dançar as vezes e me opor em outras... até fazer alarde... e então me esbarro na minha covardia.
falando em digno e em todos os conceitos que fazem sentido com interação entre as pessoas...
(talvez dê para concluir que todos os conceitos só fazem sentido com a interação entre as pessoas, o que é conhecimento, afinal? faz sentido esclarecer um conceito que nao serve de palco (ou peça) para interação e discussao? entao para que esclarecer? eu poderia ficar com a ideia vaga, com a sensaçao de algo que só me importa a mim... nao preciso formular o "conceito" da tal coisa, entao).
mas existe uma diferenca entre o conceito que faz sentido com interação entre as pessoas, porque são os conceitos, são quase os nomes das coisas que permeiam a interação entre as pessoas; e o conceito que é fruto da interação entre as pessoas, como as denominacoes comuns, tipo, isto é isto, ou esta é uma árvore e essas estruturas sao suas folhas e possuem uma propriedade chamada cor, que neste caso é verde.
neste caso, falo do primeiro, que é mais uma idéia abstrata, ou o nome de uma coisa abstrata e nao de um objeto externo.
mas sobre a dignidade. dignidade no priberam:
(latim dignitas, -atis)
outra palavra que sempre me dói quando dizem e principalmente quando eu não consigo não dizer:
é assustadora!
essas são palavras associadas a algo de bom, de virtuoso. me parece que guardam uma carga medieval (nao que suas origens estejam na idade media, sei lá!) de significado, ligada a submissão, ao medo, ao "dançar conforme a música" para não ser penalizado por aquele que tem vantagens sobre o outro que dança.
agora me preocupo com as armadilhas da linguagem. porque quero ser clara (que ilusao!):
eu sei que ainda nao disse nada, mas é só para começar a pensar e formular algo sobre essas questões. acho preocupante que a nossa vida seja ditada tão fortemente por certas "idéias" certos "conceitos" que estão tão arraigados a nós, não só nos discursos como na própria linguagem que usamos, que foi sendo construída ja nos moldes da interação humana e carrega a moral, a herança de épocas que não "condizem com o status" do "pensamento humano atual", este ainda amarrado pela linguagem na qual é expresso e reformulado e ainda restrito a certos ambientes privilegiados e , nos moldes do sec XXI (e nos outros), restrito aos financiamentos. que perigo!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
maiakovsky
Em lugar de uma carta
Fumo de tabaco rói o ar.
O quarto –
um capítulo do inferno de Krutchônikh.
Recorda –
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
Hoje te sentas,
no coração – aço.
Um dia mais
e me expulsarás,
talvez, com zanga.
No teu hall escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
Sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua .
Transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
Não o consintas,
meu amor, meu bem,
digamos até logo agora.
De qualquer forma
o meu amor
– duro fardo por certo –
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos – rodopiante carnaval –
dispersarão as folhas dos meus livros…
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?
Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.
(Tradução de Augusto de Campos)
excesso
que me restaria agora
porque as vezes não escrevo
por falta de inspiração
e as vezes por excesso
domingo, 9 de agosto de 2009
Regreso al Rio
já está se perdendo, o cheiro do hotel e dos dias de chuva
todos os 7 dias de chuva
um cheiro de mofo bom
impregnado em todas as minhas roupas
veio junto comigo um mario benedetti
um uruguaio
e uma volta aos poemas
nos econtramos com a prosa barão geraldense
bem vazia
e eu que esperava os grandes sóis
o rio se está indo
e cada dia é uma despedida
e uma data marcada de regresso
ah, meu coração
partiu das terras colombianas
e queria continuar errando pela sulamérica
tanto porvir
nessa vida medida em metades de anos
e feriados
meu coração quer errar pelo velho mundo
o mais porvir
bye bye, colombia
bye bye, uruguai
toda hora é hora de partir, é hora de partida
ainda não sabeis?
meu amigo, nos beijemos de novo
demos a nós esses corpos fáceis e coloridos, cheios
de memórias de todas as camas em que nos deitamos
nos amemos agora e depois, mesmo de longe
é assim o belo amor, ele não mora perto
e só precisa de uma visita, mesmo em sonho
uma visita só
para que se guarde o que é honesto e puro
a primeira impressão
eu me apaixonei pelo Rio
e me deitei comigo mesma
amor e despedida
todos o dias fugitivos da rotina
e agora eu já sei que sei amar
e que é assim, nos amemos todos
pelo tempo de uma viagem e que
não se alongue a estada ou a memória fidedigna
amemos e esqueçamos e que restem só as lembranças
de cama e cheiro
que nos invadem furtivamente
num passeio qualquer do outro lado
da rua
ou da cama de alguem
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
fui ao Rio...
Chau número tres
Te dejo con tu vida
tu trabajo
tu gente
con tus puestas de sol
y tus amaneceres.
Sembrando tu confianza
te dejo junto al mundo
derrotando imposibles
segura sin seguro.
Te dejo frente al mar
descifrándote sola
sin mi pregunta a ciegas
sin mi respuesta rota.
Te dejo sin mis dudas
pobres y malheridas
sin mis inmadureces
sin mi veteranía.
Pero tampoco creas
a pie juntillas todo
no creas nunca creas
este falso abandono.
Estaré donde menos
lo esperes
por ejemplo
en un árbol añoso
de oscuros cabeceos.
Estaré en un lejano
horizonte sin horas
en la huella del tacto
en tu sombra y mi sombra.
Estaré repartido
en cuatro o cinco pibes
de esos que vos mirás
y enseguida te siguen.
Y ojalá pueda estar
de tu sueño en la red
esperando tus ojos
y mirándote.
Mario Benedetti
terça-feira, 21 de julho de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Canción del amor sincero
Prometo no amarte eternamente
Ni serte fiel hasta la muerte,
Ni caminar tomados de la mano,
Ni colmarte de rosas,
Ni besarte apasionadamente
Siempre.
Juro que habrá tristezas,
Habrá problemas y discusiones
Y miraré a otras mujeres
Vós mirarás a otros hombres
Juro que no eres mi todo
Ni mi cielo, ni mi única razón de
Vivir,
Aunque te extraño a veces.
Prometo no desearte siempre
A veces me cansaré de tu sexo
Vos te cansarás del mío
Y tu cabello en algunas ocasiones
Se hará fastidioso en mi cara.
Juro que habrá momentos
En que sentiremos un odio mutuo,
Desearemos terminar todo
Y quizás lo terminaremos,
Más te digo que no nos amaremos
Construiremos, compartiremos.
¿Ahora si podrás creerme que te
Amo?
Raúl Gómez Jattin
sábado, 25 de abril de 2009
E não sei bem o quanto sou o meu nome por aí. Um nome meio estranho...talvez o que fora casual seja tambem causal e eu sou mesmo uma pessoa meio esquisita.
Culpa tambem do meu pai que me deu o nome esquisito, ou foi cumplice ao menos, e que agora vem com toda a idade do mundo me dizer: minha filha, por que você nao é normal como todo mundo?
quinta-feira, 19 de março de 2009
o meu amigo
Sim, era bonita e inspirava alguma profundidade. Tinha a cor da sua mãe, e também sorria muito como ela. Inesperademente se lembrava de não sorrir tanto e comedia tanta graça, que não deveria sair assim tão barata_ para ainda mais o instigar.
Ele sempre temia as motivações freudianas, por teimosia, por não querer ser levado por vontades sem causa racional_ além do básico do instinto, inegável.
O que importa mais? Ele era mesmo muito, muito bonito. Dos que fazem considerar que existem universalidades e consensos absolutos: para sua sorte.
Ela foi simples, fácil e rápida. E o que deveria ser um ritual intelectual de desejo-descoberta-jogo, foi simples demais, quase banal.
Ele, aparentemente um homem que sublima, muito estanho. Que pensa assim na mãe, intencionalmente consciente do freudianismo, do psicanalismo do seus desejos. Ele se depara cada vez mais com essas mulheres-bichos. Seria isso mesmo a manifestação do freudianismo?
Interessantemente, lhe resta um amigo. Desses bukowskianos:
Ele foi lá e comeu.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
café
Talvez essa seja uma nova fase, que ao menos me permite escrever. É a evolução da fase puramente pessimista, incomodada, com muito medo e meio apática. Agora eu anestesiei tudo. Ainda há algum resquício daquela sensação, talvez mais como memória (sensação evocada), afinal, hoje é o primeiro dia em que constato que estou em uma "nova fase".
Talvez o meu cérebro esteja usando algum recurso,a lgum antidepressivo próprio que começa assim anestesiando tudo, daí quando você toma distância da dor ela já vira só alguma coisa que você viveu como assistindo a um filme sem prestar muita atenção e sem sentir muito.
Nem vou mencionar aqui_ o que seria bom como registro da bagunça que foi a minha virada 2008/2009 todas as crises, as reavaliações dos meus amigos, de mim e das minhas vontades e perspectivas. Acho que posso ao menos dizer que tomei a melhor decisão: viver um dia de cada vez e, mais uma vez, empurrar a crise para mais uns meses a frente. Talvez ela até se dissolva, ou diminua. Será? Será que isso já aconteceu? Acho que sim, mas não nesse caso. Acho que o problema física/cinema vai continuar.
Não importa. O que importa é que aparentemente aflora um certo otimismo. Que não sei de onde vem, ainda tenho as mesmas impressões pessimistas sobre o amor, a solidão, a doença, a morte. Estou no meu nono dia em Tres Coraçoes, parto amanhã de volta para Campinas. Me pergunto se a aparente recuperação de uma ponta de otimismo está ligada a minha estadia aqui. Não cheguei a rever muitos amigos, nem me senti muito próxima da vida aqui, íntima ou nostálgica. Mas acho que estar com minha mãe, meu pai, minhas primas, fazer coisas aqui, sentir um pouco o que é a vida aqui, tão distante de tantas inquietudes que me assombram em Campinas, me deu um alívio. Alívio porque não importa o quanto eu tenha medo, o quanto eu viaje (se tiver coragem), o quanto me sentirei só neste mundo e talvez me afaste da minha vida tricordiana, da minha vida brasileira, o quanto eu tenha qualquer crise sobre o que fazer e medo da reprovação do meu pai, o quanto eu seja pobre por não fazer escolhas seguras (se tiver coragem), ao fim, eu posso voltar para cá, e acho que não vai ter mudado muito, essas cidades pequenas, com as pessoas da minha infância, os meus primeiros beijos e amores.
Ontem mesmo eu citei "toda saudade é um cais de pedra", e mais uma vez isso fica evidente. Essa cidade que eu tanto deprecio, que tem tantos defeitos, que não cresce, que é cheia de gente estreita, é meu cais de pedra. É irônico.
Quero (talvez queira querer) voltar para Campinas, estudar, produzir. Tenho medo, me dá um frio na barriga, o medo de falhar, o medo da tensão e dedicação que vão requerer, mas vai dar tudo certo. Até que deu até agora. Eu duvido da minha capacidade, mas só eu duvido e acho que dá para fechar os olhos e fazer bastante coisa e resistir a pressão. Talvez eu deva mandar fazer uns florais de Bach para os próximos meses. :)
Estou ouvindo Matthew Shipp. Conhecendo por indicação do Ricardo. Muito bom, fica melhor a cada repetição _ como, que eu me lembre, toda música boa. Vale comentar porque talvez tenha embalado o clima da escrita, dado um tom. O nome do album é Pastoral Composure.
Será , realmente, que inauguro as postagens de 2009 em uma nova fase? Nesta manhã (tarde) de fevereiro? Veremos o que segue. E que não seja só o café.