quero dizer sem censura, com todos os cliches que rondam a minha memoria mais trivial
que voce tem os olhos de mel, o cheiro de flor e as maos fortes como raizes
--
desvendo subitamente entre planos d'água os oceanos que refletes
e em onda que me suga os pés rodopiam no fundo vórtices de rosas
despede-se de mim a ressaca de yemanjá pra quem minha oferenda não vingou
rezei aconselhada por uma senhora que me levasse dos tornozelos os ouros
os adornos que me custaram muitos anos
levou-me o mar
com inveja o camafeu em que figurava imagem da senhora do meu coração
não há reza nem choro de sal
que arreie nem resolva este senhor
que de espumas e assombros
resolveu de mim roubar-te
minha senhora que nasceste já roubada
já como a própria água que desliza e contorna sem nunca ser a coisa em que se deita
deitaste 'a noite, certa vez, orvalho fresco
e carregou pro mar da outra o cheiro das rosas brancas que roubaste antes do sol
e deste entao
agradecida, nao há pra yemanja presente ou pranto meu que lhe faça desarrear
pois o mar e tu e ela, feitiço unico
são o pranto e a saudade de quem passa por miragem
de quem guarda na memória a menina mais bonita qu'emprestou odor a rosas a senhora d'aguas limpas
domingo, 12 de dezembro de 2010
o seu presente de aniversário
por tristes ocorridos
nao acredito mais
que entregar o amor assim seja bom
é honesto
é bonito e puro
mas o entregar do amor nao faz o amor
mas agora que nao há mais tempo
eu apresento sinais do que chamaram
a sindrome dos ultimos dias
e te dou uma coisa bonita
com algum medo e algum egoismo ainda
e como nao seria de outra forma?
nao acredito mais
que entregar o amor assim seja bom
é honesto
é bonito e puro
mas o entregar do amor nao faz o amor
mas agora que nao há mais tempo
eu apresento sinais do que chamaram
a sindrome dos ultimos dias
e te dou uma coisa bonita
com algum medo e algum egoismo ainda
e como nao seria de outra forma?
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
a pergunta de hoje:
será que descobrirei que sou uma escrava das palavras?
não, não é essa a pergunta
a verdadeira pergunta é: será que descobrirei que nem todas as pessoas são escravas das palavras?
e então descobrirei que meus enganos são muito mais triviais do que eu supunha...
não, não é essa a pergunta
a verdadeira pergunta é: será que descobrirei que nem todas as pessoas são escravas das palavras?
e então descobrirei que meus enganos são muito mais triviais do que eu supunha...
domingo, 5 de dezembro de 2010
(as flores que colhi tão bonitas
as te ofereço, meu amor)
acordamos eu e o sol
com os pés gotejados da manhã
busquei com amor e sonho
ramos para seus curtos cabelos
pros teus pelos de gato enfeitar
que cheiro de flor? das ervas úmidas?
a brisa que refresca meus pés de orvalho
traz um vapor da noite em que habitavas meu travesseiro
ó moça da pele de onça
que deita na minha cama infinita
e me espera fresca como as manhãs
faço sua cama de mato e flores
pra que acordes no seu ninho de fêmea
e mãe
tão natural que és
do meu sonho desperto
confusa
te vejo, luz do dia,
forte, a me esperar
com flores que pra mim colheste
tão bonitas como as que colhi
pra ti na manhã em que eu dormia
as te ofereço, meu amor)
acordamos eu e o sol
com os pés gotejados da manhã
busquei com amor e sonho
ramos para seus curtos cabelos
pros teus pelos de gato enfeitar
que cheiro de flor? das ervas úmidas?
a brisa que refresca meus pés de orvalho
traz um vapor da noite em que habitavas meu travesseiro
ó moça da pele de onça
que deita na minha cama infinita
e me espera fresca como as manhãs
faço sua cama de mato e flores
pra que acordes no seu ninho de fêmea
e mãe
tão natural que és
do meu sonho desperto
confusa
te vejo, luz do dia,
forte, a me esperar
com flores que pra mim colheste
tão bonitas como as que colhi
pra ti na manhã em que eu dormia
trecho
ventou por entre as folhas
um vento constante e igual
a árvore frouxa ficou parada
inclinada
como assim fosse sempre
curvada pelo tempo e pelo sol
(a frouxa arvore se inclinou como cansada)
cessada a tempestade restou
um mundo de cores naturais
em vigília
o sol se foi há oito anos
e a terra sonolenta
nao se dispoe no leito
vaga à hora vaga
a luz branda dos predios
os faz vistos a muito custo
e uma manca paisagem
que não resta nem se entrega
pesa sobre o espaço
um vento constante e igual
a árvore frouxa ficou parada
inclinada
como assim fosse sempre
curvada pelo tempo e pelo sol
(a frouxa arvore se inclinou como cansada)
cessada a tempestade restou
um mundo de cores naturais
em vigília
o sol se foi há oito anos
e a terra sonolenta
nao se dispoe no leito
vaga à hora vaga
a luz branda dos predios
os faz vistos a muito custo
e uma manca paisagem
que não resta nem se entrega
pesa sobre o espaço
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
bonança
uma paz repousa no ar
depois de dias de tormenta
um céu branco iluminado
uma tranquilidade no coracao
a bonança
calma como eu
antes de por entre nuvens despontar
um céu azul e um sol amarelo
(aqueles sóis violentos)
o céu branco me deixa feliz
e sonolenta
eu agradeço
depois de dias de tormenta
um céu branco iluminado
uma tranquilidade no coracao
a bonança
calma como eu
antes de por entre nuvens despontar
um céu azul e um sol amarelo
(aqueles sóis violentos)
o céu branco me deixa feliz
e sonolenta
eu agradeço
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
a mario faustino
depois de saber que não ha como medir nada pelas reguas que nos foram dadas
depois de saber que passou-se o tempo como uma corda puxada
como fluido que escoa e tudo arrasta
nado eu contra esse vortice
esse ralo
e me agarro aos troncos e pedras que resistem
olho pro olho da besta
o fluir da vida e da morte
e vejo
olhos brilhantes
perco o medo
hipnotizada
olho pra cima
onde nada é definido
onde nao ha nem tempo nem espaco
onde meus olhos nao sao olhos
onde tudo é nada
e a salvação se faz
ca embaixo
vejo que as pedras nao mais se aguentam
vejo que as madeiras dos balanços das casas dos meus pais
se vão e me carregam
mas o que seria o novo ceu sobre a minha cabeça
onde me perco e nao existo
é fixo e eterno
e solto e sem tempo
e vejo que os olhos pra onde escoa o mundo
sao os olhos do deus que eu matei
que agora me puxa por mãos e pés
me estendem
infinita
num sono eterno
como o de antes da hora em que nasci
depois de saber que passou-se o tempo como uma corda puxada
como fluido que escoa e tudo arrasta
nado eu contra esse vortice
esse ralo
e me agarro aos troncos e pedras que resistem
olho pro olho da besta
o fluir da vida e da morte
e vejo
olhos brilhantes
perco o medo
hipnotizada
olho pra cima
onde nada é definido
onde nao ha nem tempo nem espaco
onde meus olhos nao sao olhos
onde tudo é nada
e a salvação se faz
ca embaixo
vejo que as pedras nao mais se aguentam
vejo que as madeiras dos balanços das casas dos meus pais
se vão e me carregam
mas o que seria o novo ceu sobre a minha cabeça
onde me perco e nao existo
é fixo e eterno
e solto e sem tempo
e vejo que os olhos pra onde escoa o mundo
sao os olhos do deus que eu matei
que agora me puxa por mãos e pés
me estendem
infinita
num sono eterno
como o de antes da hora em que nasci
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
emaranhamento
pensando bem, me pediu para considerar
fiquei ponderando
sem considerar
que se me pedissem mais
que fazer ou pensar
pensava vinte vezes antes
de pedir o imponderável
sem coração
sem nenhuma consideração
sem premonição
de todos os porvires possiveis
que se ramificaram em possibilidade
igualmente distribuidas entre os
mundos em que se pode ser
de muito feliz a muito triste
numa escala de infinitos pontos
que ficam entre um extremo e outro
deve ser mais provavel
o valor médio
que foi onde fique
ponderadamente
consideravelmente frustrada
esperando um definicao
um desfecho que ficasse para um dos lados
uma medida menos emaranhada entre a minha vontade
mal definida nesse sistema
e a vontade desconhecida de alguem com quem formei
um estado acoplado outrora
e fico na indefinicao enquanto nada colapsar
fiquei ponderando
sem considerar
que se me pedissem mais
que fazer ou pensar
pensava vinte vezes antes
de pedir o imponderável
sem coração
sem nenhuma consideração
sem premonição
de todos os porvires possiveis
que se ramificaram em possibilidade
igualmente distribuidas entre os
mundos em que se pode ser
de muito feliz a muito triste
numa escala de infinitos pontos
que ficam entre um extremo e outro
deve ser mais provavel
o valor médio
que foi onde fique
ponderadamente
consideravelmente frustrada
esperando um definicao
um desfecho que ficasse para um dos lados
uma medida menos emaranhada entre a minha vontade
mal definida nesse sistema
e a vontade desconhecida de alguem com quem formei
um estado acoplado outrora
e fico na indefinicao enquanto nada colapsar
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
dois cavalos brancos dançaram no meu quintal
pegue este sonho que transcrevo em dias noturnos
taciturnos
dentro de anos (ou qualquer coisa que distingua isso de aquilo)
as pessoas que não suponho
lerão essas paginas
saiba
que é tudo um engano
a coisa de dizer
mas talvez deslizem por essas palavras algo de mim
há um calor e um toque sobre teclas
que se ja sentiste, talvez se iluda
se identifique
e seremos irmãos
ou mãe e filhos
é estranho pensar
e toda a estranheza do mundo e de se perceber vivo
só pode libertar
ou, poderia, ao menos
sendo as coisas como são, e se dizer que são faz diferença
há dois cavalos na minha janela
a luz cinza que entra os envolve
e eles se entrelaçam entre crinas e lama
sôfregos
depois deste sonho e do terror do medo
me resta não ser honesta
me resta viver dos olhos pra fora
falando todas as falhas
e escrevendo para os proximos enganos
posso dizer, que como todas as pessoas que já viveram
(todos os seres que foram vivos
todos os seres que nunca viveram
mas se fizeram de forma distinguivel do resto)
que talhei algum coisa no dorso desse mundo
mas todo mundo o fez
(o dorso do mundo e o proprio mundo como ele e mudança
é a maior redundância possível)
e existem um bilhão de pessoas que notaram
a si mesmas e seus vizinhos julgados medíocres
tudo desnecessário
da boca pra fora
mas não é como se necessidade fosse uma condicao necessária para qualquer coisa lograr
as leis da física
muito duvidosas
quase nos fazem acreditar em ordem
a tal da entropia
é mesmo muito mágico
que olhemos pela janela
e vejamos esses dois cavalos brancos num lençol cinza
e todas as equações matematicas que usamos para descrever um descrevem tambem o outro
e mais alguns planetas e e mais os atomos de que são feitos
--
dois cavalos a passo largo cavalgam em circulos no meu quintal
se inclinam sobre as pernas de tras
e voltam
depois de muito rodar
cansados miram a minha janela de vidro
não me veem
dois cavalos de dentro da minha janela
olham resolutos os dois cavalos do meu quintal
eu acordo de olhos fechados
taciturnos
dentro de anos (ou qualquer coisa que distingua isso de aquilo)
as pessoas que não suponho
lerão essas paginas
saiba
que é tudo um engano
a coisa de dizer
mas talvez deslizem por essas palavras algo de mim
há um calor e um toque sobre teclas
que se ja sentiste, talvez se iluda
se identifique
e seremos irmãos
ou mãe e filhos
é estranho pensar
e toda a estranheza do mundo e de se perceber vivo
só pode libertar
ou, poderia, ao menos
sendo as coisas como são, e se dizer que são faz diferença
há dois cavalos na minha janela
a luz cinza que entra os envolve
e eles se entrelaçam entre crinas e lama
sôfregos
depois deste sonho e do terror do medo
me resta não ser honesta
me resta viver dos olhos pra fora
falando todas as falhas
e escrevendo para os proximos enganos
posso dizer, que como todas as pessoas que já viveram
(todos os seres que foram vivos
todos os seres que nunca viveram
mas se fizeram de forma distinguivel do resto)
que talhei algum coisa no dorso desse mundo
mas todo mundo o fez
(o dorso do mundo e o proprio mundo como ele e mudança
é a maior redundância possível)
e existem um bilhão de pessoas que notaram
a si mesmas e seus vizinhos julgados medíocres
tudo desnecessário
da boca pra fora
mas não é como se necessidade fosse uma condicao necessária para qualquer coisa lograr
as leis da física
muito duvidosas
quase nos fazem acreditar em ordem
a tal da entropia
é mesmo muito mágico
que olhemos pela janela
e vejamos esses dois cavalos brancos num lençol cinza
e todas as equações matematicas que usamos para descrever um descrevem tambem o outro
e mais alguns planetas e e mais os atomos de que são feitos
--
dois cavalos a passo largo cavalgam em circulos no meu quintal
se inclinam sobre as pernas de tras
e voltam
depois de muito rodar
cansados miram a minha janela de vidro
não me veem
dois cavalos de dentro da minha janela
olham resolutos os dois cavalos do meu quintal
eu acordo de olhos fechados
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
eu estou triste
sempre tenho a impressao de que é proibido dizer algo assim
que é proibido trazer a tona tudo o que dói por dentro
que às pessoas ja bastam os seus próprios problemas
eu não consigo dormir, me sinto só e ansiosa
tenho muito o que fazer
tenho essa sensação de que nunca vou conseguir terminar tudo
não sei se é só o cansaço
sinto como se houvesse muito trabalho e muita mudança
tanta coisa sempre e não consigo processar
mas nao sei, o que parece does mais no fundo é uma solidao
é mais uma vez um amor frustrado
é não ter ninguem
nem um amigo proximo com quem eu me sinta completamente livre
nao me sinto no direito de importunar ninguem!
deveria! deveria ter o direito de estragar o dia de alguem
de dizer o quanto eu sinto que viver é uma coisa dificil e que as vezes parece vazio e as vezes parece miseravel
hoje sinto menos o vazio
sinto mais a miséria
é uma luta
todos os dias eu luto muito pra ser feliz
pra estar calma
pra não levar a sério
pra dormir bem
mas depois de tantos, minhas forças estão se acabando
e não sei mais o que fazer
muiita mudança
eu consigo ver muita coisa bonita ainda
mas nao sinto a felicidade disso
agora, só sinto a dor de ser só, de não ter amor, de não saber se isso muda e de não ter tempo pra sentir isso, pq tenho que trabalhar
talvez hoje seja sábio tirar um dia de folga
não sei
sempre tenho a impressao de que é proibido dizer algo assim
que é proibido trazer a tona tudo o que dói por dentro
que às pessoas ja bastam os seus próprios problemas
eu não consigo dormir, me sinto só e ansiosa
tenho muito o que fazer
tenho essa sensação de que nunca vou conseguir terminar tudo
não sei se é só o cansaço
sinto como se houvesse muito trabalho e muita mudança
tanta coisa sempre e não consigo processar
mas nao sei, o que parece does mais no fundo é uma solidao
é mais uma vez um amor frustrado
é não ter ninguem
nem um amigo proximo com quem eu me sinta completamente livre
nao me sinto no direito de importunar ninguem!
deveria! deveria ter o direito de estragar o dia de alguem
de dizer o quanto eu sinto que viver é uma coisa dificil e que as vezes parece vazio e as vezes parece miseravel
hoje sinto menos o vazio
sinto mais a miséria
é uma luta
todos os dias eu luto muito pra ser feliz
pra estar calma
pra não levar a sério
pra dormir bem
mas depois de tantos, minhas forças estão se acabando
e não sei mais o que fazer
muiita mudança
eu consigo ver muita coisa bonita ainda
mas nao sinto a felicidade disso
agora, só sinto a dor de ser só, de não ter amor, de não saber se isso muda e de não ter tempo pra sentir isso, pq tenho que trabalhar
talvez hoje seja sábio tirar um dia de folga
não sei
sábado, 6 de novembro de 2010
a calma dos olhos dele
eu fico e espero
voce é um homem
nao consigo dizer ou pensar sem fazer ressalvas
mas feita essa, digo
voce é um homem
dos olhos doces de menino
dos olhos fundos de quem ja viveu
tem o corpo forte
e um cheiro que ainda nao decifrei
a pele macia
e uma cor de por do sol
mãos que me prendem num aperto de carcere
homem meio bandido meio arredio que é uma explosao
que só agora eu traduzi
num outro mundo nós nos conhecemos
no seu quarto moramos
entre antiguidades e sombras
entre caixas que guardam lembranças empoeiras
e fumaças e odores de madeira
a meia luz marrom
nos abraçamos atraves das noites
num frio e calor que nos cerca os corpos
que disputam os braços e cobertas e suores
com a calma de almas velhas que repousam
um descanço de finalmente termos nos braços
frios e quentes um do outro todos os veroes que
estao por vir
todas as noites de brisas que pela pele escapam
e nos chega num vapor de sal e areia
com voce eu quero descansar do mundo
e dormir
e memorar a lembrança que não tenho de sermos homem e mulher
da forma mais trivial que as pessoas fazem
como dois senhores apaziguados depois da vida sabida com quem se ama
como duas crianças que não entendem, mas aceitam
com voce eu quero descansar do mundo
e dormir
voce é um homem
nao consigo dizer ou pensar sem fazer ressalvas
mas feita essa, digo
voce é um homem
dos olhos doces de menino
dos olhos fundos de quem ja viveu
tem o corpo forte
e um cheiro que ainda nao decifrei
a pele macia
e uma cor de por do sol
mãos que me prendem num aperto de carcere
homem meio bandido meio arredio que é uma explosao
que só agora eu traduzi
num outro mundo nós nos conhecemos
no seu quarto moramos
entre antiguidades e sombras
entre caixas que guardam lembranças empoeiras
e fumaças e odores de madeira
a meia luz marrom
nos abraçamos atraves das noites
num frio e calor que nos cerca os corpos
que disputam os braços e cobertas e suores
com a calma de almas velhas que repousam
um descanço de finalmente termos nos braços
frios e quentes um do outro todos os veroes que
estao por vir
todas as noites de brisas que pela pele escapam
e nos chega num vapor de sal e areia
com voce eu quero descansar do mundo
e dormir
e memorar a lembrança que não tenho de sermos homem e mulher
da forma mais trivial que as pessoas fazem
como dois senhores apaziguados depois da vida sabida com quem se ama
como duas crianças que não entendem, mas aceitam
com voce eu quero descansar do mundo
e dormir
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
O que eu escrevo não serve a ninguem
só a mim
ja tive pretensões de falar qualquer coisa que, devido a semelhança entre as pessoas, caiba
mas nunca serei daqueles genios capazes de trauzir a humanindade de uma forma bela
escrever assim só por desabafo, sem intenção a nao ser do alivio, nao traz novidade alguma... as ideias todas que tive, ja as tiveram antes de mim... nao trago combinação nova de formas que realmente renove ou agrade aos olhos... eventualmente, talvez alguem... nunca foram colocadas a muita prova as minhas palavras
escreve pra mim se tornou algo que eu nao esperava
em cartas a um jovem poeta, rilke diz que kappus deve se perguntar se ele PRECISA escrever... e só se precisar deve faze-lo... eu ja pensei que é claro que nao preciso... mas tudo
o que escrevo se tornou um vinculo entre eu e mim... entre tudo o que sou... tenho a sensacao de que me perderei se nao tornar em palavras o que fui em algum momento
me relaciono como que com outra pessoa quando leio e quando escrevo
uma relacionamento doido, de amor, odio, ressentimento e despeito... um relacionamento longo, inevitavelmente o mais intimo que tenho
acho que aprendi muito com o senhor rainer maria rilke... discretamente a sua ideia se fez em mim... talvez apenas por ter ficado em minha memoria... talvez ficar na memoria ja seja sinal de que a ideia se aproprie de voce...
resta escrever para mim mesma... resta ver beleza no que escrevo e me perdoar pelo ego, pela vaidade... muito natural é achar beleza no que reconhecemos, me parece que assim é a natureza e dái vem a ideia de beleza, reconhecimentos... me parece natural ver beleza no que escrevo por que identifico nuances de mim... me parece natural ver o horror no que escrevo e a vergonha de ser um tipo de pessoa débil, fraca, ignorante e sem talento...
tenho tido muita admiracao por alguns russos, senhor maiakovski, senhor tchekhov e senhor tarkovski... conheço pouco de todos.. todos me traduzem um ser humano em um nivel que sou incapaz de descrever... pessoas muito humanas, muito cruas e ao mesmo tempo muito sublimadas e muito sociais... o contexto diz muito.. a russia e o socialismo...
tenho tido tambem, e isso nao se afasta do grupo anterior, uma atração pelos homens que se isolaram... wittgenstein, acho que tchekhov... nao sei se rilke...
wittgenstein, principalmente.... nao conheco seus sentimentos... mas posso deduzir alguma coisa do seu interior lendo, muito pouco, seu investigações filosoficas... o ser humano, as relacoes, as palvras,.... muitas falhas, dificil lidar com isso
ja é dificil, sem pensar muito nessas falhas, só tendo a vida permeada por elas, se relacionar, estar com alguem e ver qualquer significado no que chamam amor e todos os outros sentimentos
acho que aprecio o isolamento porque vejo uma força. uma força que nao me vejo capaz de manifestar... uma força mental, de paz de espirito... de aceitacao da solidao e da perda do medo de a mente se perder... de enlouquecer, de acordo com algumas concepções
voltando um pouco ao que escrevi ontem... sobre as palavras, o pensar e as falácias... fica uma deixa para os proximos textos... a falta disso, que pode ser algo "legitimo, natural, ou real"... se aproxima do que dizem budistas, os "maiavadis?" sobre o estado de nada... sobre meditar para controlar a mente, para que ela se esvasie...
só a mim
ja tive pretensões de falar qualquer coisa que, devido a semelhança entre as pessoas, caiba
mas nunca serei daqueles genios capazes de trauzir a humanindade de uma forma bela
escrever assim só por desabafo, sem intenção a nao ser do alivio, nao traz novidade alguma... as ideias todas que tive, ja as tiveram antes de mim... nao trago combinação nova de formas que realmente renove ou agrade aos olhos... eventualmente, talvez alguem... nunca foram colocadas a muita prova as minhas palavras
escreve pra mim se tornou algo que eu nao esperava
em cartas a um jovem poeta, rilke diz que kappus deve se perguntar se ele PRECISA escrever... e só se precisar deve faze-lo... eu ja pensei que é claro que nao preciso... mas tudo
o que escrevo se tornou um vinculo entre eu e mim... entre tudo o que sou... tenho a sensacao de que me perderei se nao tornar em palavras o que fui em algum momento
me relaciono como que com outra pessoa quando leio e quando escrevo
uma relacionamento doido, de amor, odio, ressentimento e despeito... um relacionamento longo, inevitavelmente o mais intimo que tenho
acho que aprendi muito com o senhor rainer maria rilke... discretamente a sua ideia se fez em mim... talvez apenas por ter ficado em minha memoria... talvez ficar na memoria ja seja sinal de que a ideia se aproprie de voce...
resta escrever para mim mesma... resta ver beleza no que escrevo e me perdoar pelo ego, pela vaidade... muito natural é achar beleza no que reconhecemos, me parece que assim é a natureza e dái vem a ideia de beleza, reconhecimentos... me parece natural ver beleza no que escrevo por que identifico nuances de mim... me parece natural ver o horror no que escrevo e a vergonha de ser um tipo de pessoa débil, fraca, ignorante e sem talento...
tenho tido muita admiracao por alguns russos, senhor maiakovski, senhor tchekhov e senhor tarkovski... conheço pouco de todos.. todos me traduzem um ser humano em um nivel que sou incapaz de descrever... pessoas muito humanas, muito cruas e ao mesmo tempo muito sublimadas e muito sociais... o contexto diz muito.. a russia e o socialismo...
tenho tido tambem, e isso nao se afasta do grupo anterior, uma atração pelos homens que se isolaram... wittgenstein, acho que tchekhov... nao sei se rilke...
wittgenstein, principalmente.... nao conheco seus sentimentos... mas posso deduzir alguma coisa do seu interior lendo, muito pouco, seu investigações filosoficas... o ser humano, as relacoes, as palvras,.... muitas falhas, dificil lidar com isso
ja é dificil, sem pensar muito nessas falhas, só tendo a vida permeada por elas, se relacionar, estar com alguem e ver qualquer significado no que chamam amor e todos os outros sentimentos
acho que aprecio o isolamento porque vejo uma força. uma força que nao me vejo capaz de manifestar... uma força mental, de paz de espirito... de aceitacao da solidao e da perda do medo de a mente se perder... de enlouquecer, de acordo com algumas concepções
voltando um pouco ao que escrevi ontem... sobre as palavras, o pensar e as falácias... fica uma deixa para os proximos textos... a falta disso, que pode ser algo "legitimo, natural, ou real"... se aproxima do que dizem budistas, os "maiavadis?" sobre o estado de nada... sobre meditar para controlar a mente, para que ela se esvasie...
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
espiral
eu não quero enlouquecer
tenho medo de enlouquecer
e tenho o medo do medo
(talvez o maior problema aqui seja o loop em que se pode entrar...)
dizem que é bom falar sobre as coisas
que o que voce coloca pra fora se resolve de alguma forma
ou colocar pra fora seja só sinal de que nao esta tão mal assim
nao sei
eu tenho medo
mas dai vem de novo, tentando dismitificar, tentando resolver o que é só uma falha so pensar humando... vem de novo a ideia de medo é só uma palavra e enlouquecer é só um nome para um estado anormal da cabeça de alguém
é claro que quando alguem se refere a medo, nao se refere só a um conjunto de letras, mas esta encerrando uma ideia.. esta trancando numa ideia rigida, fixa la no dicionario, uma sensação que se assemelha ao que está descrito lá (e a semelhança é estabelecida com o estabelecimento previo da semelhança entre todas as outras palavras e algum mundo que elas encerram que foram usadas na descrição...)
o ponto é que tenho a impressao de que muito se perde com isso
um caminhao de coisas
uma propagação de erros
só posso pedir uma libertação depois disso tudo
não quero ser escravas de nomes e ideias que se estabeleram em certos contextos e se arrastaram até mim... mas, é inevitavel! nao é como fugir... talvez sobre me permitir burlar qualquer coisa que me faça menos feliz (que só posso pensar que é o que eu prefiro... independente da ideia concebida de felicidade)
tenho medo de enlouquecer
e tenho o medo do medo
(talvez o maior problema aqui seja o loop em que se pode entrar...)
dizem que é bom falar sobre as coisas
que o que voce coloca pra fora se resolve de alguma forma
ou colocar pra fora seja só sinal de que nao esta tão mal assim
nao sei
eu tenho medo
mas dai vem de novo, tentando dismitificar, tentando resolver o que é só uma falha so pensar humando... vem de novo a ideia de medo é só uma palavra e enlouquecer é só um nome para um estado anormal da cabeça de alguém
é claro que quando alguem se refere a medo, nao se refere só a um conjunto de letras, mas esta encerrando uma ideia.. esta trancando numa ideia rigida, fixa la no dicionario, uma sensação que se assemelha ao que está descrito lá (e a semelhança é estabelecida com o estabelecimento previo da semelhança entre todas as outras palavras e algum mundo que elas encerram que foram usadas na descrição...)
o ponto é que tenho a impressao de que muito se perde com isso
um caminhao de coisas
uma propagação de erros
só posso pedir uma libertação depois disso tudo
não quero ser escravas de nomes e ideias que se estabeleram em certos contextos e se arrastaram até mim... mas, é inevitavel! nao é como fugir... talvez sobre me permitir burlar qualquer coisa que me faça menos feliz (que só posso pensar que é o que eu prefiro... independente da ideia concebida de felicidade)
nada mudou
o que eu quero e nao tenho
o que prefiro que se cale dentro de mim
ou só o que eu prefiro que nao haja
um mundos de impetos se faz
de ansias e desejos
há uma paisagem movel que corre pela minha mente
e planos por futuro
mas ha que se calar tudo
descobri!
ha um mundo fora de mim e fora de todas as pessoas que nao se encerra nas palavras
ha um mundo, talvez
que escapa a todo o compreender, da forma como o faço
é a maior das falacias
eu sinto
uma serie de substancias quimicas, uma serie de processos que entendo como ordenaos
se sucedem na minha cabeca
por tanto eu sinto
eu ordeno
é tudo uma questao que só mora em mim
e depois dar nomes
a vida se reduz a isso
no que me tange
ou no que tange a todo o resto das pessoas, ja que estamos num estado que chamamos "de acordo"
a vida que me tange é isso: ordenar e nomear
o resto é nada
nao me toca
nao existe
o que ficou do meu amor
alem da palavra e do frio na espinha quando lembro do seu nome
e do seu cheiro de cigarro?
ficou que agora eu sei que isso é uma grande cilada
a cilada de ser humano no mundo como o achamos que é
nada mudou
o frio continua
o que prefiro que se cale dentro de mim
ou só o que eu prefiro que nao haja
um mundos de impetos se faz
de ansias e desejos
há uma paisagem movel que corre pela minha mente
e planos por futuro
mas ha que se calar tudo
descobri!
ha um mundo fora de mim e fora de todas as pessoas que nao se encerra nas palavras
ha um mundo, talvez
que escapa a todo o compreender, da forma como o faço
é a maior das falacias
eu sinto
uma serie de substancias quimicas, uma serie de processos que entendo como ordenaos
se sucedem na minha cabeca
por tanto eu sinto
eu ordeno
é tudo uma questao que só mora em mim
e depois dar nomes
a vida se reduz a isso
no que me tange
ou no que tange a todo o resto das pessoas, ja que estamos num estado que chamamos "de acordo"
a vida que me tange é isso: ordenar e nomear
o resto é nada
nao me toca
nao existe
o que ficou do meu amor
alem da palavra e do frio na espinha quando lembro do seu nome
e do seu cheiro de cigarro?
ficou que agora eu sei que isso é uma grande cilada
a cilada de ser humano no mundo como o achamos que é
nada mudou
o frio continua
sábado, 9 de outubro de 2010
o sábaod se anunciou como vespera de feriado
nao era um dia qualquer
um sabado qualquer
era um preludio a dias diferentes
dias nao-uteis
em que eu perco o senso de normalidade
e tendo a me perder
falta a obrigacao de dormir
a obrigacao de acordar
e tudo deveria ser mais facil
mas nao é
me sobra tempo de mais e penso de mais
e sinto medo de em que abismos mergulho
e do quanto me sobra de ser de modo pensado
o sabado nao se anunciou como vespera de viagem
estou em casa
o dia é bonito e venta forte
e as pessoas estao caladas
pela rua, peelo tempo que andei
nos falamos eu e os vendedores
as pessoas comuns, que só são comuns porque nao as conheço
mas a memoria do dia na rua ficou vaga
como um sonho sem ordem
como um sonho em que misturo pessoas rostos e vozes
mas o filme do dia que ficou como memoria é mudo
o sabado se anunciou depois de uma noite de medo
todas as noites sao de medos
pra mim que sempre fujo da opressao do existir
eu teimo em achar beleza e leveza nas coisas
eu tento!
eu tento!
mas me vem um sabado sem familia
sem os meus portos-seguros
sem voz intima
sem amigo
sem toda a referencia do que sou para os outros
(que é o que eu quero ser!)
uma pessoa simplesmente, uma pessoa viva que esta ali
de modo tao banal, tao cotidiano, uma pessoa que talvez morra
mas quem é que vai pensar nisso? eu quero ser uma pessoa simplesmente, como todas as outras
mas esse sábado, esse sábado me fez dentro de mim!
e fez todo o resto dentro de mim
e as pessoas são intimas e se confundem dentro de mim! E elas morrem e tem vida interna
e eu não tenho paz, porque todas as pessoas moram em mim e eu se quem são! são eu! eu sou essas pessoas!e carrego o peso de todas essas vidas
dia sem fim
dia que antecede outros iguais
o feriado de quatro dias se fez como quatro domingos, este sim, o rei dos dias fatidicos em que o vazio espreita pavorosamente.
te entrego, ó sábado maldito! te entrego nessas linhas! para que me livre dos teus ares tão pesados. te jogo nessas linhas, te exorciso. descarrego o fardo que me trouxeste.
e espero.
nao era um dia qualquer
um sabado qualquer
era um preludio a dias diferentes
dias nao-uteis
em que eu perco o senso de normalidade
e tendo a me perder
falta a obrigacao de dormir
a obrigacao de acordar
e tudo deveria ser mais facil
mas nao é
me sobra tempo de mais e penso de mais
e sinto medo de em que abismos mergulho
e do quanto me sobra de ser de modo pensado
o sabado nao se anunciou como vespera de viagem
estou em casa
o dia é bonito e venta forte
e as pessoas estao caladas
pela rua, peelo tempo que andei
nos falamos eu e os vendedores
as pessoas comuns, que só são comuns porque nao as conheço
mas a memoria do dia na rua ficou vaga
como um sonho sem ordem
como um sonho em que misturo pessoas rostos e vozes
mas o filme do dia que ficou como memoria é mudo
o sabado se anunciou depois de uma noite de medo
todas as noites sao de medos
pra mim que sempre fujo da opressao do existir
eu teimo em achar beleza e leveza nas coisas
eu tento!
eu tento!
mas me vem um sabado sem familia
sem os meus portos-seguros
sem voz intima
sem amigo
sem toda a referencia do que sou para os outros
(que é o que eu quero ser!)
uma pessoa simplesmente, uma pessoa viva que esta ali
de modo tao banal, tao cotidiano, uma pessoa que talvez morra
mas quem é que vai pensar nisso? eu quero ser uma pessoa simplesmente, como todas as outras
mas esse sábado, esse sábado me fez dentro de mim!
e fez todo o resto dentro de mim
e as pessoas são intimas e se confundem dentro de mim! E elas morrem e tem vida interna
e eu não tenho paz, porque todas as pessoas moram em mim e eu se quem são! são eu! eu sou essas pessoas!e carrego o peso de todas essas vidas
dia sem fim
dia que antecede outros iguais
o feriado de quatro dias se fez como quatro domingos, este sim, o rei dos dias fatidicos em que o vazio espreita pavorosamente.
te entrego, ó sábado maldito! te entrego nessas linhas! para que me livre dos teus ares tão pesados. te jogo nessas linhas, te exorciso. descarrego o fardo que me trouxeste.
e espero.
me disse que se chamava caiame
tive que vir ao sol pra escrever sobre você
quase não faz sol
o céu está azul salpicado de nuvens
o vento frio faz tudo ficar mais ameno e bonito
e me tapa os olhos com os cabelos
eu sorrio de alegria
sozinha do lado de fora
me lembro dos seus cabelos ontem
dourados também sobre os seus olhos
num dia de muito sol
..
ontem eu conheci um menino
um menino que parece um anjo
que parece que não cresceu e que não tem sexo
a voz tão suave
carregada pelo ar
era algo de indescritível, era uma carícia, uma benção que falasse
ele era azul como o céu
e tinha os olhos doces e lindos
quero guardar pra sempre o que é ter visto alguém assim
mesmo que não o veja mais
me despertou tanta doçura que até da medo
porque eu sei que nesse mundo eu já escolhi uma ilusão
mas ele não
ele teima em ver por através
e em não se entregar
uma criança, coisa muito grande
gente que não se mede desde o chão
gente que paira sobre nós
liberta e quase oprime de tão grande
é um céu e um sol juntos
uma força da natureza
da forma mais boa
menino azul-dourado que eu conheci
que faz existir ser menos vazio a qualquer hora
que faz acreditar em coisas boas e num mundo bom de viver
ficou dentro do meu coração
quase não faz sol
o céu está azul salpicado de nuvens
o vento frio faz tudo ficar mais ameno e bonito
e me tapa os olhos com os cabelos
eu sorrio de alegria
sozinha do lado de fora
me lembro dos seus cabelos ontem
dourados também sobre os seus olhos
num dia de muito sol
..
ontem eu conheci um menino
um menino que parece um anjo
que parece que não cresceu e que não tem sexo
a voz tão suave
carregada pelo ar
era algo de indescritível, era uma carícia, uma benção que falasse
ele era azul como o céu
e tinha os olhos doces e lindos
quero guardar pra sempre o que é ter visto alguém assim
mesmo que não o veja mais
me despertou tanta doçura que até da medo
porque eu sei que nesse mundo eu já escolhi uma ilusão
mas ele não
ele teima em ver por através
e em não se entregar
uma criança, coisa muito grande
gente que não se mede desde o chão
gente que paira sobre nós
liberta e quase oprime de tão grande
é um céu e um sol juntos
uma força da natureza
da forma mais boa
menino azul-dourado que eu conheci
que faz existir ser menos vazio a qualquer hora
que faz acreditar em coisas boas e num mundo bom de viver
ficou dentro do meu coração
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
a pressa em que a vida anda
naõ há tempo
temos que ser felizes
temos que votar
escolher
temos que amar
temos que jogar o lixo fora
nao
temos que reciclar
temos que nao fazer lixo
temos que fazer de tudo util, bom e necessario
o mundo se basta e tudo é tudo
a pressa de ver o sol
a rpessa de ser esconder do sol
deir pro frio
de voltar
de se molhar na chuva
de dançar
de fazer amor
de fazer sexo
o tempo corre
a pressa de viver
a pressa de morrer
a pressa
fugir
correr da morte
eu e voce vamos ser um só
eu e 7 bilhoes de pessoas vamos ser um só
eu e 100 bilhoes de animais vamos ser um só
eu e toda a vida
eu e toda planta
e cada grao de areia
vamos ser um so
nao ha morte
é o ciclo
o ciclar
numa espiral
infinita
naõ há tempo
temos que ser felizes
temos que votar
escolher
temos que amar
temos que jogar o lixo fora
nao
temos que reciclar
temos que nao fazer lixo
temos que fazer de tudo util, bom e necessario
o mundo se basta e tudo é tudo
a pressa de ver o sol
a rpessa de ser esconder do sol
deir pro frio
de voltar
de se molhar na chuva
de dançar
de fazer amor
de fazer sexo
o tempo corre
a pressa de viver
a pressa de morrer
a pressa
fugir
correr da morte
eu e voce vamos ser um só
eu e 7 bilhoes de pessoas vamos ser um só
eu e 100 bilhoes de animais vamos ser um só
eu e toda a vida
eu e toda planta
e cada grao de areia
vamos ser um so
nao ha morte
é o ciclo
o ciclar
numa espiral
infinita
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
uma coisa que eu nunca disse...
(em geral, gosto de registrar certas impressões)
que quando eu escrevo é uma coisa de súbito
quase sempre e quase que durante toda a escrita
é como uma psicografia
quando termino e leio, chega a ser estranho
porque escrevo numa espécie de transe
é como se a pessoa do texto me virasse e dissesse
olha só como eu sou!
e eu penso: essa sou eu?
me parece tambem que há uma conversa
por de tras do papel uma, na frente outra
uma conversa
uma discussao
dificil
a de dentro do papel é mais autentica (?, assim ela se diz)
mais despudorada, quer dizer sexo, pau, buceta
quer falar de terror, de medo, memória, lembrança
recalque... a que esta de fora do papel chama tudo de recalque
bota tudo num saco muito mais bonito (bonito pra ela)(ou, bonito?, beleza?)
e as duas se alternam
pegam as duas mãos na mesma caneta
e vai
um texto
um texto que é uma luta
entre quem quer ser feliz
e entre quem quer ser
ser de verdade
tudo
(em geral, gosto de registrar certas impressões)
que quando eu escrevo é uma coisa de súbito
quase sempre e quase que durante toda a escrita
é como uma psicografia
quando termino e leio, chega a ser estranho
porque escrevo numa espécie de transe
é como se a pessoa do texto me virasse e dissesse
olha só como eu sou!
e eu penso: essa sou eu?
me parece tambem que há uma conversa
por de tras do papel uma, na frente outra
uma conversa
uma discussao
dificil
a de dentro do papel é mais autentica (?, assim ela se diz)
mais despudorada, quer dizer sexo, pau, buceta
quer falar de terror, de medo, memória, lembrança
recalque... a que esta de fora do papel chama tudo de recalque
bota tudo num saco muito mais bonito (bonito pra ela)(ou, bonito?, beleza?)
e as duas se alternam
pegam as duas mãos na mesma caneta
e vai
um texto
um texto que é uma luta
entre quem quer ser feliz
e entre quem quer ser
ser de verdade
tudo
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
A resposta do e-mail que eu não consegui dar... de vergonha, de nao querer oprimir
Querida,
eu estou tentando, e talvez conseguindo, aprender a ser leve.
Eu não quero que te assustes, ou que tema a mmim ou o que eu te der...
a minha vinda era pra ser o rito de que te falei... um rito bonito.. encontros
um amor prático e sem obrigações
pratico no sentido de presenca, porque eu sei amar de longe, mas prefiro e ha algo de mais e melhor, muitas vezes em amar de perto, pq no fim nos somos menos cerebro e mais bicho e cheirar e rondar, como poderiamos fazer, mesmo que ritualmente, é onde comeca essa historia de amor... na presenca
talvez nao me queiras como amor pratico.. tudo bem.. eu aceito, eu aceito tudo de que gosto...o que vem de voce, eu aceito, mesmo que menos... de muita gente. eu tenho feito isso, aceitado e dado... pq só assim se ganha sempre... mas é dificil
mas sobre a leveza, é bom dizer que nao é pra temer, é pro frio na espinha ser só prazer e satisfacao despreocupados... nao tens obrigacao nenhuma comigo, nem de me querer e muito menos de querer so a mim... eu nao te quero so a voce e nao te quero so de uma forma... mas agora, talvez por me fazer falta, talvez sempre seja assim, eu quero o amor pratico, eu quero presenca e só... pq eu ja cultivei muita solidao, e cultivo ainsa, como uma coisa muito boa... uma coisa a que me reservo sempre, coisa dificil, com esforco
ha quem diga que tudo o que é bom é dificil, que o amor é dificil e por isso é bom... que a natureza se aferra ao que é dificil pra aflorar, pra alograr
eu tenho uma certa vergonha de parecer sempre tao pesada, tao intensa, mesmo quando eu digo: olha, eu sei ser leve... olha só, esta tudo bom pra mim, isso nao é ser leve? nao esta bom pra voce? vem ser leve comigo...
no final eu penso memso é que nao sei amar... eu quero muitas coisas e me acho mesmo muito egoista... nao me interessa dar, só receber do resto... é horrivel... é muito ego, e muito dificil.. nao que eu nao ache mais nada bom que seja fora de mim... mas preciso me convencer de que nao é tudo espelho pro meu narcisismo... um horror... um virus que tenta se reproduzir por ai... sera que é todo mundo assim e depois de tanta dose de cristianismo e tanta sublimacao é tudo um monte de enganog.. e pensat sobre a vida, amores , uma coisa meio vazia?
tudo bem pra mim.... é um pouco triste, mas eu sei o que eu quero... eu me conformo com certas fatalidades... com a natureza possivel das coisas...
eu quero sexo, gozo, prazer, comida, sorrisos, cheiros, vida, vida de quem eu amo e a aminha... e quero imagens , sons e letras, arte, mas nao muita... pq ser bicho é mesmo mais facil e mais legitimo, mais real, talvez...
na sexta feira um menino morreu... um conhecido de um conhecido... no domingo, enterraram ... no domingo de manha... no domingo de manha eu chorei de alegria por assistir a minha primeira orquestra.. é muito bom ver a vida humana, tao minha, tao do outro fazendo uma coisa que carrega tanto, tanta historias, tantas vidas... vale a pena ser menos bicho nessas horas, ou esta aí justamente a nossa animalidade expressa como a antitese, o anti-discurso que se reafirma pelo discurso, ou o oposto.... como a coisa da sexualidade de foucault...
fugi do assunto
e nao
fico por aqui sem consertar nada
minha querida,
boa noite
Querida,
eu estou tentando, e talvez conseguindo, aprender a ser leve.
Eu não quero que te assustes, ou que tema a mmim ou o que eu te der...
a minha vinda era pra ser o rito de que te falei... um rito bonito.. encontros
um amor prático e sem obrigações
pratico no sentido de presenca, porque eu sei amar de longe, mas prefiro e ha algo de mais e melhor, muitas vezes em amar de perto, pq no fim nos somos menos cerebro e mais bicho e cheirar e rondar, como poderiamos fazer, mesmo que ritualmente, é onde comeca essa historia de amor... na presenca
talvez nao me queiras como amor pratico.. tudo bem.. eu aceito, eu aceito tudo de que gosto...o que vem de voce, eu aceito, mesmo que menos... de muita gente. eu tenho feito isso, aceitado e dado... pq só assim se ganha sempre... mas é dificil
mas sobre a leveza, é bom dizer que nao é pra temer, é pro frio na espinha ser só prazer e satisfacao despreocupados... nao tens obrigacao nenhuma comigo, nem de me querer e muito menos de querer so a mim... eu nao te quero so a voce e nao te quero so de uma forma... mas agora, talvez por me fazer falta, talvez sempre seja assim, eu quero o amor pratico, eu quero presenca e só... pq eu ja cultivei muita solidao, e cultivo ainsa, como uma coisa muito boa... uma coisa a que me reservo sempre, coisa dificil, com esforco
ha quem diga que tudo o que é bom é dificil, que o amor é dificil e por isso é bom... que a natureza se aferra ao que é dificil pra aflorar, pra alograr
eu tenho uma certa vergonha de parecer sempre tao pesada, tao intensa, mesmo quando eu digo: olha, eu sei ser leve... olha só, esta tudo bom pra mim, isso nao é ser leve? nao esta bom pra voce? vem ser leve comigo...
no final eu penso memso é que nao sei amar... eu quero muitas coisas e me acho mesmo muito egoista... nao me interessa dar, só receber do resto... é horrivel... é muito ego, e muito dificil.. nao que eu nao ache mais nada bom que seja fora de mim... mas preciso me convencer de que nao é tudo espelho pro meu narcisismo... um horror... um virus que tenta se reproduzir por ai... sera que é todo mundo assim e depois de tanta dose de cristianismo e tanta sublimacao é tudo um monte de enganog.. e pensat sobre a vida, amores , uma coisa meio vazia?
tudo bem pra mim.... é um pouco triste, mas eu sei o que eu quero... eu me conformo com certas fatalidades... com a natureza possivel das coisas...
eu quero sexo, gozo, prazer, comida, sorrisos, cheiros, vida, vida de quem eu amo e a aminha... e quero imagens , sons e letras, arte, mas nao muita... pq ser bicho é mesmo mais facil e mais legitimo, mais real, talvez...
na sexta feira um menino morreu... um conhecido de um conhecido... no domingo, enterraram ... no domingo de manha... no domingo de manha eu chorei de alegria por assistir a minha primeira orquestra.. é muito bom ver a vida humana, tao minha, tao do outro fazendo uma coisa que carrega tanto, tanta historias, tantas vidas... vale a pena ser menos bicho nessas horas, ou esta aí justamente a nossa animalidade expressa como a antitese, o anti-discurso que se reafirma pelo discurso, ou o oposto.... como a coisa da sexualidade de foucault...
fugi do assunto
e nao
fico por aqui sem consertar nada
minha querida,
boa noite
ciúme
Se for possível explicar
Acontece que eu tenho um ego muito grande
E antes mesmo de amar
eu quero que me queiram
só a mim somente
e me achem realmente o melhor que ja se viu
E eu entendo
que sendo a realidade algo um pouco diferente
que a gente seja muito boa
e bem diversa
alem de mim
Que eu também sei amar, com despeito e esforço
quem nunca nem me viu passar
Me ame a mim que não te amo
eu amo
não tu
mas o amor que sentes
e a dedicação que me dedicas
e os brilhos nos olhos que derramas
por mim e mais ninguém
Caro estranho
sinto muitos ciúmes de tudo
até de tu
que logo de início devias ter-me
percebido toda a graça
mais que tudo que já viste nesse mundo
Me dá o teu amor
me conquiste assim
pra que eu logo te despreze
com remorso
e culpa
muita culpa de quem quer ser querida
muito mais que quer a gente
Acontece que eu tenho um ego muito grande
E antes mesmo de amar
eu quero que me queiram
só a mim somente
e me achem realmente o melhor que ja se viu
E eu entendo
que sendo a realidade algo um pouco diferente
que a gente seja muito boa
e bem diversa
alem de mim
Que eu também sei amar, com despeito e esforço
quem nunca nem me viu passar
Me ame a mim que não te amo
eu amo
não tu
mas o amor que sentes
e a dedicação que me dedicas
e os brilhos nos olhos que derramas
por mim e mais ninguém
Caro estranho
sinto muitos ciúmes de tudo
até de tu
que logo de início devias ter-me
percebido toda a graça
mais que tudo que já viste nesse mundo
Me dá o teu amor
me conquiste assim
pra que eu logo te despreze
com remorso
e culpa
muita culpa de quem quer ser querida
muito mais que quer a gente
terça-feira, 28 de setembro de 2010
bem feliz!
Ai que eu amo gente bonita que me chega assim
fui passear num dia de sol e de chuva e conheci o amor
conheci
re-conheci
ai, que eu amo as pessoas que riem
e a leveza de ser
e andar andar por ruas novas
rir novo
ouvir vozes agudas, jovens, roucas
sentir as fumaças dos bares, das casas
o cheiro de cerveja velha na lata
muita doçura
muitas vozes
uma confusao de gente
essa mistura de mundos
em que voce se esquece de pensar por dentro
só pensa por fora
e fica se dando aos estranhos mais lindos e sorridentes
assim
bem feliz!
fui passear num dia de sol e de chuva e conheci o amor
conheci
re-conheci
ai, que eu amo as pessoas que riem
e a leveza de ser
e andar andar por ruas novas
rir novo
ouvir vozes agudas, jovens, roucas
sentir as fumaças dos bares, das casas
o cheiro de cerveja velha na lata
muita doçura
muitas vozes
uma confusao de gente
essa mistura de mundos
em que voce se esquece de pensar por dentro
só pensa por fora
e fica se dando aos estranhos mais lindos e sorridentes
assim
bem feliz!
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
last dance
There are two ladies living by my side
they are both pretty and so similar
that one can barely tell one form the other
Both enjoy my company
and both are actresses
They pretend to live in harmony
so I can never notice the war they strugle in
in every moment
In the day that I was born
they started to dance
A beautiful mistic ballet
Touched by flamming yellows from
the days and dark shadows from the
nights
In every step they wake me with caution
to make me aware of my surroundings
to turn me conscious of myself
to pull me up to inside
In every step they fight for me
with frightening elegance
I shrivel with cold trembling arms
I have a glance of infinity and
insignificance
One of the ladies, a little bit
stronger then the other
is the one that makes me happier
She is sweet and more childlike
So loose and easy that sometimes
I forget about her, like the times
that I have negleted easy given loves
The other one, apparently weaker
Is more sunset colored
of an hipnotizing purple
She has a misterious attractive
charm
And dizzy dewy breath
As I grow older the Stronger tuns to Weaker
The purple steps more meticulous
She is mercyful and respectful
But one must accomplish his
duties of existence
As I know that ther will be a last dance
when she will
sadly
embrace me forever.
they are both pretty and so similar
that one can barely tell one form the other
Both enjoy my company
and both are actresses
They pretend to live in harmony
so I can never notice the war they strugle in
in every moment
In the day that I was born
they started to dance
A beautiful mistic ballet
Touched by flamming yellows from
the days and dark shadows from the
nights
In every step they wake me with caution
to make me aware of my surroundings
to turn me conscious of myself
to pull me up to inside
In every step they fight for me
with frightening elegance
I shrivel with cold trembling arms
I have a glance of infinity and
insignificance
One of the ladies, a little bit
stronger then the other
is the one that makes me happier
She is sweet and more childlike
So loose and easy that sometimes
I forget about her, like the times
that I have negleted easy given loves
The other one, apparently weaker
Is more sunset colored
of an hipnotizing purple
She has a misterious attractive
charm
And dizzy dewy breath
As I grow older the Stronger tuns to Weaker
The purple steps more meticulous
She is mercyful and respectful
But one must accomplish his
duties of existence
As I know that ther will be a last dance
when she will
sadly
embrace me forever.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
quando me falta o novo diante dos olhos
ou aos ouvidos música, gente e sons
quando me faltam filmes e letras e palavras
alheias
surge em mim um silêncio insuportável
e começo a pensar descontroladamente sobre
qualquer coisa que caiba, sobre mim
e penso absurdos e quero fazer sentido deles
então penso e penso e preciso escrever quando
surge qualquer coisa de razoável, pra achar
o perdão sobre todo o inútil que guardo
escrever é um ato de indulgencia
e se me desprego de mim por uma fração
inconcebível de tempo
enxergo o imperdoável que sou
ou aos ouvidos música, gente e sons
quando me faltam filmes e letras e palavras
alheias
surge em mim um silêncio insuportável
e começo a pensar descontroladamente sobre
qualquer coisa que caiba, sobre mim
e penso absurdos e quero fazer sentido deles
então penso e penso e preciso escrever quando
surge qualquer coisa de razoável, pra achar
o perdão sobre todo o inútil que guardo
escrever é um ato de indulgencia
e se me desprego de mim por uma fração
inconcebível de tempo
enxergo o imperdoável que sou
Em algum lugar se esconde o perigo
dos impetos outrora recolhidos
das horas que ficaram amarradas ao pé da cama
guardando o sono
Sonhei
Sonhai
Onde as almas voam e desembaraçam de seus
pés os laços fatigados dos dias que seguimos
contadas horas
8 horas por dia utilíssimo fluindo palpitadas
entre veias e ganas engolidas
contorcidas
enodadas
Onde mora a iminencia do outrem guardado?
Entre portas e paredes e predios assombrados
Num sol de concreto que desce inferno abaixo
e deslisa por entre vias e queima a cara dos
que maldormem malogrados?
É na morada atroz dos homens mal queridos
que mora o perigo
Na vaga hora entre ir e voltar todas as vias
todos os dias empoeirados, vermelhos, suados
que mora o perigo
de ser e não ser deixado
ser levado
e certo
e opresso
ser certo acertado
Moram nos sonhos os sonhos
Na ultima noite em que dormi
sonhei com o amor doce
que tinha algum gosto do que me foi dito
mas nunca vi de fato
No sonho uma criança repousava do meu lado
nascida, como todas as outras,
prum mundo inventado
e feliz
Com tanto amor chorei de alegria
e acordei
no sonho do sonho que foi sonhado
Nos sonhos moram os sonhos recalcados
E um mar de gente que nasceu da morte alheia
que matou 50 deuses e fez qualquer flor a
custa de qualquer sangue
sem saber
Sem saber nos sonhos moram os sonhos
Sem saber nos lembramos
do mundo em que sonhamos
Em que fazemos qualquer flor de qualquer sangue
Sem saber sonhamos cegos num mundo de pó
Onde moram os perigos de ser o que se é sem saber?
dos impetos outrora recolhidos
das horas que ficaram amarradas ao pé da cama
guardando o sono
Sonhei
Sonhai
Onde as almas voam e desembaraçam de seus
pés os laços fatigados dos dias que seguimos
contadas horas
8 horas por dia utilíssimo fluindo palpitadas
entre veias e ganas engolidas
contorcidas
enodadas
Onde mora a iminencia do outrem guardado?
Entre portas e paredes e predios assombrados
Num sol de concreto que desce inferno abaixo
e deslisa por entre vias e queima a cara dos
que maldormem malogrados?
É na morada atroz dos homens mal queridos
que mora o perigo
Na vaga hora entre ir e voltar todas as vias
todos os dias empoeirados, vermelhos, suados
que mora o perigo
de ser e não ser deixado
ser levado
e certo
e opresso
ser certo acertado
Moram nos sonhos os sonhos
Na ultima noite em que dormi
sonhei com o amor doce
que tinha algum gosto do que me foi dito
mas nunca vi de fato
No sonho uma criança repousava do meu lado
nascida, como todas as outras,
prum mundo inventado
e feliz
Com tanto amor chorei de alegria
e acordei
no sonho do sonho que foi sonhado
Nos sonhos moram os sonhos recalcados
E um mar de gente que nasceu da morte alheia
que matou 50 deuses e fez qualquer flor a
custa de qualquer sangue
sem saber
Sem saber nos sonhos moram os sonhos
Sem saber nos lembramos
do mundo em que sonhamos
Em que fazemos qualquer flor de qualquer sangue
Sem saber sonhamos cegos num mundo de pó
Onde moram os perigos de ser o que se é sem saber?
domingo, 22 de agosto de 2010
Todo mundo que chega pra mim vem e dá a mão a alguém que já conheço. E é assim, todo mundo com alguma coisa que já vi antes. Uma fileira de gente e uma fileira de sentimentos. Pra explicar ainda mais: A voz de quem eu gosto e está longe ecoa aqui na sua voz e por isso eu gosto mas de você. E a coisa vai assim, porque eu gosto da voz dele e eu não sei se primeiro gostei da voz como coisa particular ou como a voz do homem que carrega o olhar que talvez seja de alguém que já amei.
E pensando assim, o amor é quase como um só, o primeiro e o último. O amor e qualquer coisa que se sinta, uma corrente de coisas que se ligam e te levam até onde a memória não alcança mais.
(a mao leva por um labirinto bem grande, onde o que passou se confunde com o que nunca se viu...onde muitas coisas se difundem, como raizes que se espalham por cantos esquecidos)
E pensando assim, o amor é quase como um só, o primeiro e o último. O amor e qualquer coisa que se sinta, uma corrente de coisas que se ligam e te levam até onde a memória não alcança mais.
(a mao leva por um labirinto bem grande, onde o que passou se confunde com o que nunca se viu...onde muitas coisas se difundem, como raizes que se espalham por cantos esquecidos)
sábado, 14 de agosto de 2010
na verdade
eu faço mais que isso
só transformo as minhas histórias nos amores mais bonitos
tanto quando possam ser
a tal da beleza
a coisa de ser o que eu prefiro
só transformo as minhas histórias nos amores mais bonitos
tanto quando possam ser
a tal da beleza
a coisa de ser o que eu prefiro
shame shame shame
eu mudo de amor como quem muda de roupa
such a shame shame shame
shame is the shadow of love
such a shame shame shame
shame is the shadow of love
sexta-feira, 2 de julho de 2010
fragmento
resta uma semana
Ele não expressava o seu amor sexualmente, diferente dos homens, em geral. Acordou e me beijou docemente. Muitos beijos curtos e ternos. Eu, que passara a noite preocupada com a vida, dormi pouco e lhe dei aquela forma de carinho mais pura, que se dá a quem não percebe.
Tudo estava permeado, sim, pelo fato de que partiria para Guadalajara. Cidade dos infernos onde lhe espera, talvez, história antiga. Eu ficava. Sempre preferi assim, os amores que me permito são os que partem, obrigados a morrer de forma bonita.
Eu o beijo de volta sorrindo. Sorrimos e nossos rostos se beijam dormentes ainda.
O doce mais doce. Uma fruta. Eu me tornaria uma tangerina, embora pensasse que fosse manga a sua fruta preferida. E eu queria, mesmo, ser sua fruta, coisa, preferida. Sempre quero, dos meus amantes, ser a melhor.
Ele não expressava o seu amor sexualmente, diferente dos homens, em geral. Acordou e me beijou docemente. Muitos beijos curtos e ternos. Eu, que passara a noite preocupada com a vida, dormi pouco e lhe dei aquela forma de carinho mais pura, que se dá a quem não percebe.
Tudo estava permeado, sim, pelo fato de que partiria para Guadalajara. Cidade dos infernos onde lhe espera, talvez, história antiga. Eu ficava. Sempre preferi assim, os amores que me permito são os que partem, obrigados a morrer de forma bonita.
Eu o beijo de volta sorrindo. Sorrimos e nossos rostos se beijam dormentes ainda.
O doce mais doce. Uma fruta. Eu me tornaria uma tangerina, embora pensasse que fosse manga a sua fruta preferida. E eu queria, mesmo, ser sua fruta, coisa, preferida. Sempre quero, dos meus amantes, ser a melhor.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
strangers
To a Stranger
Passing stranger! you do not know
How longingly I look upon you,
You must be he I was seeking,
Or she I was seeking
(It comes to me as a dream)
I have somewhere surely
Lived a life of joy with you,
All is recall'd as we flit by each other,
Fluid, affectionate, chaste, matured,
You grew up with me,
Were a boy with me or a girl with me,
I ate with you and slept with you, your body has become
not yours only nor left my body mine only,
You give me the pleasure of your eyes,
face, flesh as we pass,
You take of my beard, breast, hands,
in return,
I am not to speak to you, I am to think of you
when I sit alone or wake at night, alone
I am to wait, I do not doubt I am to meet you again
I am to see to it that I do not lose you.
Walt Whitman
Passing stranger! you do not know
How longingly I look upon you,
You must be he I was seeking,
Or she I was seeking
(It comes to me as a dream)
I have somewhere surely
Lived a life of joy with you,
All is recall'd as we flit by each other,
Fluid, affectionate, chaste, matured,
You grew up with me,
Were a boy with me or a girl with me,
I ate with you and slept with you, your body has become
not yours only nor left my body mine only,
You give me the pleasure of your eyes,
face, flesh as we pass,
You take of my beard, breast, hands,
in return,
I am not to speak to you, I am to think of you
when I sit alone or wake at night, alone
I am to wait, I do not doubt I am to meet you again
I am to see to it that I do not lose you.
Walt Whitman
quarta-feira, 9 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
prazo de validade
Você veio
menino
cheio de idéias
com muitos espíritos
desejos, razões
inquieto
me incomodava até
e eu contrariada
te peguei na mão
que conduzi a mim
e então começamos a abrir os
olhos um pro outro
bem devagar
Quantos dias seriam precisos?
E eu fui tola
achando que a historia estava escrita
achando que já sabia
esquecendo mesmo de saber se eu sairia impune
Nem nada
não pensei
tão sábia
tão tola
E agora você foi e o dito se voltou contra mim
eu que avisei das armadilhas dos amores com prazo de validade
sempre enganam
E você foi e eu fiquei com os olhos desejosos
e muita saudade
e alguma raiva
sempre engano
muita saudade
(armadilhas... coelho, bicho muito arisco)
menino
cheio de idéias
com muitos espíritos
desejos, razões
inquieto
me incomodava até
e eu contrariada
te peguei na mão
que conduzi a mim
e então começamos a abrir os
olhos um pro outro
bem devagar
Quantos dias seriam precisos?
E eu fui tola
achando que a historia estava escrita
achando que já sabia
esquecendo mesmo de saber se eu sairia impune
Nem nada
não pensei
tão sábia
tão tola
E agora você foi e o dito se voltou contra mim
eu que avisei das armadilhas dos amores com prazo de validade
sempre enganam
E você foi e eu fiquei com os olhos desejosos
e muita saudade
e alguma raiva
sempre engano
muita saudade
(armadilhas... coelho, bicho muito arisco)
quarta-feira, 12 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
domingo: prelúdio ao sono
Eu sou feliz na minha casa longe de tudo, de onde demora muito para se chegar aos bons lugares.
Eu sou feliz no meu quarto, que cheira bem e agora, pelo vidro da janela, entra uma luz da noite e da rua. Eu sou feliz pelo vento frio que escapa pelas frestas e pelo calor da minha cama.
Eu sou feliz com um milhão de pendências, com medo, com expectativas. Eu sou feliz fazendo duas matérias difíceis com listas de exercícios insuportáveis.
Eu sou feliz com as risadas do Orlando e com as árvores do instituto.
Eu sou feliz com o vinho que bebi ontem e o café que bebi hoje.
Eu sou feliz pela capoeira.
Eu sou feliz sem motivo. Eu sou feliz sem sexo. Eu sou feliz sem uma amiga. Eu sou feliz com pequenos amores e sem muitos amores.
Eu sou feliz com todo o açúcar de hoje, com a caminhada e a tosse.
Com a primeira vez que eu assisto Ettore Scola e mal sei medir a felicidade de ver "o jantar".
Eu sou feliz acordando cedo e procrastinando infinitamente.
Mas agora, principalmente, pela luz do quarto, pela temperatura e pelo barulho do ônibus la fora e porque antes de o sono vir, vou beber um pouco d'água, ouvir uma musiquinha bem baixinho, me aconchegar na cama, pra depois dormir...
Eu sou feliz no meu quarto, que cheira bem e agora, pelo vidro da janela, entra uma luz da noite e da rua. Eu sou feliz pelo vento frio que escapa pelas frestas e pelo calor da minha cama.
Eu sou feliz com um milhão de pendências, com medo, com expectativas. Eu sou feliz fazendo duas matérias difíceis com listas de exercícios insuportáveis.
Eu sou feliz com as risadas do Orlando e com as árvores do instituto.
Eu sou feliz com o vinho que bebi ontem e o café que bebi hoje.
Eu sou feliz pela capoeira.
Eu sou feliz sem motivo. Eu sou feliz sem sexo. Eu sou feliz sem uma amiga. Eu sou feliz com pequenos amores e sem muitos amores.
Eu sou feliz com todo o açúcar de hoje, com a caminhada e a tosse.
Com a primeira vez que eu assisto Ettore Scola e mal sei medir a felicidade de ver "o jantar".
Eu sou feliz acordando cedo e procrastinando infinitamente.
Mas agora, principalmente, pela luz do quarto, pela temperatura e pelo barulho do ônibus la fora e porque antes de o sono vir, vou beber um pouco d'água, ouvir uma musiquinha bem baixinho, me aconchegar na cama, pra depois dormir...
segunda-feira, 3 de maio de 2010
ai ai...
querida,
voce pode me decepcionar, pode ser menos do que eu poderia querer. mas olha, voce tem uma força que é difícil, viu?! difícil de vencer... eu estava ficando muito calma mesmo e voce me vem e me leva tudo... e agora eu ja voltei a olhar tudo ao redor com olhos que querem.
e tanto voce fez, ou é, que merece que eu diga aqui qualquer coisa de amorzinho novo. de dormir, de estar, de doçura.
e fica tambem de presente a simplicidade e a falta de pretensão, pq foi assim que foi...
e que bonita voce é, e que peste tambem, parece o capeta! uma graça!
ai ai...
voce pode me decepcionar, pode ser menos do que eu poderia querer. mas olha, voce tem uma força que é difícil, viu?! difícil de vencer... eu estava ficando muito calma mesmo e voce me vem e me leva tudo... e agora eu ja voltei a olhar tudo ao redor com olhos que querem.
e tanto voce fez, ou é, que merece que eu diga aqui qualquer coisa de amorzinho novo. de dormir, de estar, de doçura.
e fica tambem de presente a simplicidade e a falta de pretensão, pq foi assim que foi...
e que bonita voce é, e que peste tambem, parece o capeta! uma graça!
ai ai...
segunda-feira, 12 de abril de 2010
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