segunda-feira, 16 de junho de 2008

re-velação

É bom estar entre amigos
Numa noite amena
fito a fogueira que crepita
desnecessariamente

Penso nos povos antigos
diante desta coisa tão viva e forte
que podemos fazer nascer,
mas que toma logo vida própria

Independente e agressivo
o fogo atrai e afasta
simultaneamente

Pensei no que era o fogo pra mim
a dois passos, um calor bom
guardado nas palmas das mãos
e nas pontas dos dedos

Se cresce e dança mais veloz
ao sabor de algum vento
confuso e sem direção
assusta e faz cócegas
traz um rubor doce
quente
feminino

Tentei ver através do laranja flamejante
quase opaco
qualquer revelação estampada
no horizonte azul escuro atrás
Aquele volume incerto e etéreo
poderia guardar algum segredo sobre mim

Quis ler no fogo ou na noite,
ou descobrir algo novo-velho
despercebido na memória

Quis que me contassem
porque eu deveria ser feliz
Sem argumento ou necessidade de convencer
Sem conclusão ou apelos a novas perspectivas

Quis que me contassem do ocorrido,
que eu não soubera por ser tola,
ou porque quiseram me reservar uma surpresa alegre
Um fato certo
a felicidade certa
gratuita.
Qualquer sentença
que se traduzisse em uma alegria inebriante
e de sorrisos incontroláveis

O fogo ardiloso e sabido
não me contou nada
Dançou como uma lívida bailarina
em noites quentes e alcoólicas de verão

O fogo seriamente se desviou,
com um sorriso paterno
austero e protetor
negando o prazer ao filho

Que não sei do que me cobre,
além desse frio tão ameno,
que não quer me contar
este segredo da minha graça

Como o pai que antecipa,
pois já sabe da dor que ja viveu,
o fogo, que aquece ou arde
pra me proteger do triste fim
não me contou da alegria
que pra ter, só precisaria saber
que eu já podia ser feliz e não sabia
e se soubesse
era depois sofrer

14/06/2008

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