Não vou jogar nada fora
Se escrever oito poemas ruins
os oito conservo
Pois ainda que mal escritos ou frouxos
ainda são todos parte de algum mim
que sou ou se perdeu por aí
Não vou jogar fora por amor próprio
que não tenho razão de ter
mas prefiro garantir
em meio a tantos incertos
ao menos este afeto
Não vou terminar o poema
porque se revela um grande desfecho
Não vou terminar o poema
porque qualquer outra palavra não lhe caiba
Vou escrever até me exaurirem as razões
até estar cansada e satisfeita,
mesmo a custa de uma verborragia descontrolada
Vou escrever porque eu posso
e me permito, em meio a tantas curvas indesejadas,
ir e voltar tantas voltas
oito voltas malogradas
que sigo e interrompo a minhas custas
e não à do poema.
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