terça-feira, 21 de outubro de 2008

o que dizer dos dias?

O que dizer? eu não sou muito prosaica, na verdade não sei se-lo com elegancia. a profundidade, a expressao das coisas intimas, não requer elegancia e criatividade, requer honestidade. é claro que prefiro os textos que unem todas essas coisas, mas condescentemente me conformo, para não juntar mais frustrações ao orçamento.
falar do cotidiano é muito dificil.
é facil falar do que altera muito o que vai por dentro, dos descontentamentos , obsessoes e grandes felicidades..
e claro, sempre sou assomada pelo argumento de ter muito o que fazer. existem muitas paginas a minha espera para serem lidas, postergando ainda mais as paginas que poderiam sair das minhas mãos.
eu queria mesmo que toda essa coisa engolida, pensada e esquecida por tantos dias, se acumulasse e explodisse em algum momento. um spleen. um insight criativístico. mas um medo muito grande me faz suspeitar que todas essas coisas podem ficar abafadas e reprimidas...não quero morrer guardando...
tenho pensado muito na morte. na minha e da minha mãe. fico pensando na dor da morte. já dói.
a minha morte já me dói por poder botar fim a tanta coisa que ainda não foi. a morte da minha mãe que é o objeto que amo por me amar, além de amar por amar. talvez seja um egocentrismo: não quero que as duas pessoas que mais me aceitam e me conhecem (de formas muito distintas) morram, não quero que morra a devoção pelo que sou (pela minha mãe) e pelo que posso ser (por mim). será?
ai, vida que me espera. que eu quero que me espere, que guarde tanta vida por vir.
agora. seria a minha vida agora fantástica? eu faço tudo o que gosto, até. agora é mesmo muito bom. desde que minha vó morreu, eu pensei que não vou ser uma daquelas pessoas que dizem "eu era feliz e não sabia", quero tomar posse de cada felicidade que se me revela, a cada instante.

Nenhum comentário: