quarta-feira, 7 de outubro de 2009

reencontro... (?)

eu não sei se eu quero conversar com voce
eu nao sei se eu quero saber de voce
eu nao sei se eu quero que voce saiba de mim

eu sei que eu quero que voce saiba que eu te quero
eu sei que eu quero saber se voce me quer

dançar conforme a música?

ou se opor às coisas como elas são? que na maioria das vezes é uma merda. As coisas funcionam carregadas de heranças, tradições... que geralmente são para manutenção das vantagens de quem está no poder, qualquer que seja o tipo de poder: do estado para a sociedade, do homem para a mulher, do dono dos meios de produção para o a sociedade...

é muito mais "digno" se opor, claro (claro?). mas viver não deve ser prático? não deve ser feliz? então eu deveria encontrar um "meio termo" e dançar as vezes e me opor em outras... até fazer alarde... e então me esbarro na minha covardia.

falando em digno e em todos os conceitos que fazem sentido com interação entre as pessoas...

(talvez dê para concluir que todos os conceitos só fazem sentido com a interação entre as pessoas, o que é conhecimento, afinal? faz sentido esclarecer um conceito que nao serve de palco (ou peça) para interação e discussao? entao para que esclarecer? eu poderia ficar com a ideia vaga, com a sensaçao de algo que só me importa a mim... nao preciso formular o "conceito" da tal coisa, entao).

mas existe uma diferenca entre o conceito que faz sentido com interação entre as pessoas, porque são os conceitos, são quase os nomes das coisas que permeiam a interação entre as pessoas; e o conceito que é fruto da interação entre as pessoas, como as denominacoes comuns, tipo, isto é isto, ou esta é uma árvore e essas estruturas sao suas folhas e possuem uma propriedade chamada cor, que neste caso é verde.
neste caso, falo do primeiro, que é mais uma idéia abstrata, ou o nome de uma coisa abstrata e nao de um objeto externo.

mas sobre a dignidade. dignidade no priberam:
dignidade
(latim dignitas, -atis)
s. f.
1. Qualidade de digno.
2. Modo digno de proceder.
3. Procedimento que atrai o respeito dos outros.
4. Brio; gravidade.
5. Cargo ou título de alta graduação.
6. Honraria.
7. Ant. Dignitário.

outra palavra que sempre me dói quando dizem e principalmente quando eu não consigo não dizer:
respeito
s. m.
1. Sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém.
2. Apreço, consideração, deferência, obediência, submissão, temor, medo.
3. Temor do que os outros podem pensar de nós.


é assustadora!


essas são palavras associadas a algo de bom, de virtuoso. me parece que guardam uma carga medieval (nao que suas origens estejam na idade media, sei lá!) de significado, ligada a submissão, ao medo, ao "dançar conforme a música" para não ser penalizado por aquele que tem vantagens sobre o outro que dança.

agora me preocupo com as armadilhas da linguagem. porque quero ser clara (que ilusao!):
conceito
s. m.
1. Mente (considerada como sede das concepções!conceções).
2. Opinião, ideia, juízo (que se faz de alguém ou de alguma coisa).
3. Dito engenhoso.
4. Reputação (usado com os adjectivos!adjetivosbom ou mau).
5. Expressão sintética; síntese.
6. Moralidade (duma fábula, dum conto, etc.).
7. Parte final e elucidativa duma charada.

conceito no meu texto é bem parecido com "ideia, juizo".. nao existem sinonimos perfeitos.

eu sei que ainda nao disse nada, mas é só para começar a pensar e formular algo sobre essas questões. acho preocupante que a nossa vida seja ditada tão fortemente por certas "idéias" certos "conceitos" que estão tão arraigados a nós, não só nos discursos como na própria linguagem que usamos, que foi sendo construída ja nos moldes da interação humana e carrega a moral, a herança de épocas que não "condizem com o status" do "pensamento humano atual", este ainda amarrado pela linguagem na qual é expresso e reformulado e ainda restrito a certos ambientes privilegiados e , nos moldes do sec XXI (e nos outros), restrito aos financiamentos. que perigo!