sexta-feira, 12 de novembro de 2010

dois cavalos brancos dançaram no meu quintal

pegue este sonho que transcrevo em dias noturnos
taciturnos
dentro de anos (ou qualquer coisa que distingua isso de aquilo)
as pessoas que não suponho
lerão essas paginas

saiba
que é tudo um engano
a coisa de dizer
mas talvez deslizem por essas palavras algo de mim

há um calor e um toque sobre teclas
que se ja sentiste, talvez se iluda
se identifique
e seremos irmãos
ou mãe e filhos

é estranho pensar

e toda a estranheza do mundo e de se perceber vivo
só pode libertar
ou, poderia, ao menos
sendo as coisas como são, e se dizer que são faz diferença

há dois cavalos na minha janela
a luz cinza que entra os envolve
e eles se entrelaçam entre crinas e lama
sôfregos

depois deste sonho e do terror do medo
me resta não ser honesta
me resta viver dos olhos pra fora
falando todas as falhas
e escrevendo para os proximos enganos

posso dizer, que como todas as pessoas que já viveram
(todos os seres que foram vivos
todos os seres que nunca viveram
mas se fizeram de forma distinguivel do resto)
que talhei algum coisa no dorso desse mundo
mas todo mundo o fez
(o dorso do mundo e o proprio mundo como ele e mudança
é a maior redundância possível)
e existem um bilhão de pessoas que notaram
a si mesmas e seus vizinhos julgados medíocres

tudo desnecessário
da boca pra fora
mas não é como se necessidade fosse uma condicao necessária para qualquer coisa lograr

as leis da física
muito duvidosas
quase nos fazem acreditar em ordem
a tal da entropia

é mesmo muito mágico
que olhemos pela janela
e vejamos esses dois cavalos brancos num lençol cinza
e todas as equações matematicas que usamos para descrever um descrevem tambem o outro
e mais alguns planetas e e mais os atomos de que são feitos

--

dois cavalos a passo largo cavalgam em circulos no meu quintal

se inclinam sobre as pernas de tras

e voltam

depois de muito rodar

cansados miram a minha janela de vidro

não me veem

dois cavalos de dentro da minha janela

olham resolutos os dois cavalos do meu quintal

eu acordo de olhos fechados

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