quinta-feira, 25 de novembro de 2010

a mario faustino

depois de saber que não ha como medir nada pelas reguas que nos foram dadas
depois de saber que passou-se o tempo como uma corda puxada
como fluido que escoa e tudo arrasta

nado eu contra esse vortice
esse ralo
e me agarro aos troncos e pedras que resistem

olho pro olho da besta
o fluir da vida e da morte
e vejo
olhos brilhantes
perco o medo
hipnotizada

olho pra cima
onde nada é definido
onde nao ha nem tempo nem espaco
onde meus olhos nao sao olhos
onde tudo é nada
e a salvação se faz

ca embaixo
vejo que as pedras nao mais se aguentam
vejo que as madeiras dos balanços das casas dos meus pais
se vão e me carregam

mas o que seria o novo ceu sobre a minha cabeça
onde me perco e nao existo
é fixo e eterno
e solto e sem tempo

e vejo que os olhos pra onde escoa o mundo
sao os olhos do deus que eu matei
que agora me puxa por mãos e pés

me estendem
infinita
num sono eterno
como o de antes da hora em que nasci

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