O que eu escrevo não serve a ninguem
só a mim
ja tive pretensões de falar qualquer coisa que, devido a semelhança entre as pessoas, caiba
mas nunca serei daqueles genios capazes de trauzir a humanindade de uma forma bela
escrever assim só por desabafo, sem intenção a nao ser do alivio, nao traz novidade alguma... as ideias todas que tive, ja as tiveram antes de mim... nao trago combinação nova de formas que realmente renove ou agrade aos olhos... eventualmente, talvez alguem... nunca foram colocadas a muita prova as minhas palavras
escreve pra mim se tornou algo que eu nao esperava
em cartas a um jovem poeta, rilke diz que kappus deve se perguntar se ele PRECISA escrever... e só se precisar deve faze-lo... eu ja pensei que é claro que nao preciso... mas tudo
o que escrevo se tornou um vinculo entre eu e mim... entre tudo o que sou... tenho a sensacao de que me perderei se nao tornar em palavras o que fui em algum momento
me relaciono como que com outra pessoa quando leio e quando escrevo
uma relacionamento doido, de amor, odio, ressentimento e despeito... um relacionamento longo, inevitavelmente o mais intimo que tenho
acho que aprendi muito com o senhor rainer maria rilke... discretamente a sua ideia se fez em mim... talvez apenas por ter ficado em minha memoria... talvez ficar na memoria ja seja sinal de que a ideia se aproprie de voce...
resta escrever para mim mesma... resta ver beleza no que escrevo e me perdoar pelo ego, pela vaidade... muito natural é achar beleza no que reconhecemos, me parece que assim é a natureza e dái vem a ideia de beleza, reconhecimentos... me parece natural ver beleza no que escrevo por que identifico nuances de mim... me parece natural ver o horror no que escrevo e a vergonha de ser um tipo de pessoa débil, fraca, ignorante e sem talento...
tenho tido muita admiracao por alguns russos, senhor maiakovski, senhor tchekhov e senhor tarkovski... conheço pouco de todos.. todos me traduzem um ser humano em um nivel que sou incapaz de descrever... pessoas muito humanas, muito cruas e ao mesmo tempo muito sublimadas e muito sociais... o contexto diz muito.. a russia e o socialismo...
tenho tido tambem, e isso nao se afasta do grupo anterior, uma atração pelos homens que se isolaram... wittgenstein, acho que tchekhov... nao sei se rilke...
wittgenstein, principalmente.... nao conheco seus sentimentos... mas posso deduzir alguma coisa do seu interior lendo, muito pouco, seu investigações filosoficas... o ser humano, as relacoes, as palvras,.... muitas falhas, dificil lidar com isso
ja é dificil, sem pensar muito nessas falhas, só tendo a vida permeada por elas, se relacionar, estar com alguem e ver qualquer significado no que chamam amor e todos os outros sentimentos
acho que aprecio o isolamento porque vejo uma força. uma força que nao me vejo capaz de manifestar... uma força mental, de paz de espirito... de aceitacao da solidao e da perda do medo de a mente se perder... de enlouquecer, de acordo com algumas concepções
voltando um pouco ao que escrevi ontem... sobre as palavras, o pensar e as falácias... fica uma deixa para os proximos textos... a falta disso, que pode ser algo "legitimo, natural, ou real"... se aproxima do que dizem budistas, os "maiavadis?" sobre o estado de nada... sobre meditar para controlar a mente, para que ela se esvasie...
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