sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Em algum lugar se esconde o perigo
dos impetos outrora recolhidos
das horas que ficaram amarradas ao pé da cama
guardando o sono

Sonhei

Sonhai

Onde as almas voam e desembaraçam de seus
pés os laços fatigados dos dias que seguimos
contadas horas

8 horas por dia utilíssimo fluindo palpitadas
entre veias e ganas engolidas
contorcidas
enodadas

Onde mora a iminencia do outrem guardado?
Entre portas e paredes e predios assombrados
Num sol de concreto que desce inferno abaixo
e deslisa por entre vias e queima a cara dos
que maldormem malogrados?

É na morada atroz dos homens mal queridos
que mora o perigo
Na vaga hora entre ir e voltar todas as vias
todos os dias empoeirados, vermelhos, suados
que mora o perigo
de ser e não ser deixado
ser levado
e certo
e opresso
ser certo acertado



Moram nos sonhos os sonhos

Na ultima noite em que dormi
sonhei com o amor doce
que tinha algum gosto do que me foi dito
mas nunca vi de fato

No sonho uma criança repousava do meu lado
nascida, como todas as outras,
prum mundo inventado
e feliz
Com tanto amor chorei de alegria
e acordei
no sonho do sonho que foi sonhado

Nos sonhos moram os sonhos recalcados
E um mar de gente que nasceu da morte alheia
que matou 50 deuses e fez qualquer flor a
custa de qualquer sangue
sem saber

Sem saber nos sonhos moram os sonhos
Sem saber nos lembramos
do mundo em que sonhamos
Em que fazemos qualquer flor de qualquer sangue

Sem saber sonhamos cegos num mundo de pó
Onde moram os perigos de ser o que se é sem saber?

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