Me sento ao sol para escrever. Na verdade, preciso escrever e fazê-lo sem frio é melhor. É uma boa manhã da primeira semana de junho e o dia tão brilhante me faz sentir menos mal por usar blusa preta e calça marrom, muito sóbrios.
Não sei porque é preciso escrever. Isso tem uma motivação estética e reflete a fomra como prefiro ver o mundo e tentar receber todas as coisas que me cercam de modo que me proporcionem prazer. Antes disso, talvez alguma motivação orgânica, que eu não sei identificar e acho desnecessário, pois sendo ultimamente todas as coisas e os pensamentos orgânicos, ser orgânico não quer dizer nada.
À parte as questões sobre os porquês e todas as motivações, escrevo porque estou desolada. Pois ficou claro e incontestavelmente evidente a irreversibilidade da vida.
Certa vez eu li que uma vez é nunca: "Einmal ist Keinmal". Ainda não consigo realizar completamente o significado desta sentença. que se chego às vezes a achar que apreendi sua verdade, esta me escapa sem qualquer razão identificavel.
Uma vez é nunca. Uma vez é nunca! eu repior a fim de compreender. Avida não tem rascunho, ou é o prórpio rascunho que nunca logra arte-final -> uma vez é nunca.
E nunca e sempre são a mesma coisa, com um "sinal de menos" do lado de algum.
Nunca = -Sempre. Parece tolo quantificar assim, mas tomar simbolismos matemáticos nos conforta ao permitir ao cérebro fazer "pulos" tão rápidos entre objetos aparentemente tão distantes.
Uma vez é sempre. Uma vida é sempre. Hoje isso faz um sentido meio torto. estou aqui escrevendo porque estou desiludida com a irreversibilidadedos meus atos. que por mais que se conserte um vaso quebrado ou se plante uma árvore, a cicatriz é eterna. Os erros são eternos e o universo tem essa memória de todas as coisas ocorridas; simplesmente porque todo ato tem consequencia e desencadeia uma série de eventso que só são precisamente desta ou daquela forma por causa daquele fato ocorrido. Esta memória do mundo é o que faz de imperdoável todos os erros. E o que importam os acertos? Os acertos, os dias felizes, são para serem vividos. Posso até parar para constatar em meio ao belo dia azul o quão belo é este dia azul, mas de fato, o que me importa não é constatar_ o que tem de bom me basta.
E o que tenho de ruim e os erros que doem e não são digeridos, pela condição intrínseca de ruim que te o erro e a dor, isso eu paro para constatar e meditar, a fim de algum consolo que nunca parece tangível.
Então meditar e escrever é só algo de bom que eu posso fazer, o prazer que eu posso extrair das minhas lamentações. E sucumbindo ao poder das analogias, é como montar um mosaico com os cacos quebrados do vaso.
É um belo fim de manhã. O vendo é frio e o sol é quente. E os contrastes que me sucedem sobre a pele são muito agradáveis.
Tenho ainda perspectivas de outros dias agradáveis e de detalhes sonhados da vida que me planejo: amores que não pretendo que não sejam intermitentes, uma casa cheia de verdes e os pequenos prazeres do corpo e da mente em doses diárias, mesmo que nem sempre grandes.
continua depois...
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