vem a palavra
e vai
como a água esquivada
orientada
na iminencia do desvio_
depressão inesperada
a escrita com a pressa
de um animal que corre
fugitivo
a assertiva e o recalque
num vai-e-vem acelerado
e a pergunta?
isso é criatividade?
meu deus!
o texto alheio
o texto à margem
ele nao vem
ele vai e volta
em um caminho fechado
mas escapa
eventualmente
pelas ranhuras
do chão
da mente incerta
respiro
inspiro
ondulando nas águas
e nos desvios
da agua esquivada
voltas e voltas
por dentro dos meus olhos
embreagadas.
tropeços
entre cordas
que se entrelaçam neste cérebro
em cada vinco
uma idéia
que escorre
as cordas amontoadas
encaixadas
neste vaso derramante
precisamente
todos os vasos
são claros
loucura
tempestade de estimulos
embarquemos nesta
nau bêbada
no bateau ivre
das ideias
desçamos perigosamente
de-me a mao tremula
e aperte meu coração
este vaso preso dentro
do meu peito
este vaso cheio
de ódio e amor
dissolvidos
por muitos anos
irmãos
o que foi incontido
o que foi derramado
em um instante
talvez longo
tudo foi dito
um oceano de palavras
pra onde fluo
loucamente
sem pensar
ou constatar
aqui é o mar
pra onde vou
e desapareço
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