sábado, 7 de fevereiro de 2009

café

Não tenho vontade de me expressar. Não tenho tido, ao menos. E por que diabos eu teria? Se eu tinha antes, por alguma inquietação? tristezas e motivações estéticas? Agora nada sobrou? Es~´a tudo dormente, a palavra que parece caber é "numb", não sei bem a tradução. Como anestesiada. Anestesiado é um estado de dor latente, de dor que deveria existir, pois há algo de errado, mas você não sente.
Talvez essa seja uma nova fase, que ao menos me permite escrever. É a evolução da fase puramente pessimista, incomodada, com muito medo e meio apática. Agora eu anestesiei tudo. Ainda há algum resquício daquela sensação, talvez mais como memória (sensação evocada), afinal, hoje é o primeiro dia em que constato que estou em uma "nova fase".
Talvez o meu cérebro esteja usando algum recurso,a lgum antidepressivo próprio que começa assim anestesiando tudo, daí quando você toma distância da dor ela já vira só alguma coisa que você viveu como assistindo a um filme sem prestar muita atenção e sem sentir muito.
Nem vou mencionar aqui_ o que seria bom como registro da bagunça que foi a minha virada 2008/2009 todas as crises, as reavaliações dos meus amigos, de mim e das minhas vontades e perspectivas. Acho que posso ao menos dizer que tomei a melhor decisão: viver um dia de cada vez e, mais uma vez, empurrar a crise para mais uns meses a frente. Talvez ela até se dissolva, ou diminua. Será? Será que isso já aconteceu? Acho que sim, mas não nesse caso. Acho que o problema física/cinema vai continuar.
Não importa. O que importa é que aparentemente aflora um certo otimismo. Que não sei de onde vem, ainda tenho as mesmas impressões pessimistas sobre o amor, a solidão, a doença, a morte. Estou no meu nono dia em Tres Coraçoes, parto amanhã de volta para Campinas. Me pergunto se a aparente recuperação de uma ponta de otimismo está ligada a minha estadia aqui. Não cheguei a rever muitos amigos, nem me senti muito próxima da vida aqui, íntima ou nostálgica. Mas acho que estar com minha mãe, meu pai, minhas primas, fazer coisas aqui, sentir um pouco o que é a vida aqui, tão distante de tantas inquietudes que me assombram em Campinas, me deu um alívio. Alívio porque não importa o quanto eu tenha medo, o quanto eu viaje (se tiver coragem), o quanto me sentirei só neste mundo e talvez me afaste da minha vida tricordiana, da minha vida brasileira, o quanto eu tenha qualquer crise sobre o que fazer e medo da reprovação do meu pai, o quanto eu seja pobre por não fazer escolhas seguras (se tiver coragem), ao fim, eu posso voltar para cá, e acho que não vai ter mudado muito, essas cidades pequenas, com as pessoas da minha infância, os meus primeiros beijos e amores.
Ontem mesmo eu citei "toda saudade é um cais de pedra", e mais uma vez isso fica evidente. Essa cidade que eu tanto deprecio, que tem tantos defeitos, que não cresce, que é cheia de gente estreita, é meu cais de pedra. É irônico.
Quero (talvez queira querer) voltar para Campinas, estudar, produzir. Tenho medo, me dá um frio na barriga, o medo de falhar, o medo da tensão e dedicação que vão requerer, mas vai dar tudo certo. Até que deu até agora. Eu duvido da minha capacidade, mas só eu duvido e acho que dá para fechar os olhos e fazer bastante coisa e resistir a pressão. Talvez eu deva mandar fazer uns florais de Bach para os próximos meses. :)
Estou ouvindo Matthew Shipp. Conhecendo por indicação do Ricardo. Muito bom, fica melhor a cada repetição _ como, que eu me lembre, toda música boa. Vale comentar porque talvez tenha embalado o clima da escrita, dado um tom. O nome do album é Pastoral Composure.
Será , realmente, que inauguro as postagens de 2009 em uma nova fase? Nesta manhã (tarde) de fevereiro? Veremos o que segue. E que não seja só o café.

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